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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-07-2010

    SECÇÃO: Cultura


    Matilde Rosa Araújo - o tesouro verde das palavras

    Um Amigo

    Esta noite deitei-me triste.

    Abri um livro, passei uma folha, outra folha.

    Quando cheguei ao fim tinha o coração cheio

    de folhas e de flores…

    Matilde Rosa Araújo.

    “O Cantar da Tila”, Horizonte

    foto
    Muitas e muitas vezes, dei por mim a pensar que há algumas pessoas, um número muito reduzido de pessoas, que são mesmo mesmo únicas. Insubstituíveis. Tivera eu poder e decretaria que essas pessoas ficariam vivas para sempre. Matilde Rosa Araújo era (como me dói este imperfeito…) uma dessas pessoas.

    Há uns anos atrás, tendo sido convidada a apresentar uma comunicação num Colóquio de Literatura Infanto-Juvenil que lhe foi dedicado, surgiu-me a expressão síntese: Matilde-Mulher-Múltipla.

    Sobre Matilde Rosa Araújo, escritora consagrada, detentora de prémios prestigiados, como o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, que lhe foi atribuído em 1980, “espécie de Mãe” da Literatura Infantil e Juvenil, dos seus livros de poesia singulares – “O Livro da Tila”, “O Cantar da Tila”, “A Guitarra da Boneca”, “Mistérios”, “As Fadas Verdes”, da prosa poética de “O Sol e o Menino dos Pés Frios” e de “O Palhaço Verde”, já muito se disse. O seu papel de educadora empenhada, de cidadã activa e interveniente, paladina da defesa dos direitos da criança, ligada à fundação do Comité Português da Unicef e do Instituto de Apoio à Criança, foi sublinhado por um coro de vozes que se ergueu há poucos dias atrás, quando nos deixou, no dia 6 deste mês de Julho, depois de ter habitado o planeta Terra durante 89 anos.

    Com o desaparecimento de Matilde perdi uma figura materna que me marcou, profunda e estruturalmente.

    Gostaria de ser capaz de dar um testemunho mais rico, mas a minha voz afoga-se.

    Para me sossegar, leio uma das suas canções de embalar e digo-me, que de algum modo, há pessoas que ficam vivas para sempre.

    Enquanto eu viver guardarei em mim a memória viva do seu afecto, do seu humor, do seu sorriso doce, da sua voz grave, do seu olhar profundo.

    E as suas palavras, as que nos deixou nos seus livros, far-me-ão companhia. Para sempre.

    Por: Maria Emília Traça

     

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