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Edição de 31-03-2020
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    Arquivo: Edição de 15-05-2009

    SECÇÃO: Psicologia


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    A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL

    Transtorno de Personalidade Histriónica ou Histérica

    Este é um espaço de reflexão e diálogo sobre temas do domínio da Psicologia, que procurarei dinamizar com regularidade, trazendo para aqui os principais problemas do foro psicológico que afectam pessoas de todas as idades.

    Na qualidade de psicóloga estou disponível para os leitores de “A Voz de Ermesinde” me poderem colocar as questões que desejarem ver esclarecidas, através de carta para a redacção deste quinzenário ou para o seguinte “e-mail”: joanapatriciadias@sapo.pt

    O Transtorno de Personalidade Histérica (TPH) é uma desordem de personalidade, representada por pessoas dramáticas, exageradas, sedutoras, que tendem a chamar a atenção para si mesmas e a controlar as pessoas e as circunstâncias para conseguirem o que querem.

    A maior parte das pessoas deseja ter a admiração de outros, mas as pessoas com personalidade histriónica têm uma necessidade doentia e constante de atenção, refugiando-se quase sempre em comportamentos excessivos para atrair atenção para si, com frequente dependência de aprovação e elogios dos outros para se sentirem bem. Têm um comportamento colorido, dramático e extrovertido que se apresenta sempre exuberantemente. É um dos únicos distúrbios de personalidade mais frequentes no sexo feminino.

    Os histriónicos tendem a exagerar os seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não serem o centro das atenções ou quando não recebem elogios e aprovações. Frequentemente animados e dramáticos, tendem a chamar a atenção sobre si mesmos e podem, de início, encantar as pessoas com quem travam conhecimento pelo seu entusiasmo, aparente franqueza ou capacidade de sedução.

    A sua relação com o sexo oposto com frequência é caracterizada pela necessidade de sedução, sobretudo nas relações afectivas autênticas. Erotizam as suas relações sociais, mesmo as inapropriadas; eles têm sempre uma imensa vontade de seduzir.

    Pessoas histriónicas não conseguem viver sem atenção. Como são carentes, acreditam que só são felizes com as pessoas dando-lhes atenção a todo instante, e acham que outros lhes irão dar mais atenção apenas se agirem por caminhos extremos. Estes indivíduos têm profundos sentimentos de aborrecimento e tristeza, caso se sintam ignorados, excluídos, rejeitados ou abandonados e ficam mal humorados facilmente se percebem que as pessoas não reagiram positivamente às suas tentativas. Além disso, eles tendem a entreter as pessoas para que estas não notem os seus pontos fracos e acreditam que animando, divertindo ou ajudando as outras pessoas, apenas assim receberão atenção.

    Manifestam pronunciados traços de vaidade, egocentrismo, exibicionismo e dramaticidade. No afã de representarem um papel que lhes é negado pela vida ou pelas suas próprias limitações pessoais, os histriónicos fazem teatro para si e para todos os demais, a sua grande plateia. Pode haver fases em que eles já não sabem onde termina a realidade e começa a fantasia, passando a acreditar nos seus próprios mitos e nas suas próprias encenações.

    Às vezes, devido à sua excepcional teatralidade, esta tendência em polarizar as atenções é perfeitamente dissimulada sob o papel de coitadinho(a), ou de um retraimento social tão lamentável que é capaz de chamar mais a atenção que uma participação mais normal. As mães com esta personalidade podem idealizar manobras que objectivam fazer com que os seus filhos se compadeçam do seu estado "lastimável" e provocar arrependimentos vários. São pessoas que estão sempre a queixar-se de incompreensão mas jamais tentam compreender os outros ou entender que os outros não têm obrigação de compreendê-los.

    Estas pessoas glorificam a doença, as queixas somáticas e atribuem todos os eventuais fracassos ou limitações a eventuais transtornos orgânicos. A somatização, dissociação e repressão são os mecanismos de defesa mais intensamente utilizados por eles.

    Duma forma geral, a personalidade histriónica tem uma grande imaturidade emocional. As pessoas crescem fisicamente, mas por algum motivo, deixam de crescer emocionalmente e estacionam nessa imaturidade, como se emocionalmente fossem eternas crianças. Contudo, diferente da imaturidade emocional causada por uma "superprotecção" que pode ser revertida, nos transtornos de personalidade onde essa característica imatura está presente (histriónica, borderline, narcisista e anti-social), é muito difícil de ser amadurecida, exactamente porque os traços e modo de viver destas pessoas são muito inflexíveis e desajustados, causando evidentes prejuízos e caracterizando, assim, um distúrbio de personalidade. Estes indivíduos podem chegar aos 15, 20, 30 anos e, mesmo assim, continuam imaturos afectivamente. As características mais evidentes de imaturidade emocional encontrada em histriónicos podem ser a impaciência e imediatismo, a inconstância, a instabilidade emocional, atitudes infantis, impulsividade, baixa tolerância à rotina e monotonia, deixar-se levar facilmente pelas emoções e intuição, vaidade, ciúmes em excesso, necessidade constante de atenção apenas para si, hedonismo, egocentrismo e egoísmo, dramatismo, intolerância às frustrações e decepções, devaneios românticos, relacionamentos superficiais, hipersensíveis – sentem-se facilmente feridos emocionalmente, fazem manipulações para conseguirem o que querem, têm tendência a acreditar que todos querem o seu mal, não conseguem ficar sós, sem atenção e são pessoas com emoções à flor da pele, frequentemente desencadeando, por coisas de pouca importância, grande exagero ao expô-las (emotividade excessiva: acessos de euforia ou riso, chorar demais e facilmente, crises de mau humor bem como ataques de raiva ou irritabilidade).

    O Transtorno da Personalidade Histriónica proporciona um alto grau de sugestionabilidade. As suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Há uma certa perda da inibição social nestas pessoas. Isso faz com que, muitas vezes, considerem os relacionamentos mais íntimos do que são de facto, dirigindo-se, praticamente, a qualquer pessoa recém conhecida como "meu querido, meu amigo"!.

    Uma das marcas mais características das pessoas com Transtorno da Personalidade Histriónica é tentar controlar as pessoas através da manipulação emocional ou sedução. Por causa disso eles tendem a afastar os amigos com as suas exigências de constante atenção.

    Estes indivíduos em geral manifestam intolerância ou frustração por situações que envolvem um adiamento da gratificação, sendo que as suas acções frequentemente são voltadas para a obtenção de satisfação imediata, ou seja, têm extrema dificuldade em esperar ou contemporizar situações.

    Por: Joana Dias

     

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