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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-04-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Incluir na escola (1)

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    Se olharmos em redor, no rolar da contemporaneidade, a movimentação intra e inter sociedades tem sido uma constante no sentido do encontro da liberdade de pensamento, expressão e realização que permitam, simultaneamente, a plena realização do indivíduo, enquanto ser único, e a máxima participação de cada um para o evoluir dos grupos sociais.

    Por outro lado, os processos de globalização, facilitados pela evolução tecnológica, inundam os continentes, favorecendo a diversidade das interacções entre membros de sociedades diferenciadas. Os conceitos de cidadania parecem, sequencialmente, convergir na experimentação de opiniões construídas na multiplicidade de vozes ouvidas/faladas. Cresce, assim, a cidadania a que Stoer e Magalhães chamam de "reclamada" (2003: 22), em que cada cidadão assume o discurso da diferença, caracterizado pela heterogeneidade e pluralidade. É este discurso que constitui a "medula" unificadora, veiculada pela livre participação de cada cidadão na vida de todos os outros.

    Pensando na sociedade do futuro, obrigamo-nos a questionar o papel da escola: (1) será que a escola tem acompanhado este movimento?; (2) será que é ela própria um espaço de incremento da liberdade, um espaço respeitador das diferenças?; (3) que consciência revelam os educadores da necessidade de assunção de atitudes mais inclusivas?; (4) e, como é que essas atitudes se reflecte nas práticas educativas?; (5) será a escola um espaço de participação activa e aberta que permita a criação de espíritos ricos de cidadãos que reclamam?; (6) serão proporcionadas oportunidades de acesso às vozes diversas para serem faladas e ouvidas?

    As respostas têm-se-nos apresentado positivas ao longo dos tempos, num crescendo, no sentido da evolução tal como no-lo apresenta Bunch (1997), já que a passagem de uma "cidadania atribuída" (Stoer e Magalhães, 2003: 22) para a "cidadania reclamada" (idem) é considerada por vários autores fruto do trabalho da escola e da sua influência enquanto instituição social ou enquanto "ascensor social", como a designam Dubet e Duru-Bellat (citados por Barroso, 2003).

    Foto KRISTIAN SEKULIC
    Foto KRISTIAN SEKULIC
    Parece, no entanto, neste momento, existir uma discrepância entre a "cidadania reclamada" e a defesa dos direitos da escola enquanto representante dos cidadãos que lhe dão "razão de ser". Tudo indica que a escola se deverá assumir também como reclamada (Stoer e Magalhães, 2003), "garantindo o respeito pelo princípio da igualdade de oportunidades, contribuindo para o aprofundamento da democracia" (Correia, 2003:45) para que lhe seja possível defender efectivamente o cidadão com estatuto de aluno.

    Neste contexto Sarmento defende a criação de uma política específica, a política "integrada para a infância" (2003: 80), no sentido de serem criadas infra-estruturas legislativas, derivadas da "compreensão da política educativa e da acção pedagógica nas escolas como componentes da política social" (Sarmento, 2003: 80), envolvendo políticas europeias e comunitárias, nacionais e municipais, para a dinamização e promoção da inclusão.

    O conceito de inclusão emerge do conceito de exclusão, que parece ser inerente à raça humana, tal como o medo do desconhecido e da diferença (Bunch, 1997). Assim, se exclusão se refere a contextos sociais, o mesmo acontece com a inclusão, e, se a primeira é percebida como um mal, a inclusão, porque se coloca no outro extremo de uma mesma linha de acções, é um bem do qual todos podemos usufruir se soubermos conquistá-lo.

    Esta conquista passa obrigatoriamente, também, pelo espaço de socialização privilegiado da escola. Aqui será necessário ter em conta os "hábitos" de exclusão promovidos por atitudes, que deram origem a culturas diversas de escola enraizados (Nóvoa, 1991; Bunch, 1997; Rodrigues, 2003; Roldão, 2003; Barroso, 2003). Para este "estado de coisas" contribuem vários elementos facilitadores como os que são identificados por diversos autores (Hegarty, ; Ainscow, 1999; Rodrigues, 2003; Cortesão, 2003; Roldão, 2003; Correia, 2003; Barroso, 2003), como a uniformização, a homogeneidade, a permanência dos modelos de organização pedagógica, as atitudes dos professores, as políticas de escola e as suas culturas instituídas.

    Para incluir, a escola necessitaria, antes de qualquer outra acção, de reflectir sobre si própria, de se cuidar, de se pensar, para passar a ser uma escola organizada no sentido da defesa dos que se lhe entregam. A alterar há: (1) o currículo nos seus conteúdos e estatuto dentro da escola no sentido da diferenciação e da heterogeneidade; (2) a cultura organizacional no que toca à forma dos tempos e espaços e atitudes dos professores no sentido da flexibilidade; (3) o serviço de professores de educação regular para a promoção do sentido de pertença e do trabalho colaborativo; e (4) o serviço de educação especial no mesmo sentido.

    Por: Elisabete Pinto*

    * e Alcinda Almeida

     

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