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Edição de 31-10-2022
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    Arquivo: Edição de 31-07-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Maus tratos e o Desenvolvimento Infantil (Identificando a problemática)

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    Foto MARZANNA SYNCERZ
    Foto MARZANNA SYNCERZ
    No artigo publicado na edição anterior, tivemos a oportunidade de compreender, muito sucintamente, esta problemática. Verificamos que de facto, a figura do professor é imprescindível para a identificação e protecção destas crianças. A qualidade da atenção com que se percepciona as características identificadoras de existência de maus tratos, contribui para uma mais eficaz intervenção em sala de aula e junto da família. O comportamento de um aluno vítima de maus tratos, em alguns casos, é facilmente confundido com o comportamento de um aluno com hiperactividade e impulsividade, défice de atenção, falta de regras/má educação, dificuldades de aprendizagem, entre outros comportamentos. Nestas circunstâncias, o sofrimento da criança prolonga-se no tempo por falta de compreensão, o rendimento escolar baixa e a motivação para participar nas actividades orientadas torna-se diminuta.

    Na opinião dos investigadores Papalia e Olds (2000), os principais sintomas em crianças vítimas de maus tratos poderão ser: ansiedade, pesadelos, medo, comportamento agressivo, comportamento agitado, problemas de aprendizagem (problemas escolares generalizados) e distúrbios emocionais. Sendo que estes variam de intensidade e são acompanhados de outros sintomas conforme a natureza do mau trato: negligência nas necessidades básicas, diferentes tipos de abuso e/ou violência doméstica.

    Na impossibilidade de aqui se poder abordar com pormenor todas as características e variáveis que o tema “maus tratos” encerra, vamo-nos debruçar especialmente sobre os comportamentos identificativos de crianças vítimas de violência doméstica.

    Um grupo de investigadores (Geffrer, Jaffe e Sudermann, 2000) levou a cabo um estudo com crianças expostas à violência doméstica. Estes encontraram um padrão de comportamentos nos quais se incluem: (a) afastamento dos outros e das actividades; (b) falta de interesse ou incapacidade de exprimir sentimentos sobre qualquer coisa; (c) preocupação excessiva sobre a segurança dos entes queridos (irmãos, mãe, outros); (d) dificuldade em escolher ou concluir uma actividade ou tarefa; (e) agitação física constante e/ou dificuldade em concentrar-se; (f) mal-estar físico (dor de cabeça, dor de barriga); (g) ansiedade com a separação (além do que seria normal); (h) dificuldade em dormir (medo de adormecer); (i) comportamento agressivo crescente e sentimentos de raiva (infligir maus tratos físicos a si própria ou aos outros); (j) preocupação constante sobre um possível perigo; (l) aparente perda de aptidões anteriormente adquiridas tanto a nível das rotinas como das aprendizagens.

    Os mesmos autores referem que é necessário ter algum cuidado quando identificamos alguns destes sintomas na criança, pois ela pode manifestá-los devido a outras causas que não passam pela violência doméstica. Assim sendo, o professor/educador deve procurar obter (subtilmente) informações através de outras pessoas directa ou indirectamente ligadas à criança. Considera-se que o problema é grave e de intervenção necessária quando: (1) a criança cria situações em que põe em risco a sua própria vida e a dos outros; (2) manifesta anormal incapacidade de adaptação nas actividades do dia-a-dia; (3) não respeita as regras básicas de adaptação e integração de diferentes contextos; (4) se estes comportamentos persistirem por mais de 3 a 6 semanas.

    As crianças expostas continuadamente à violência doméstica criam formas de justificar a própria violência, como por exemplo: “o álcool provoca a violência” “a vítima mereceu a agressão”, “a mim também me fazem o mesmo”. Tornam-se mais apáticas (distantes) e com tendência para fixar conceitos e aprendizagens negativas em vez de conceitos positivos. O isolamento e a insegurança a que são sujeitas, aumentam o risco de poderem vir a integrarem-se em grupos caracterizados pelos seus comportamentos desviantes.

    No sentido de sensibilizar os professores/educadores e outros membros da comunidade para a delicadeza e especificidade com que estes casos merecem ser tratados, continuaremos a abordar o tema na próxima edição deste Jornal.

    Desta vez, com a reflexão dos diferentes indicadores de sucesso que têm orientado alguns professores no trabalho desta problemática em sala de aula. Como pode o professor ajudar os seus alunos? Que técnicas orientam uma intervenção de sucesso em sala de aula?

    Por: Elisabete Pinto*

    *e Ana Paula Mata (psicóloga)

     

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