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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 30-11-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Afinal, o que é a Dislexia?

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    A dislexia caracteriza-se por dificuldades na aprendizagem da leitura. Estas dificuldades apresentam-se ao nível da distinção ou memorização de letras ou grupo de letras e ao nível da ordenação, do ritmo e da estruturação das frases, o que afecta tanto a leitura como a escrita (Torres & Fernández, 2001).

    É importante desmistificar possíveis crenças que possam existir sobre a dislexia, pois esta pode apresentar-se em indivíduos com inteligência normal ou acima da média, sem problemas neurológicos ou físicos e sem problemas emocionais ou sociais.

    A dislexia pode ser adquirida ou desenvolvimental/evolutiva (Schrirmer, Fontoura & Nunes, 2004). A dislexia adquirida divide-se em vários tipos de dislexia: (a) as dislexias periféricas que incluem a dislexia por negligência, a dislexia da atenção, a de leitura letra-por-letra; (b) as dislexias centrais que abrangem a leitura não-semântica, a dislexia de superfície, a dislexia fonológica e a dislexia profunda. A dislexia de desenvolvimento divide-se em dislexia fonológica do desenvolvimento e a dislexia de superfície do desenvolvimento (Ellis, 2001). Para além destes tipos de dislexia, os investigadores Torres & Fernández referem ainda dois tipos distintos dos já referidos: um subtipo caracterizado por uma perturbação auditivo-fonológica e outro associado a problemas visuo-espaciais.

    Foto KRISTIAN SEKULIC
    Foto KRISTIAN SEKULIC
    Salienta-se a dislexia fonológica por ser um dos tipos de dislexia descoberto recentemente, e por isso menos conhecido, e mais difícil de detectar. Na dislexia fonológica há uma incapacidade de descodificação fonológica (dos sons da fala), dificuldades na representação da imagem sonora do grafema (em perceber a que som corresponde determinada letra) e consequentemente problemas para compreender o significado da palavra, dificuldades em tarefas de memória fonológica, baixa velocidade de leitura, mau desempenho na leitura de estímulos não familiares e pseudo-palavras (palavras não reais) (Torres & Fernández, 2001).

    As causas deste distúrbio podem ser por um lado neurológicas, e por outro associadas a factores cognitivos, tais como dificuldades perceptivas e de memória, dificuldades no processamento verbal e na codificação fonológica (Torres & Fernández, 2001).

    A avaliação da dislexia deve ser multidisciplinar, incluindo as áreas da neurologia, terapia da fala, psicologia e pedagogia (Deuschle & Cechella, 2009).

    É importante identificar a dislexia precocemente, pois o cérebro apresenta maior plasticidade em crianças pequenas e por isso quanto mais cedo se detecta, melhor será a evolução do tratamento (Deuschle & Cechella, 2009).

    A intervenção na dislexia deve incluir exercícios de treino (leitura e escrita), tais como estimulação da descoberta e utilização da lógica do pensamento na construção das palavras e textos na representação de fonemas, promoção de oportunidades para a escrita e leitura espontâneas, exploração das diversas funções da escrita (por exemplo com cartas e bilhetes) e estimulação da conversão grafema-fonema. Estes exercícios devem ser adaptados à faixa etária da criança, sendo que em crianças mais novas as actividades devem ser realizadas de forma lúdica, através de jogos, brincadeiras, leitura de histórias infantis, jogos com rimas, letras e desenhos (Schrirmer, Fontoura & Nunes, 2004).

    Tendo em conta que a dislexia pode trazer consequências psicológicas, nomeadamente no que diz respeito às competências sociais, é importante, se necessário, haver um treino destas competências, assim como um acompanhamento psicológico para o tratamento de perturbações psicológicas que possam estar associadas à dislexia, tais como ansiedade, baixa auto-estima, condutas típicas de etapas anteriores e perturbações psicossomáticas (problemas de sono, digestivos e alergias) (Schrirmer, Fontoura & Nunes, 2004; Batshaw, 1997). No entanto, nem sempre existem problemas psicológicos associados à dislexia e esta pode ser vivida de uma forma saudável.

    Os pais deverão valorizar as qualidades positivas do seu filho e ensinar a que ele próprio se valorize, promovendo assim a sua auto-estima. É importante encorajar o seu filho a estabelecer metas realistas no começo de qualquer actividade. Poderão marcar um período no dia (de cerca de quinze minutos) para a prática de leitura. O sentimento de auto-valorização e auto-confiança deve ser promovido, por exemplo através do ensino de novas actividades, através de passatempos, enriquecendo assim as experiências do seu filho. Salienta-se a importância do contacto regular entre os pais, os professores e os profissionais que acompanham a criança, de forma a todos terem informação do seu progresso.

    Por: Elisabete Pinto*

    *com Joana Pinto (Psicóloga)

     

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