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Edição de 31-03-2020
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    Arquivo: Edição de 15-05-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Incluir na escola (2) - A Educação Inclusiva e a criação de espaços democráticos

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    No artigo anterior deixámos algumas questões sobre a capacidade da escola vencer barreiras socioculturais que se impõem e sobre a possibilidade de concebermos uma educação inclusiva. O percurso é afirmado, por alguns, como longo e difícil.

    Para incluir, a escola necessitaria, antes de qualquer outra acção, de reflectir sobre si própria, de se cuidar, de se pensar, para passar a ser uma escola organizada no sentido da defesa dos que se lhe entregam. A alterar há: (1) o currículo nos seus conteúdos e estatuto dentro da escola no sentido da diferenciação e da heterogeneidade; (2) a cultura organizacional no que toca à forma dos tempos e espaços e atitudes dos professores no sentido da flexibilidade; (3) o serviço de professores de educação regular para a promoção do sentido de pertença e do trabalho colaborativo; e (4) o serviço de educação especial no mesmo sentido.

    As diferenças entre a escola conhecida e a escola esperada, escola inclusiva, são várias e identificadas por vários autores como Correia (1999, 2003), Hegarty (1993), Booth (cit. Allan, 1999), Marchesi e Martin (1995), Barton e Corbet (1993), Bernard da Costa (1998), Thomas (1997), Leitão (1998), Rodrigues (1998), Ainscow (1997), Merch (1998), Skrit (1995). Elas situam-se ao nível: (1) dos modelos educativos e modelos adjacentes, o modelo social e o modelo clínico; (2) das atitudes e das práticas dos actores educativos; (3) do objecto de intervenção que se desloca do aluno para o currículo; (4) dos recursos e medidas adicionais; (5) da organização escolar; (6) da alteração de paradigmas; (7) da diferenciação curricular; (8) do reconhecimento e aproveitamento da diversidade em todos os âmbitos de aplicação do conceito de inclusão percebida como uma mais-valia; (9) da promoção da participação de todos; e, (10) da desarticulação dos mecanismos de exclusão.

    Foto TATIANA BELOVA
    Foto TATIANA BELOVA
    O que é imprescindível na escola pode ser equacionado em alguns pontos, charneiras que permitem sustentar o movimento da mudança. Eles são: (1) criar hábitos de trabalho colaborativo através de projectos que envolvam os estudantes na resolução de problemas que lhes são colocados como desafios; (2) criar metodologias de avaliação e graduação que não ponha os estudantes uns contra os outros, que reconheça o valor da cooperação e do respeito pelas diversas perspectivas e vários talentos; (3) contribuir para o desenvolvimento efectivo das competências intelectuais e interpessoais, para a tolerância e autonomia reduzindo a distância entre os estudos académicos e as situações reais da vida; (4) trazer para os currículos os procedimentos da “aprendizagem experiencial”; (5) encorajar a aprendizagem activa utilizando exercícios estruturados, discussões interessantes, projectos de equipa e critica entre pares; (6) individualizar o ensino no sentido do reconhecimento das diferenças, individualizando, por exemplo, a sequencialização e graduação dos programas, personalizando os sistemas de instrução, utilizando os contractos de aprendizagem nos quais os estudantes devem definir os seus próprios objectivos, determinar as actividades de aprendizagem e definir os critérios e métodos de avaliação; e, (7) ter altas expectativas para todos os estudantes e para a própria escola.

    Finalmente, pretende-se, no desenvolvimento de uma escola inclusiva, tornar menos preponderante a diferença de posições que existe valorizando os processos de escuta cedendo espaços a práticas e conhecimentos já existentes; percebendo a diferença como oportunidade para aprender; promovendo a reflexão dos agentes sobre as barreiras à participação de todos; dinamizando os recursos para apoiar a aprendizagem; fomentando o desenvolvimento de uma linguagem ligada à prática; promovendo a partilha do poder e criando condições no seio da escola para que esta seja capaz de se autonomizar enquanto instituição de forma a poder aceitar riscos (Ainscow et al., 2000). Deste modo, a educação inclusiva "opõe-se à utilização do poder de forma prepotente e autocrática" (César, 2003: 127), ou seja, a educação inclusiva prevê a criação de espaços educacionais regidos por orientações democráticas e que servem de cenário à aprendizagem de comportamentos democráticos, de cidadãos responsáveis e participativos na vida da sociedade.

    Por: Elisabete Pinto*

    *com Alcinda Almeida

     

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