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    Arquivo: Edição de 30-05-2011

    SECÇÃO: Opinião


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    Votar é um imperativo patriótico

    Num estilo que nos é familiar, os políticos de todos os partidos têm estado envolvidos no que designam por campanhas eleitorais destinadas, dizem eles, a esclarecer os eleitores da bondade das propostas que implementarão se lhes for concedido o benefício do voto, recordando, permanentemente, que estas eleições legislativas são diferentes das anteriores (Sócrates diz que agora é a sério. As anteriores foram a brincar?), forma encontrada para incentivar os cidadãos a exercerem o seu dever/direito de votar no próximo dia 5 de junho, que bem poderá ficar a assinalar uma novidade no espetro governativo português, caso os resultados se traduzam por uma maioria relativa do PS e o Presidente da República mantenha a garantia dada aos Portugueses de que não repetirá a experiência falhada de dar posse a um governo que não disponha de maioria na Assembleia da República que assegure a sua estabilidade operativa.

    Porque falamos de campanhas eleitorais, é momento apropriado para abordarmos as fontes do seu financiamento, dizendo claramente que os dinheiros públicos não devem continuar a pagar autênticas festas e romarias partidárias, com jantaradas gratuitas asseguradas a todos quantos queiram passear, portugueses ou estrangeiros, e que não se importem de serem filmados como sendo militantes ou simpatizantes do partido em causa, em manifestações completamente desprovidas de quaisquer esclarecimentos que ajudem os eleitores indecisos a fazerem as suas opções. Naturalmente que, se as patuscadas fossem pagas sem recurso a dinheiros públicos obtidos pela via de subvenções provenientes dos impostos dos contribuintes, nada teríamos a opor, pelo contrário, aplaudiríamos a generosidade partidária. Mas como assim não é, os milhões de euros que se gastam inutilmente a pretexto de esclarecer os eleitores, terão melhor aplicação no reforço das disponibilidades da Segurança Social que, ao que parece, os políticos se apressam a descapitalizar para depois negarem a atribuição de pensões cujo direito os beneficiários adquiriram com contribuições pagas ao longo das suas carreiras profissionais. Imaginem que os descontos tinham sido para uma qualquer seguradora que agora recusava o pagamento das pensões com o argumento dos accionistas terem levado a companhia à falência. Num país onde a justiça funcionasse correriam sério risco de serem presos. Reeleitos é que de modo algum.

    Ao tratarmos desta matéria ocorre-nos uma dúvida: tendo a “Troika” sido tão analítica em outras tantas questões, de que é paradigmático a extinção de autarquias, o que a terá levado a não se preocupar com os gastos da máquina político-administrativa do Estado, sugerindo, por exemplo, a eliminação das subvenções aos partidos, redução do número de deputados, de autarcas, de assessores, de gestores públicos, e outros afins, que sorvem milhões e milhões de euros do erário público? Será que o regabofe nacional tem paralelo nas instâncias europeias? O exemplo (mau) dado pelos eurodeputados de recentemente aumentarem os seus vencimentos em plena crise dos países contribuintes é, de facto, indiciador de que assim seja.

    Voltando a eleições, os espanhóis acabam de dar uma “tareia” no PSOE nas eleições autonómicas e municipais a que não será estranho a situação económico-financeira dos nossos vizinhos, com taxas de desemprego que ultrapassam os 20% e ameaças de poderem de um momento para o outro verem-se, como nós, à beira da bancarrota, fruto de políticas suicidas de quem não se preocupa com os limites da capacidade de endividamento do Estado.

    Depois dos resultados verificados nas urnas dos nossos “hermanos”, é natural que os estrangeiros, que se dispuseram a ajudar-nos com os 78 mil milhões de euros emprestados a taxas de juro inferiores às do “mercado”, estejam numa compreensível expectativa quanto ao que ocorrerá no próximo dia 5 de junho, curiosidade que se aguçará quando ouvem e lêem os resultados das sondagens que entretanto se vão fazendo e reproduzindo. E, se raciocinarem como nós, terão razões para estarem baralhados e a interrogarem-se: será que os portugueses ainda não compreenderam o abismo para que foram empurrados, votando de forma a manter no governo os principais responsáveis da crise em que o país está mergulhado? Resta-nos esperar que os cerca de três milhões de indecisos, exercendo o seu dever de votar, digam ao mundo que os portugueses não são estúpidos nem esquizofrénicos e, a exemplo de outros, punam significativamente quem não correspondeu à confiança política que lhe foi concedida nas eleições legislativas de 2009. Valha-nos os sinais da última sondagem da Intercampus indiciando que o absurdo não se concretizará.

    Dizem os políticos que as eleições de 5 de junho são diferentes e especiais. E assim é. Com efeito, os portugueses são chamados a dizerem de forma clara se o medo que lhes tem sido instigado os limita no desejo de arrepiarem caminho, ou se teimam em continuar no mesmo atalho na esperança de que haja um qualquer milagre que contrarie o silogismo: as mesmas causas no mesmo ambiente com os mesmos autores, produzem sempre as mesmas consequências. Mudar é a esperança de algo vir a ser diferente nas vidas das pessoas. Não esqueçamos o aforismo que nos lembra que quem nasce torto nunca se endireitará.

    Compromissos obrigam--nos a escrever estas linhas antes da próxima 6ª feira, dia 27 de maio, razão pela qual não conhecemos os resultados da sondagem anunciada para esse dia. Confiamos, no entanto, que os eleitores perceberão o que Portugal precisa e não precisa a partir do dia 5 de junho: não precisa que José Sócrates continue como primeiro-ministro e nada ganhará se o novo governo for de apenas um único partido. Poderá, contudo, ter esperança que a qualidade da governação mude para melhor, caso o próximo executivo seja constituído por um grande partido que precise da colaboração de um mais pequeno que funcione como consciência nacional para as questões sociais e assegure a estabilidade governativa durante a legislatura. Países como a Alemanha funcionam neste modelo há muitos anos com o sucesso que se lhes conhece. Os inconvenientes de governos de maioria absoluta de um único partido já os portugueses experimentaram e ainda não esqueceram a arrogância, a prepotência e os tiques ditatoriais dos seus atores.

    Caros eleitores, o momento é de facto de grande responsabilidade para todos quantos desejem viver em democracia e não voltar a conhecer situações de generalizada pobreza. Votar é um imperativo patriótico. Votar para que as coisas mudem, é dever inalienável de todos quantos estejam descontentes e preocupados. Abster-se, votar em branco ou inutilizar o voto, é um suicídio que a consciência cívica não deixará de condenar.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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