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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 15-11-2011

    SECÇÃO: Gestão


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    A moeda como meio de troca

    Já lá vai o tempo em que para se realizar as transações comerciais se usavam os cereais como moeda de troca. Tratava-se de uma economia de subsistência onde se convivia com a troca direta dos bens cujos valores se julgavam equivalentes. A moeda foi uma importante descoberta, pois funcionou como meio artificial para facilitar as trocas mercantis. Alguém assegurava o valor da mesma.

    A partir das revoluções protestantes, designadamente com pensadores como Calvino, a moeda deixou de ter só este papel de meio de troca, funcionando também como fator de acumulação de riqueza, agora justificada moralmente pois até então negócios com dinheiro eram pecado.

    Aqui está a semente do sistema capitalista na qual a moeda não é apenas um facilitador das transações económicas e mercantis, mas um fator artificial de geração e acumulação de riqueza, por vezes ocultando o verdadeiro valor dos ativos, como foi o caso da bolha imobiliária que, há dois anos, gerou a crise financeira mundial e com a qual ainda vemos e vivemos as consequências.

    A moeda é também um elemento que caracteriza o nível de riqueza e desenvolvimento de uma comunidade, funcionando tantas vezes como bandeira de um sistema económico e cujas oscilações são o reflexo do que se passa na economia real, designadamente nos níveis de crescimento e de acumulação de ativos. A moeda é portanto o espelho de uma economia específica, de um País ou até de uma comunidade.

    O euro é a tal moeda que não cumpre com algumas das funções, uma vez que não é representativa de todas as economias nas quais circula. De facto o euro é e foi desde a sua criação um instrumento dos países com economias mais possantes, favorecendo-os na eliminação de um vasto leque de obstáculos de natureza cambial, abrindo as portas à expansão económica desses países, criando fortes dependências das economias ocupadas.

    Este fenómeno é potenciado por uma das características do capitalismo, que corresponde às escalas de produção. Por isso, países com maior escala de produção estão seguramente em vantagem, uma vez que o mercado as sustenta. Como se não bastasse há que promover o alargamento desse tal mercado para assegurar e potenciar essas vantagens. As economias que se apoiam numa procura interna, como forma de crescimento económico deverão ter obrigatoriamente um vasto mercado que assegure esse crescimento.

    Portugal está vulnerável a esta realidade, pois não tendo mercado interno também não está dotado dos meios de desenvolvimento e produtividade que outros países da Europa Central indubitavelmente possuem. Esta contingência limita determinantemente países como Portugal, designadamente os da periferia no seu nível de atividade económica, contagiando outras vertentes do País como sejam o social, o cultural, com níveis de desemprego e pobreza crescentes, associados à corrupção e jogos de interesses, cartéis e lobbies, indignos para um país com a nossa história.

    Por: José Quintanilha

     

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