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    Arquivo: Edição de 30-06-2011

    SECÇÃO: Opinião


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    Expetativas

    Sempre que há um novo governo nascem nos cidadãos expetativas que algo de diferente, e melhor acontecerá no sentido da resolução de problemas que afetam as suas vidas: mais transparência na gestão da coisa pública, menores sacrifícios para os destinatários das decisões governamentais, maiores oportunidades para todos quantos buscam saída para as suas angústias pessoais, familiares e empresariais. E, se isto é verdade para a generalidade das situações, adquire maior significado relativamente à equipa governamental que tomou posse no passado dia 21 do mês de junho, quer pela qualidade e juventude dos novos ministros, quer pelas declarações entretanto produzidas, não sendo despiciendo o facto do número de ministros ter sido reduzido de dezasseis para onze, o que não aconteceu relativamente aos secretários de Estado, que de 37 passaram a 35, muito para além dos anunciados 25. Será que do inesperado número de S.E. nos quererá dizer que o ímpeto de corte nos custos, no aumento da operacionalidade e na redução da burocracia já começou a esfriar?

    Sendo estas notícias, apesar de tudo, importantes para o desiderato de reduzir as despesas de funcionamento da máquina administrativa do Estado, devemos fazer votos para que a prática se acentue em outras áreas do perímetro da administração pública, designadamente quanto a assessores, secretariados, contratos de outsourcing para prestação de serviços, com especial enfoque para a área jurídica, forte “machadada” no parque automóvel, em número e categoria de veículos, redução acentuada nas transferências para o funcionamento da Assembleia da República, para os Governos Regionais e Autarquias Locais. Numa palavra, dotar as entidades de recursos financeiros, mas apenas dos adequados à prestação dos serviços que prestam aos cidadãos, apurando-se permanentemente o rácio custo/benefício, a fim de se eliminar as muitas situações que se diz pulularem pelo país fora sem qualquer mais-valia para a qualidade de vida dos portugueses.

    Esta prática deverá eliminar do nosso espectro político, situações como a referida no “Diário Económico” do passado dia vinte e dois que, sob o título “Fraude no Sector dos Medicamentos” trouxe ao conhecimento dos seus leitores que, segundo um Relatório da Inspecção-Geral de Finanças, esta entidade terá detetado a existência de situações de fraude no setor dos medicamentos, envolvendo cerca de 1,2 milhões de euros, correspondente a 40% do valor total. A mesma notícia acrescentava que a IGF já no passado teria identificado este fenómeno inserindo-o em relatório anterior, com participação ao Ministério Público.

    Este tipo de notícias, frequente na comunicação social, sem que se conheça quaisquer consequências para os eventuais responsáveis, leva-nos a questionar o seguinte: será que as “lebres” levantadas nos relatórios dos nossos inspetores não passam de meras fantasias? Acontecerá que os responsáveis gozam de tal impunidade e influência capazes de imobilizar os mecanismos da justiça e de neutralizar os seus agentes? Poderemos esperar do novo ministro uma atitude que ponha termo a este estado de coisas, ou o lobby da corrupção é suficientemente poderoso que nem a competência, o rigor e a seriedade de Paulo Macedo o deterá?

    Uma outra expetativa prende-se com o que acontecerá aos Gregos relativamente à sua desmesurada dívida soberana. Em princípio, os problemas dos gregos não deveriam ser para nós, Portugueses, motivo de preocupação. Mas, infelizmente, o que se passa com a dívida grega não nos deverá ser estranho, sabido que o resultado das negociações com ela relacionadas, acabará por servir de pano de fundo à solução que venha a ser tomada relativamente a Portugal, independentemente dos nossos políticos não se cansarem de afirmar que a nossa vontade de cumprir as instruções da troika não têm paralelo com a apatia dos políticos gregos, atitude que impele qualquer observador a questionar as razões de tal procedimento. Os portugueses afincam-se na tomada de decisões para evitar a bancarrota. Os gregos, com a corda na garganta mais apertada que nós, dão sinais de pouca preocupação. Por que será?

    Naturalmente que só eles saberão o alcance da estratégia adotada, bem como não ignorarão as consequências previsíveis da sua atitude que, admitimos, não será a que nos assusta: declarar o “default” e sermos excluídos, durante muitos anos, de aceder aos mercados financeiros internacionais. Não crendo que os gregos não conheçam tal risco, se nos for permitido especular um pouco, diremos que estes nossos parceiros europeus já fizeram as suas contas e concluíram, maquiavelicamente, que os seus credores não estarão interessados em empurrá-los para o precipício por razões que se prendem com os seus próprios interesses, acabando, por isso, por encontrarem outra solução que não seja a de imporem sacrifícios atrás de sacrifícios, sem que se vislumbre a luz ao fundo do túnel.

    Com efeito, se e quando a Grécia declarar o incumprimento das suas responsabilidades nas datas e condições que lhes impuseram, os patrimónios dos bancos credores, com destaque para os alemães e outros europeus, sofrerão um “rombo” de tamanha envergadura que as Agências de Rating imediatamente o reflectirão nas suas análises, reduzindo as notações em vários níveis a bancos credores, não sendo de estranhar se alguns deles acabarem por conhecerem a classificação de “lixo”.

    Podendo esta nossa análise ser tida como extravagância racional, antes de assim a classificarem, talvez não seja descabido interrogarem-se quanto às reticências (e não denegação imediata e clara) da União Europeia em suspender novas ajudas de muitos milhões de euros à Grécia, apesar da sistemática recusa dos deputados da oposição em se “atravessar” nos compromissos do governo, ao contrário do que aconteceu em Portugal.

    Uma última expetativa (ou desejo) aqui deixamos: que o exercício da presidente do Parlamento corresponda à confiança que a grande maioria dos deputados, analistas e comentadores políticos lhe tributaram, e que o “lote” dos secretários de Estado que amanhã serão empossados, introduzam no seu “modus operandi” uma nova forma de fazer política, caracterizada por menos “show off” e mais ação na procura e implementação de soluções para a resolução dos verdadeiros problemas dos portugueses. Felicidades para todos, com destaque para os nossos dois conterrâneos!

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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