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    Arquivo: Edição de 28-02-2009

    SECÇÃO: Editorial


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    O cair das máscaras

    Sem pôr em causa o valor simbólico, a força espiritual, a protecção física e psicológica da máscara, diria que nestes últimos tempos, mesmo antes do fim das folias carnavalescas, assistimos ao cair de muitas máscaras.

    Confesso que tenho uma grande atracção por máscaras, mas máscaras físicas, pelo seu poder de transfiguração, pela criatividade, pela estética, pela força que transmitem, sejam elas usadas em actos religiosos, no teatro, na dança, na simples transfiguração de uma personagem, é algo de mágico que me encanta.

    Mas há outras máscaras, atrás das quais muitas pessoas se escondem, não por motivos simbólicos, mas para nos iludirem, e dessas têm caído muitas, mesmo antes do fim do Carnaval ou Entrudo, conforme o lugar, o tempo e a hierarquia.

    Festa associada à liberdade, onde quase tudo é permitido (“No Carnaval ninguém leva a mal”), parece que não é bem assim… depende do tempo, da cultura e do local.

    Na verdade a tradição popular sempre usou as máscaras, para parodiar, satirizar ridicularizar, virando tudo do avesso, desde as mulheres que se vestem de homens e os homens de mulheres.

    Festa universal, sempre se adaptou ao tempo e aos povos, em Portugal existiam duas tradições para os festejos carnavalescos – a rural, mais conhecida por Entrudo, e a urbana – onde o termo Carnaval era mais usada.

    E como não podia deixar de ser, fomos nós que introduzimos o Carnaval no Brasil.

    Cada terra tinha o seu Entrudo, mas havia alguns pontos comuns: realização de grandes comezainas, grupos de mascarados e cortejos pelas ruas, cantando, dançando, fazendo barulho e assustando as pessoas, brincadeiras de todo o tipo, em que se lançava farinha, água, confeitos, e os jovens se enfarruscavam. Sempre ofensivo e avinhado, em especial na realização das cacadas, paneladas e ditos do “Botelho”, constituídos por sátiras à sociedade.

    Na Benespera os figurantes faziam-se acompanhar de burros e cumpriam o ritual entrando nas tascas para beber e lançavam bombas de Carnaval, quantas vezes de foguetes que ficavam por rebentar nas festas de Janeiro.

    Lazarim, Vinhais e Podence são três terras de Trás-os--Montes onde o Entrudo é festejado com todo o ritual local, desde o desfile dos caretos às brincadeiras das chocalhadas, aos testamentos das comadres e dos compadres e à riqueza das máscaras feitas manualmente.

    Na tradição urbana Lisboa e Porto iniciaram o seu aparecimento em lugares públicos, no século XIX, do Carnaval “civilizado”. Os cortejos desregrados dos foliões foram sendo substituídos por carruagens profundamente ornamentadas que passavam pelas principais avenidas, atirando confeitos, papelinhos e flores.

    O Carnaval moderno é produto da sociedade vitoriana do século XIX.

    A burguesia reorganizou-o e estruturou-o de forma e de acordo com os princípios vigentes da Modernidade.

    Em Lisboa o primeiro desfile dentro destes novos padrões foi organizado pela Casa da Imprensa em 1903.

    No Porto foram os comerciantes e industriais que se associaram no clube dos Fenianos e saíram para a rua em 1904. Paralelamente continuaram a organizar bailes de máscaras.

    Hoje o Carnaval generalizou-se e são muitas as terras que organizam os seus cortejos, adaptados ao tempo e às circunstâncias....

    Na Guarda realizou-se este ano mais um Julgamento e Morte do Galo do Entrudo, que contou com a participação de 300 figurantes de diferentes grupos de várias freguesias onde a cultura popular tem vindo a ser muito bem tratada e desenvolvida. Aqui o fenómeno é diferente, são os intelectuais artistas, músicos e actores que dão a volta ao texto de forma criativa e de grande respeito pela tradição, outros tempos….

    Por: Fernanda Lage

     

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