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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 10-10-2010

    SECÇÃO: Cultura


    Universidade Sénior de Ermesinde ruma a Mafra

    Por terras de Baltasar-Sete Sóis e Blimunda Sete-Luas

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Por proposta de Manuel Augusto Dias, regente da cadeira de História Contemporânea, os alunos da Universidade Sénior de Ermesinde foram convidados a deslocar-se a Mafra, a fim de aí aprofundarem os conhecimentos adquiridos sobre o estilo arquitectónico conhecido por Barroco, tema explorado durante algumas aulas desta disciplina no pretérito ano lectivo.

    A adesão foi estimulante. O dia aprazado para esta actividade foi 25 de Setembro. Era ainda lusco-fusco e já o autocarro da “Gondomarense” rumava a Mafra, com 40 pessoas a bordo.

    Se é certo que um dos objectivos da Universidade é proporcionar aos alunos momentos de salutar convívio, de cimentar amizades, de fortalecer laços de solidariedade e boa compreensão, de quebrar rotinas e ajudar a criar novos horizontes de vida para uma faixa importante da nossa população, há que reconhecer o papel importante que estas actividades desempenham para alcançar tais desideratos.

    Reina a boa disposição. Conversa-se animadamente. Recordam-se momentos das férias que passaram céleres!

    À medida que nos aproximamos do nosso destino, vai-se aguçando a curiosidade com algumas informações pontuais sobre aquele que é o mais conhecido dos edifícios barrocos portugueses: o Palácio Nacional de Mafra!

    Alguns dos participantes conheciam bem esta monumental construção, dado terem ali cumprido parte do seu serviço militar obrigatório na Escola Prática de Infantaria. Recordaram-se, assim, vários episódios ligados a algumas “lendas” que povoavam os sombrios e longos corredores, identificados com nomes de batalhas em que participou o Corpo Expedicionário Português durante a I Grande Guerra.

    Eram precisamente 11 horas e meia quando estacionámos junto ao Palácio.

    Encontrámos Mafra envolvida nas Festas de Nossa Senhora da Nazaré, que aqui se realizam de 17 em 17 anos!

    Porém, o nosso rumo era outro e, depois de regularizada a nossa situação junto da Recepção, demos, de imediato, início à visita, sob a orientação competente de Manuel Dias.

    Reinava entre nós D. João V...

    A exploração de minas de ouro no Brasil trouxe à Corte Portuguesa uma situação de grande desafogo económico, permitindo todas as liberalidades ao monarca português, que sempre aspirara ver a sua Corte assemelhar-se à do Rei-Sol, com Versailles no horizonte das suas ambições!

    Ainda hoje é nebuloso o motivo que terá levado o Magnânimo a decidir-se pela construção do Palácio/Convento de Mafra.

    Há quem adiante que o Rei, consumido com a falta de um herdeiro, dera ouvidos a Frei António de São José, que profetizara que o Monarca poderia ter os filhos que quisesse desde que mandasse construir um convento em Mafra para frades capuchinhos e o dedicasse a Santo António.

    Entendem outros que não fora nada questão de sucessão, mas sim devido a enfermidade prolongada do próprio Rei, que o levara a invocar a protecção divina, e que então fizera o voto de erguer em Mafra um convento, inicialmente previsto para 13 frades e depois sucessivamente aumentado para 40 e 80, mais tarde elevado para 200. Afinal, em 1729, D. João V resolveu ampliar a obra e alargou a comunidade religiosa para 300 frades e 150 noviços!

    Foi o próprio Monarca quem se deslocou a Mafra para escolher o local onde construir o convento e o palácio. Escolheu um lugar sobranceiro à vila, no Alto da Vela, a uma altitude de234 metros, com vistas até ao mar.

    Entre os vários projectos concorrentes, o Rei escolheu o de João Frederico Ludovice, arquitecto-ourives alemão e que, entretanto, se formara no atelier romano de Carlo Fontana.

    As obras iniciaram-se com grande pompa e circunstância no dia 17 de Novembro de 1719, com o lançamento da primeira pedra.

    Foi o próprio Ludovice quem se encarregou da direcção dos trabalhos, embora os principais executantes tenham sido os italianos Carlos Baptista Garvo e António Baptista Garvo – pai e filho – além de Manuel Antunes Feio.

    Para além destes, outros arquitectos e engenheiros deram o seu contributo na construção deste imponente monumento.

    UM ESTALEIRO

    DE MONUMENTAIS PROPORÇÕES!

    foto
    Nunca tal se vira em Portugal! Uma verdadeira legião de operários recrutados em todo o País trabalhou arduamente na edificação deste monumento. Em certos períodos, o pagamento de salários atingia os 9000 cruzados anuais.

    Entre 1729 e 1730, o número de operários atingiu os 30 000. O transporte de materiais chegou a implicar a utilização de 2 500 carros de bois no seu transporte diário.

    Das pedreiras de Pêro Pinheiro, de Terrugem, de Montelavar e de Mem Martins saíram os maravilhosos mármores que aqui, profusamente, encontramos, além de outros vindos de Itália.

    D. João V, ansioso por abreviar as obras, transformou o pequeno burgo mafrense numa verdadeira cidade, que ficou na memória das pessoas como a “ilha da Madeira”!

    Para além das muitas oficinas de vidreiros, ferreiros, latoeiros, carpinteiros e pintores, houve que instalar fornos de cal e tijolo que iam quase até Cascais.

    No resto do País, não se conseguia encontrar um balde de cal nem um carpinteiro!

    Além disto, havia numerosas casas de pasto, barracas de campanha para os soldados, uma ermida de madeira, oito enfermarias, boticas e cozinhas. Imagine-se a confusão!

    Todavia, só assim foi possível dar corpo ao grande sonho de D. João V: a 22 de Outubro de 1730 – dia do aniversário régio – celebrava-se a Sagração da Basílica, a que presidiu o Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida, com a presença da Família Real, Corte e representantes de todas as Ordens.

    A festa, que não podia nem devia deixar de ser grande, durou 8 dias!

    PEREGRINÁMOS PELO PALÁCIO NACIONAL

    COM SENTIDA EMOÇÃO!

    Tudo é esmagadoramente grande neste Palácio Nacional: aproximadamente, 40 000 metros quadrados de área, 232 metros de fachada principal, 29 pátios, 880 salas e quartos, 4 500 portas e janelas, 156 escadarias. O famoso carrilhão de 110 sinos, montado nas duas torres da Basílica e encomendado na Flandres, pesam 217 toneladas.

    E que dizer da majestosa biblioteca onde se guardam cerca de 40 000 volumes, alguns deles verdadeiras preciosidades bibliográficas, tais como a 1ª edição das Obras de Gil Vicente, a 2ª edição de “Os Lusíadas”, ou o Livro de Abraham Ortelius, a primeira obra com sequência lógica das cartas geográficas. Mas há mais preciosidades, como Os Livros das Horas iluminados do século XV e um notável acervo de partituras musicais de autores portugueses e estrangeiros.

    Uma curiosidade ecológica: para dizimar as traças e outros insectos nocivos que tanto mal poderiam fazer aos livros aqui existentes, uma colónia de diligentes morcegos, que escolheu este espaço para seu habitat, encarrega-se desta tão indesejável fauna!

    Para além de tudo isto, o Rei encomendou esculturas e pinturas a renomados artistas italianos e portugueses, que preenchem as paredes dos vastos e deslumbrantes salões. Respira-se magnificência por todos os lados!

    Sempre sob a atenta e competente orientação de Manuel Dias, percorremos corredores e salões que se tornaria enfadonho enumerar aqui.

    Foi uma jornada em cheio, completada ainda com a visita à aldeia do Sobreiro, para admirar e fazer vénia à obra genial de um grande artista que em vida se chamou José Franco.

    Quando cerca das 21 horas e 45 minutos chegámos de novo ao Instituto do Bom Pastor, todos vínhamos plenamente satisfeitos com esta viagem, que nos encheu os olhos de beleza e culturalmente muito nos enriqueceu.

    Por: Gabinete de Impresa da Universidade Sénior de Ermesinde

     

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