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Edição de 30-11-2022
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    Arquivo: Edição de 30-06-2011

    SECÇÃO: Editorial


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    A importância dos pequenos gestos

    A vida também é feita de pequenos gestos, gestos que fazem a diferença, que tornam o quotidiano de cada um mais rico e menos vulgar. Num mundo cada vez mais igual, mais banal, tornamo-nos apáticos pouco sensíveis, acostumamo-nos e deixamos correr.

    Olivier Clerc escreveu um livro que se chama “A Rã que não Sabia que Tinha Sido Cozida e Outras Lições de Vida”.

    Diz o autor que se deitarmos uma rã numa panela com água quente ela salta e tenta fugir, no entanto se colocarmos uma rã dentro de uma panela com água à temperatura ambiente e a colocarmos de seguida ao lume, a temperatura vai subindo lentamente e a rã não reage, vai-se acostumando, e acaba por morrer.

    Penso muitas vezes até que ponto a nossa vida se tem vindo a deteriorar pouco a pouco, de tal modo que quase não sentimos, acostumamo-nos, perdemos a consciência do real, reagimos como autómatos, sem consciência nem memória, quase que deixamos de sentir a transição do dia para a noite. Mais grave ainda: não distinguimos o dia da noite, o bem do mal, perdemos a qualidade de discernir e escolher, tornamo-nos medíocres ao ponto de aceitar tudo de igual forma, sem capacidade de avaliação e de procura da qualidade. Por vezes quase que temos vergonha de ser diferentes, porque a maioria faria de outra forma. São amiúde pequenos atos, algumas interrogações que nos alertam para o perigo de nos deixarmos arrastar pelas correntes dominantes, e é nesses momentos que ao contrário da rã, que se foi habituando à subida da temperatura da água, somos capazes de reagir com consciência e esforço e saltar fora da panela.

    A procura da qualidade para a nossa vida cria em cada um de nós uma constante preocupação de análise, reflexão e recusa da mediocridade, que nos torna mais fortes e autónomos, capazes de marcarmos a nossa diferença e saber escolher o nosso percurso.

    Tenho conhecido ao longo da minha vida muita gente capaz de saltar da panela, capazes de dizer que o rei vai nu, mas também com coragem para aplaudir a qualidade mesmo quando essas posições não são consideradas politicamente corretas.

    Com essas pessoas tenho aprendido muito e tenho--as sempre como exemplo, ter referências é muito importante, se a rã tivesse um termómetro tinha-se apercebido que o seu corpo não ia aguentar a água tão quente!

    Reconhecer a qualidade, apreciar pequenos gestos, faz toda a diferença e é bom termos coragem de o demonstrar, ficarmos felizes e incitarmos os outros a serem melhores.

    Em momentos de crise e desânimo pequenos gestos podem representar muito, uma rosa oferecida com carinho e reconhecimento enchem a alma de qualquer um e dão força para continuar. “A Voz de Ermesinde” agradece, obrigada…

    Por: Fernanda Lage

     

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