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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 15-04-2011

    SECÇÃO: Gestão


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    Nós votamos em homens de negócios!...

    Nem de propósito: Vamos ter eleições outra vez. Passamos a vida em eleições!

    Todas estas negociatas não podiam dar bom resultado. Começando no Freeport e acabando nas PPP, o monstro foi tomando proporções cada vez maiores e somos chegados a um ponto, que se tornou incontrolável. Entretanto, mais uns quantos a encher os bolsos, à custa da República: A coisa pública.

    Mais uma vez se encontram envolvidos nos grandes negócios as empresas do sistema e os homens do mesmo sistema. O mais caricato é que não têm apenas a cobertura da classe política, em quem nós votamos, mas são os próprios políticos que se envolvem nestes jogos de interesses, onde rolam muitos milhares de milhões… e não sabemos da missa a metade, pois apenas vão aparecendo à luz do dia alguns escândalos políticos como os de Armando Vara, ou Paulo Penedos, ligados sempre a empresas monopólio, ou seja, onde a concorrência não existe, e se existe se organiza em cartéis, impondo ao pagode preços especulados que geram excedentes escandalosos, sempre aproveitados pelos mesmos.

    A verdade, às vezes tardia, revela-nos factos surpreendentes: jogadas de natureza política que entroncam em leis que favorecem claramente interesses subjectivos de pessoas particulares ou entidades privadas. E o que vem a lume é apenas o que se revela na comunicação social, falta saber o que se encontra oculto, no segredo dos deuses.

    A par destas traficâncias, está grande parte das vezes uma comunicação social que apresenta factos sensacionais e espectaculares, à volta de notícias menores, leia-se por exemplo o futebol ou histórias de vedetas, numa lógica de maior share, e os factos verdadeiramente importantes têm, por vezes, um lugar de rodapé, outras vezes interesse objectivo de ocultação deliberada, dados interesses subjectivos envolvidos.

    A justiça é outro grande buraco, onde rolam autênticas telenovelas sem fim à vista a propósito de realidades difusas, onde passado muito tempo aparece mais uma revelação bombástica muito bem aproveitada pela comunicação social, e que tem que ser notícia de abertura do noticiário, numa dança onde os bailarinos são sempre os mesmos.

    A banca e o poder financeiro participam activamente nestas peças, actuando sobre o poder político para aumentar e manter os seus privilégios, dando inclusivamente pareceres e indicações aos nossos governantes sobre a melhor forma de decidirem, naturalmente baseados em factos financeiros devidamente calculados e confirmados, quantas vezes apoiados pelo insuspeito Banco de Portugal, em detrimento dos fundamentos ideológicos ou da própria soberania nacional.

    É neste cenário que os nossos políticos se movimentam, umas vezes de mãos dadas com uns, outras vezes de mãos dadas com outros, até já vi na televisão políticos de mãos dadas com outros políticos árabes, isto fora os apertos de mão, verdadeiro símbolo da boa convivência política e económica (lembro os múltiplos apertos de mão dados ao agora ditador Coronel Kaddafi).

    Finalmente, temos a globalização, onde os acontecimentos têm uma envolvência supranacional, e as suas implicações ultrapassam facilmente as fronteiras nacionais, numa lógica de um único regime político: a Democracia, ou seja, o poder do Povo!... Há que pensar: que Democracia é esta? E aonde está o poder do povo? Para que serve o nosso voto?

    Cada vez mais o voto branco é mais útil, para denunciar estes políticos que por de trás dos seus discursos ocultam verdadeiros envolvimentos económicos e financeiros. É preciso moralizar a política, para nos libertarmos desta asfixia, que torna o dia a dia tão penoso, face a um polvo de interesses económicos e corporativos.

    Por: José Quintanilha

     

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