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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 10-10-2010

    SECÇÃO: Opinião


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    Angústia de uns, pavor de outros

    Os representantes dos dois maiores partidos do espectro nacional vivem dias de angústia e de pavor, uns ameaçando que não governarão sem novo orçamento, outros a reclamarem o óbvio: não a eventuais aumentos de impostos. Os socialistas todos os dias vêem a luz vermelha ao fundo do túnel e, procurando fugir às suas responsabilidades, entregando a condução do barco a outros, não se poupam em argumentos para lançarem para cima de terceiros culpas que só ao Governo cabem, uma das quais voltar a cometer o erro de governar em minoria.

    Com efeito, quando o ministro das Finanças jura a pés juntos que o défice no final deste ano não ultrapassará os 7,3%, a nata dos economistas torce o nariz, admitindo que, se a governação continuar a ser o que tem sido até ao momento, é bem natural que o défice se aproxime mais dos 9% do que dos 7%. E, com os socialistas a governarem sozinhos, não será de esperar coisa diferente, a avaliar pelo que se terá passado nos últimos meses.

    Perante tão preocupante quadro das finanças públicas, percebe-se duas coisas: o PSD não tem pressa de se alcandorar às poltronas do poder, enquanto o PS angustia-se perante a possibilidade de ter de entregar ou de partilhar o poder, sendo que qualquer uma das coisas não deixará de conduzir a novo pedido ao Banco de Portugal para, de forma isenta e responsável, apurar o verdadeiro défice, exercício que poderá colocar debaixo dos olhos dos portugueses a verdadeira dimensão do “buraco” orçamental, sendo que as dívidas contraídas, não levadas ao orçamento, certamente que serão muito maiores que as do tempo dos governos anteriores a 2005.

    Há dias o Presidente da República convocou os partidos para os ouvir sobre a situação política, económica e social, iniciativa que julgamos enquadrar-se no coro nacional que solicita a sua intervenção perante a iminência do orçamento para 2011 não ser aprovado. Ora, salvo o devido respeito pela iniciativa presidencial, não vemos que haja dúvidas quanto ao que os partidos pensam sobre as questões a debater. Todos eles, todos os dias, afirmam à comunicação social as suas posições sobre os diversos problemas nacionais para que seja preciso o PR gastar o seu tempo com estes “artistas” da política espectáculo, sabido que no momento de “lavar os cestos”, PS terá vindimado mais um orçamento e o PSD lavará as suas mãos da refrega.

    Neste contexto, as palavras de Cavaco Silva no discurso proferido nas comemorações do centenário do 5 de Outubro, facilmente são percebidas como endereçadas ao PSD. Mas, quanto a nós, menos ajustadas aos superiores interesses nacionais que as do deputado socialista António José Seguro, quando este se insurge contra novas medidas de austeridade impostas a alguns, e não a todos os portugueses, sem que delas, medidas de austeridade anunciadas, se vislumbre, a curto/médio/longo prazo, contrapartidas de recuperação da economia portuguesa e de retoma de melhores níveis de qualidade de vida para os mais uma vez sacrificados.

    Não ignorando estar fora da “onda”, entendo que entre dois males sempre se deve optar pelo menor. E, quanto a nós, o menor estará em fazer cair o governo na convicção de que, por mais que nos esforcemos e prolonguemos a expectativa, jamais má árvore dará bons frutos ou, como é dos livros, as mesmas causas produzirão sempre as mesmas consequências. E, no caso português, a causa é a má qualidade da governação que nos trouxe para este nó górdio em que os portugueses se encontram, arrastando inexoravelmente Portugal para a bancarrota.

    Não esqueçamos que num corpo doente, é sempre menos doloroso amputar um membro, do que assistir à lenta necrose de células e tecidos até à sua morte. A solução será, pois, substituir o actual governo (todo) por outro da iniciativa do PS, na esperança de que outra equipa, liberta de compromissos e de ideias feitas, seja capaz de proceder ao emagrecimento da máquina administrativa do Estado, cortando em estruturas e mordomias com profundidade, para que os sacrifícios, pela via de novos impostos, sejam menos injustos e mais atenuados.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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