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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 15-05-2010

    SECÇÃO: Educação


    O DESAFIO DA VIDA (EDUCAÇÃO & SAÚDE)

    Já não sou miúdo! O desenvolvimento do adolescente

    O nosso desafio é esclarecê-lo e ajuda-lo a superar os obstáculos da vida para ser feliz. Somos uma equipa transdiscipliar e é para isso que existimos. Tem o nosso apoio em www.felicity.com.pt ou geral@felicity.com.pt

    Foto GAJATZ
    Foto GAJATZ
    A adolescência é o período de desenvolvimento que iremos abordar neste artigo. Período complexo e de transição, implica mudanças que vão desde a maturação sexual até ao pensamento abstracto e conquista da independência. È uma fase de profundas transformações, no corpo, na relação consigo próprio, com os outros e com o mundo.

    O intervalo de idade que em que se considera que se está na adolescência oscila entre os 10-13 e os 18-22 anos. Os marcadores a partir dos quais podemos identificar a entrada na adolescência são as alterações ao nível físico, cognitivo e sócio-emocional. Ao nível físico, o crescimento é mais rápido e significativo. Ocorre a puberdade, a fase da adolescência em que se desenvolvem os caracteres sexuais, e com isso a maturidade sexual, que normalmente ocorre primeiro nas raparigas. Estas alterações físicas vão aumentar o interesse pela imagem corporal.

    Ao nível cognitivo, as alterações são significativas. Desenvolve-se o pensamento abstracto e do raciocínio científico, e tornam-se capazes de pensamentos mais elaborados sem partir de algo concreto e de formularem hipóteses e trabalharem sobre elas. Os jovens estão a preparar-se para entrar no mundo adulto: começam a procurar a universidade ou o trabalho.

    As alterações sócio-emocionais são fulcrais. Uma das mais visíveis, e que pode levar a alguns conflitos no seio familiar é o egocentrismo adolescente em certas atitudes e comportamentos; mas, no geral, as relações com os pais são positivas. Os grupos de amigos assumem cada vez mais importância e começam a procurar passar cada vez mais tempo com eles. È também no grupo e no convívio que se desenvolve o auto-conceito e o adolescente procura aqui outras referências, para além das familiares.

    Estas alterações estão relacionadas com o tópico central do desenvolvimento sócio-emocional do adolescente: a formação da identidade. Esta forma-se quando o adolescente resolve três questões: a escolha de uma profissão ou de uma linha profissional de actuação; a adopção de valores próprios, que vai ter por base a referência familiar e educacional, mas também as próprias experiências; e o desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória, ou seja o aceitar a sua sexualidade em relação ao outro e a si próprio. A formação da identidade não é um período completamente pacífico, existem muitas fases a resolver, e é por essa razão que só fica formada no fim da adolescência.

    Por todas as alterações que ocorrem e por ser um período de resolução, onde se testam limites, a adolescência também pode ser um período de risco: o abuso de drogas de drogas e álcool, as doenças sexualmente transmissíveis, perturbações do comportamento, a gravidez precoce e perturbações do comportamento alimentar são alguns exemplos de problemas que podem ocorrer na adolescência. Vamos abordar brevemente duas destas problemáticas: as perturbações do comportamento e do comportamento alimentar.

    As Perturbações do Comportamento Alimentar são um conjunto de hábitos alimentares, práticas de controlo de peso, atitudes sobre a alimentação, o peso e o corpo, que são acompanhadas por instabilidade psicológica. Incluem a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa, e são mais comuns em raparigas (cerca de 90% dos casos). No entanto, também podem surgir em rapazes e em pessoas adultas, não sendo de desconsiderar a gravidade do problema.

    A Anorexia Nervosa é caracterizada pela auto-privação alimentar com recusa em manter um peso corporal normal mínimo. Há um medo intenso em ganhar peso e perturbação da percepção do tamanho e formas corporais, em que embora se tenha um peso normal ou abaixo do normal, visiona-se como tendo excesso de peso. Na presença desta perturbação, existe uma perda de peso significativa, com comportamentos obsessivos em relação à comida e ao exercício, ficando a pessoa cada vez mais magra, fragilizada e sujeita a graves complicações de saúde.

    Já a Bulimia Nervosa caracteriza-se pela ingestão compulsiva de quantidades exageradas de comida, seguindo-se de purgação, que pode ser feita através de laxantes, vómitos induzidos, jejum ou exercício físico excessivo. Muitas vezes, as pessoas com Bulimia Nervosa não atingem níveis de peso tão baixos como na Anorexia Nervosa, mas as constantes flutuações e os métodos purgantes são um sério risco para a saúde.

    Estas perturbações são graves e podem ameaçar a vida do adolescente, se deixadas sem tratamento. Existem sinais de alarme que nos podem alertar para a presença destas perturbações: uma preocupação excessiva ou mesmo obsessão com o peso; restrição alimentar, e comportamentos como esconder comida ou evitar refeições em conjunto; humor depressivo; isolamento social; e irritabilidade. Na presença destes comportamentos deve-se procurar o apoio psicológico ou médico (de Medicina Geral e Familiar ou um Psiquiatra).

    Já as Perturbações de Comportamento caracterizam-se por um padrão de comportamento persistente e repetitivo em que são violados os direitos básicos dos outros, regras importantes ou normas sociais próprias da idade do sujeito. Estes comportamentos dividem-se em quatro áreas: comportamento agressivo que ameaça ou causa sofrimento às outros; comportamentos não agressivos que causam prejuízo ou destruição na propriedade; falsificação ou roubo; e violações graves das normas. Considerados como adolescentes “difíceis”, a presença destes comportamentos é preocupante, e causa dificuldades nas relações familiares e na escola. Os sinais de alarme passam por reacções agressivas com os outros; o recorrer frequentemente a lutas físicas e ser fisicamente cruel com as pessoas; faltar às aulas; mentir frequentemente; e não cumprir as normas de casa, incluindo fugir de casa. Estas perturbações têm uma forte repercussão social e devem ser seguidas em apoio psicológico.

    Com este artigo terminamos a temática do desenvolvimento. No próximo artigo iremos debruçar-nos sobre problemáticas e procedimentos específicos.

    Por: Magda Lomba

     

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