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    Arquivo: Edição de 15-03-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Bullying

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    BULLYING” é um fenómeno que se manifesta entre os alunos, em qualquer parte do mundo, e que significa «violência entre pares» (Villacorta A., 2007) intencional e prejudicial e cujos intervenientes são jovens alunos. Trata-se de episódios que se podem repetir por semanas, meses ou até anos. Geralmente os agressores ou bullies cometem abusos de poder e tentam dominar e intimidar o grupo a que pertencem e a vítima a quem dirigem a agressão.

    A constatação deste fenómeno em contexto escolar levanta continuamente questões sobre a forma mais pertinente de contornar preventivamente situações destas. É certo que à escola cabe a responsabilidade por criar oportunidades aos seus alunos de estabelecerem e amadurecerem as suas relações interpessoais, necessárias à satisfação de certas exigências sociais, mas não é singular neste processo, cabe também aos pais a edificação de valores como a solidariedade, a tolerância, a amizade, etc. (Vinuesa C., 2005). Os comportamentos violentos, quer sejam esporádicos ou continuados, resultam de uma educação falhada quanto à aquisição de competências para a vivência em grupo. Esta lacuna na formação da identidade na adolescência poderá ser irrecuperável para o resto da vida, se não for pertinentemente tratada.

    Por vezes, o suicídio é opção de alguns adolescentes para pôr termo aos maus-tratos. Esta incapacidade de resolução do problema resulta da incapacidade de o tratar adequada e atempadamente, chegando ao extremo de se convencerem que o dia-a-dia é infernal e de que o melhor é a paz eterna (Beleza M., 2006). A violência mental e física continuada e intensa, produz uma redução na auto-estima da vítima e atribui-lhe características que passam pelo isolamento, pânico, rejeição à escola, comportamento agressivo para com outros colegas, consecutivos terrores nocturnos anormais, aparece constantemente com marcas de violência no corpo e com a roupa rasgada, etc. (Saiz E., 2007). Já o agressor comporta traços de personalidade muito mais vincados e desviantes no que diz respeito às emoções e à consciência, a elevada auto-estima que tem deve-se à subordinação dos elementos do seu grupo para com ele, isto porque, na verdade, ele aparenta ser mais do que aquilo que é, para além de não ser capaz de cumprir regras ou normas e de delinear o bem e o mal / o certo e o errado. Em suma, o bullie não é capaz de perceber onde termina a liberdade dele e começa a do outro.

    Tal como refere Villacorta A. (2007), os professores não sabem como lidar com casos destes, optando muitas vezes pela indiferença face aos sinais da sua existência, assumindo o papel de espectadores passivos. Na verdade não existe legislação nem técnicos especializados, neste âmbito, capazes de lançar directrizes orientadoras à intervenção preventiva por parte dos docentes. Contudo, a coragem de usar a denuncia como contributo, não precisava sequer de ser lembrada, devia ser instintiva e imediata, de forma a minimizar o sofrimento do lesado. O professor sabe que o sucesso ou fracasso do ensino depende dos interesses e motivações pessoais que o aluno transporta para a aprendizagem. Grande parte destes motivos e interesses não são despertados pelos conteúdos programáticos das disciplinas, mas sim, pelo ambiente psicossocial em que os indivíduos se inserem, pela relação que têm com eles próprios e pela vontade e ou capacidade que manifestam para adquirirem conhecimentos académicos. O contorno destes e outros factores poderá ser promovido através de actividades sugeridas de forma pertinente e natural pelos professores, com o intuito de recolher informações importantes à fundamentação de uma caracterização de grupo e de cada um dos seus elementos. E é a partir deste momento que a intervenção preventiva, organizada e específica se processa, e os trágicos fechos protagonizados por alguns adolescentes se evitam.

    Quer os pais, quer os professores que se vêm nesta situação, devem recorrer ao apoio de psicólogos para melhor definirem as estratégias de intervenção sobre a criança violentada, sobre a criança agressora, sobre os contextos familiares de ambas e sobre o contexto escola onde estas se encontram diariamente.

    Por: Elisabete Pinto

     

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