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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 30-03-2012

    SECÇÃO: Editorial


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    Fora de moda

    Para muitos lembrar Abril é algo do passado, muitos dos que apoiaram os ideais de liberdade e democracia tentam nos nossos dias esquecê-lo, ficava bem nos anos 60 e 70 ser de esquerda!...

    A história repete-se ao longo dos tempos e sempre que recorro à leitura de textos antigos encontro neles uma grande atualidade.

    José Saramago dizia que «a direita nunca deixou de ser direita, mas a esquerda deixou de ser esquerda. A explicação pode parecer simplista, mas é a única que contempla todos os aspetos da questão. Para serem participantes mais ou menos tolerados nos jogos do poder, os partidos de esquerda correram todos para o centro».

    Fotos LUÍS LAGE
    Fotos LUÍS LAGE

    A esquerda, quando se aproximou do poder, é empurrada para o centro, a que alguns chamam centro-esquerda.

    Há quem defenda que já não fazem sentido os partidos, que a prática partidária é igual para todos, dependendo apenas do contexto e dos objetivos. Não penso assim, por vezes as práticas são muito próximas, mas as raízes das ideologias que lhes são subjacentes são muito diferentes, e é nessa diferença que ainda é possível o diálogo ou as contradições próprias da vida em democracia, de outro modo a democracia não era possível.

    É normal encontrar nos nossos dias um grande ceticismo em relação ao futuro do nosso país e da Europa. Eu também comungo desse ceticismo e dessa desilusão, no entanto continuo a defender a democracia e a considerar que é possível tornar este mundo melhor, mais humano, sem esta desigualdade escandalosa em que vivemos.

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    Agora que nos aproximamos das comemorações do 25 de Abril lembro os seus ideais e, acima de tudo, o sentido da liberdade e da democracia.

    A propósito da identificação de uma rua em Ermesinde dei comigo a rever o pós 25 de Abril em Ermesinde.

    Em Ermesinde, como no resto do país, surgiram comissões de moradores de habitações situadas em zonas clandestinas, em bairros degradados, em zonas sem água, sem luz, sem assistência médica domiciliária, sem distribuição de correio.

    Na zona hoje designada por Montes da Costa os residentes organizaram uma comissão de moradores que, entre outras reivindicações, exigiam que as ruas onde moravam tivessem um nome, de modo a poderem receber o correio, a serem identificadas as suas casas para chamar um médico, uma ambulância, um táxi.

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    Depois de várias reuniões entre os moradores lá chegaram a um acordo quanto às propostas de nomes para as ruas. Escolheu-se um domingo para marcar provisoriamente as ruas com os nomes que os residentes escolheram. De seguida deu-se conhecimento às diferentes entidades da terra.

    Voltei lá passados quase 38 anos e algumas das ruas lá estavam: Rua Humberto Delgado, Rua da Liberdade, Rua 9 de Agosto.

    Para além das placas identificativas encontrei um morador que tinha participado nas atividades da comissão de moradores.

    – Éramos 36, trabalhámos aqui aos sábados e domingos para arranjarmos as ruas, por causa disso até tivemos problemas com a justiça! Um senhor enterrou o carro aqui na rua e fez queixa, porque nós tínhamos espalhado saibro e choveu muito, a rua ficou intransitável.

    Não resisti a perguntar-lhe se sabia porque se chamava 9 de Agosto a uma das ruas.

    – Não havia de saber?! Aquilo é que foi, parecia fogo de artifício!...

    Quantos por lá andámos, quantos o fariam hoje!?

    Por: Fernanda Lage

     

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