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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 10-07-2010

    SECÇÃO: Editorial


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    Já cheira a férias!

    Independentemente da escolha do chamado “gozo de férias” coincidir ou não com a época de Verão, é sem dúvida um período em que a ausência ou o excesso de pessoas em determinados lugares altera o normal funcionamento dos lugares, das terras, ou das cidades.

    A vulgarização do gozo de férias em Portugal é muito recente, iniciou-se nos anos 50 do século XX, mas só com o 25 de Abril este direito foi generalizado a todos os profissionais.

    Para um país com sol e longa costa marítima é natural que se associem férias ao bronzeado da pele. Em férias, ou não, o sol torna as pessoas mais alegres, frescas e coloridas. A vida não tem corrido de feição para os Portugueses mas o cheirinho a Verão está bem patente nas nossas ruas.

    “Ir a banhos” com fins terapêuticos é porém um hábito muito antigo que se generalizou no século XIX. A estação balnear era durante o mês de Agosto e Setembro. «Se a maioria dos banhistas afluía ao litoral nestes dois meses, nem todos o podiam fazer». (1)

    (…) Alberto Pimentel divide a população balnear da Foz do Douro dos anos 60 do século XIX em dois turnos, o primeiro que aí estancia é composto «por gente do Porto, famílias ricas, titulares, empregados públicos, etc.». O segundo turno que chega «só depois das colheitas, é o da gente de Cima-do-Douro, lavradores ricos, proprietários, pessoas abastadas, sem exclusão de gente menor, os feitores, os caseiros, os remediados e até os pobres». (1)

    As praias das imediações do Porto, entre elas a Foz, eram frequentadas por banhistas do Porto que saíam «… de madrugada, nos carroções, vinham tomar banho à Foz e regressavam a casa ainda antes do meio-dia, repetindo a façanha todas as manhãs, durante um mês!

    (…) Do Porto iam chegando banhistas e curiosos, que se faziam conduzir em carroção, em jumentos ou nos char-à-bancs da carreira». (2)

    «O banho de mar cuja moda não pára de crescer perde na “Belle Époque” o valor terapêutico. Já não é tanto uma prova de saúde, mas um prazer saboreado em juvenil alegria e no convívio dos dois sexos». (3)

    As áreas costeiras sofrem profundas alterações turísticas: hotéis, casinos, novos acessos, esplanadas e avenidas a que se associaram novos meios de transporte.

    Socialmente as praias também se demarcavam em função dos seus frequentadores, tal como hoje, embora se pense que não.

    Hoje temos uma cultura de lazer profundamente marcada, socialmente por uma vertente consumista, como em todos os sectores da vida humana, o que não impede uma outra realidade que é o direito ao lazer para todos.

    Cada um escolhe as suas férias em função da cultura, dos seus interesses pessoais e acima de tudo das suas posses. O direito ao descanso, às férias remuneradas, esse foi um grande avanço em termos de cultura social.

    (1) Alberto Pimentel, “Crónicas Portuenses”, citado por Luís Paulo Saldanha Martins em “Banhistas de Mar no Século XIX”.

    (2) A. De Magalhães Bastos, “A Foz Há 70 Anos”, 1939.

    (3) “História da Vida Privada”, Volume 4, Da Revolução à Grande Guerra.

    Por: Fernanda Lage

     

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