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Edição de 30-09-2019
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    Arquivo: Edição de 30-12-2010

    SECÇÃO: Saúde


    Segurança precisa-se...

    Em caso de emergência ligue 112! Este chiché publicitário não poderia ser mais feliz em resumir a atitude certa de um cidadão perante uma situação de emergência em saúde. Mesmo em caso de dúvida acerca de estar ou não perante uma situação do género, este imperativo continua a vigorar, pois as evidências dizem-nos que quando um cidadão tem dúvidas, até prova em contrário deve tratá-la como se efectivamente fosse.

    Caso presencie ou pense encontrar-se numa situação emergente, deve ligar rapidamente para o 112. Ao transmitir os dados que forem solicitados deverá tentar manter-se calmo e responder de forma clara ao que lhe é questionado. Tenha noção que o simples facto de responder ao que lhe é pedido já constitui uma ajuda essencial para que o meio de socorro mais adequado chegue rapidamente junto do doente.

    Portugal adoptou, e bem, por um modelo de assistência pré-hospitalar onde enfermeiros e médicos estão presentes. O futuro das sociedades evoluídas será a manutenção deste modelo continuando a deslocar profissionais de saúde aos locais onde são precisos. Temos assistido nos últimos anos a uma profunda reestruturação da rede de urgências, o que faz com que a necessidade de ter profissionais de saúde no pré-hospitalar tenha ainda mais sentido, apesar de também ser necessária uma reestruturação na distribuição do tipo e aumento do número de meios.

    Todas as situações com necessidade de intervenção diferenciada contam com enfermeiros altamente especializados na vertente da emergência pré-hospitalar, constituindo um recurso insubstituível e com provas dadas na eficácia e eficiência da actuação do INEM. Trabalhando em estreita articulação com outros profissionais, estes enfermeiros têm constituído o grande pilar de sustentação da emergência pré-hospitalar no nosso país e um foco incontornável do grande desenvolvimento que esta área teve em Portugal, ao nível da assistência no terreno, formação de profissionais e gestão de recursos.

    Citando algumas áreas específicas de intervenção prática destes enfermeiros destaco:

    • As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, designadas por VMER e que estão alocadas em hospitais, têm como função deslocar uma equipa, constituída por enfermeiro e médico ao local onde se encontra o doente

    • As Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), tripuladas por técnico de ambulância de emergência (TAE) e enfermeiro, onde este último lidera a equipa em articulação estreita com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Abordam e tratam qualquer situação de emergência, garantindo cuidados de saúde diferenciados;

    • O Serviço de Helicópteros de Emergência Clínica. Estão disponíveis cinco helicópteros em Portugal, dois deles no Norte. Um em Matosinhos e outro em Macedo de Cavaleiros. A equipa é constituída por médico e enfermeiro e actua na estabilização e transporte de doentes graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde adequada.

    • As Ambulâncias de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco, que prestam cuidados de emergência a prematuros e recém-nascidos em situação de risco e realiza o transporte deste para hospitais onde existam unidades de Neonatologia, são tripuladas por médico e enfermeiro.

    • Os Centros de Formação do INEM, onde os enfermeiros asseguram um papel fundamental como formadores de outros profissionais, preparando-os e avaliando-os para uma futura actuação enquanto intervenientes no Pré-Hospitalar.

    • As Delegações Regionais do INEM, onde os enfermeiros desempenham um papel menos visível mas de crucial importância na gestão de meios operacionais no terreno, avaliação de resultados e planificação de actividades, como a montagem de dispositivos de emergência médica em eventos sociais, políticos e desportivos e ainda a participação e organização de simulacros.

    • O CODU onde o papel dos enfermeiros sempre representou uma mais-valia em termos de qualidade assistencial e cujo afastamento destes pela anterior Direcção do INEM constituiu uma atitude das mais irreflectidas que tenho testemunhado a nível de gestão na Saúde.

    Todo o cidadão, perante uma emergência clínica, tem o direito a receber cuidados de saúde diferenciados, em que a presença de enfermeiros é uma garantia de segurança, qualidade e competência no socorro. O enfermeiro possui a formação académica e as competências técnicas e legais necessárias que lhe permite efectuar com segurança qualquer procedimento ou técnica essencial para lhe salvar a vida, não sendo necessário, no plano actual, potenciar politicamente a criação de novas profissões para esta área de intervenção.

    Por: Germano Couto (*)

    (*) Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

     

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