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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 10-09-2009

    SECÇÃO: Opinião


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    Depois de férias, as eleições

    Passado o período de férias, os portugueses preparam-se para um novo ano de trabalho que, para milhares deles, infelizmente, será um ano de muita ansiedade e tristeza, intensa procura de oportunidades de encontrar onde possa fazer o que sabe: trabalhar. Com efeito, os indicadores de portugueses afectados pelo desemprego ultrapassam, já a barreira psicológica do meio milhão e, os entendidos na matéria não comprometidos com o poder, dizem que ainda não batemos no fundo nesta variável das condições sociológicas determinantes da qualidade de vida de quem moureja para conseguir o ganha-pão em actividade por conta de outrem.

    Excelente será que os sinais de retoma da economia se revelem consistentes, a marcha do desemprego inverta a tendência e os portugueses possam viver menos assustados que actualmente. Mas o último mês do terceiro e o primeiro do quarto trimestre do corrente ano de 2009 é rico em outras iniciativas. Seremos convidados a participar em dois actos eleitorais: as legislativas em Setembro e as autárquicas em Outubro. Quanto a quantidade não há razões para queixas e, relativamente a opções, também não escasseiam dentro dos limites do nosso município ou distrito, onde encontraremos, para além dos tradicionais candidatos partidários, listas integradoras de coligações e de independentes. Sendo o menu rico em opções, a dificuldade poderá residir na escolha dos protagonistas, especialmente quando nos deparamos com candidatos a quem não queremos confiar o nosso voto. E, neste particular, a coisa não será de fácil resolução, quer à dimensão autárquica, quer a nível nacional.

    As movimentações registadas nas listas para os órgãos das diversas autarquias do concelho de Valongo certamente que causarão sérias interrogaçes a muitos eleitores no momento de assinalarem nos boletins a sua preferência, sendo de admitir que, não raramente, por uma razão ou outra, a decisão não traduzirá o desejo de escolher quem gostará e menos ainda a convicção de que o beneficiário do voto venha a corresponder à confiança depositada.

    Será um dilema para quem se veja nesta incómoda situação.

    Relativamente às legislativas, a coisa não é menos ingrata, embora haja mais soluções para os cidadãos que se achem desiludidos com os partidos do chamado centrão, um e outro com provas dadas de como procedem quando alcançam o poder revestidos de maioria absoluta: exercem-no com tiques de puro e duro autoritarismo, onde a opinião das oposições nunca tem razão e os que se atrevem a contrariar a vontade do tiranete são imediatamente ostracizados.

    Face às dificuldades, os portugueses que sempre souberam encontrar caminhos alternativos para vencer as vicissitudes não será desta vez que irão fraquejar na procura de soluções adequadas ou menos gravosas para a defesa dos seus legítimos interesses. Nas autárquicas, certamente que privilegiarão a coerência e punirão os aproveitamentos circunstanciais, afastando os actores que buscam, pelo menos aparentemente, “poleiros” para realização de interesses pessoais, com total desprezo pelo bem comum. Já quanto às legislativas, não devemos hesitar em dar oportunidade aos partidos ditos pequenos, se entre os líderes dos maiores não encontrarmos diferenças que prognostiquem mudanças governativas capazes de resolver satisfatoriamente os problemas dos portugueses, tais como: mais economia, menos desemprego; melhor distribuição da riqueza nacional, menor fosso entre os muito ricos e os muito pobres; justiça mais célere, menos cara e igual para todos, sem privilégios para políticos e poderosos; ensino mais dirigido para as necessidades do país, com docentes motivados, gestão responsável das escolas e avaliações sérias de alunos e professores. Mas, mais importante que tudo,é assegurarmos com o nosso voto que das eleições de 27 de Setembro, não saia mais uma maioria absoluta. As que tivemos já chegou e sobrou para sabermos que elas não são a solução, mas a causa do problema nacional que nos traz agrilhoados à cauda dos povos europeus, mau grado a adesão à UE e os milhões que de lá têm vindo, parte substancial deles usados para destruir emprego na agricultura e pescas, com as inevitáveis consequências: mais desemprego, desertificação de largas áreas do país, agravamento da factura dos bens importados e perigoso agravamento do endividamento externo do Estado, expresso na decisão da Agência de Rating Fitch que acaba de rever em baixa o “Outlook” da dívida da República Portuguesa de longo prazo, de “estável” para “negativo”, aviso que deveria levar os políticos a pensarem seriamente quanto à (in)oportunidade de avançarem com os propalados mega projectos de obras públicas.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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