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    Arquivo: Edição de 31-12-2008

    SECÇÃO: Psicologia


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    A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL

    Assassinos em série

    Este é um espaço de reflexão e diálogo sobre temas do domínio da Psicologia, que procurarei dinamizar com regularidade, trazendo para aqui os principais problemas do foro psicológico que afectam pessoas de todas as idades.

    Na qualidade de psicóloga estou disponível para os leitores de “A Voz de Ermesinde” me poderem colocar as questões que desejarem ver esclarecidas, através de carta para a redacção deste quinzenário ou para o seguinte “e-mail”: joanapatriciadias@sapo.pt

    Jack, o estripador. O Assassino do Zodíaco. John Wayne Gacy. Os nomes e pseudónimos destes assassinos estão gravados no nosso consciente colectivo, graças à cobertura em massa dos jornais, livros, filmes e documentários de TV.

    Este tipo de assassino não “enlouquece” simplesmente um dia e mata uma multidão. Ele não mata por ganância ou por ciúme. Mas, então, o que é que faz uma pessoa não só matar, mas matar várias pessoas em períodos alternados de dias, semanas, anos? Existe um nome especial para este tipo de assassino: serial killers (assassinos em série).

    O termo “serial killer” foi criado em meados da década de 70 por Robert Ressler, ex-director do Programa de Prisão de Criminosos Violentos do FBI. Ele escolheu "serial" porque a polícia na Inglaterra chamava a este tipo de assassinato "crimes em série”. Antes disso, estes crimes eram às vezes conhecidos como assassinatos em massa ou crimes em que um estranho mata outro estranho.

    Um assassino em série é um tipo de criminoso de perfil psicopatológico que comete crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um “modus operandi” e às vezes deixando a sua “assinatura”, como por exemplo colecta da pele das vítimas - no caso de Ed Gein. Curiosamente, os Estados Unidos, com menos de 5% da população mundial, produziram 84% de todos os casos conhecidos de “serial killers” desde 1980.

    Muitos dos que foram capturados pareciam cidadãos respeitados – atraentes, bem sucedidos, membros activos da comunidade – até que os seus crimes foram descobertos. Geralmente, os “serial killers” demonstram três comportamentos durante a infância, conhecidos como a tríade MacDonald: urinam na cama, provocam incêndios e são cruéis para com animais. Os “serial killers”, diferem dos outros assassinos, pois preferem matar com as mãos ou através de outros métodos que não as armas de fogo.

    Poderia definir-se um assassino em série como um homicida que cometeu uma série de dois ou mais assassinatos como eventos separados, normalmente, mas nem sempre, cometidos por um infractor que actua isolado. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia desde horas até anos. Quase sempre o motivo é psicológico, e o comportamento do infractor e a evidência física observada nas cenas dos crimes reflectiram nuances sádicas e sexuais.

    O FBI define um “serial killer” como uma pessoa que mata três ou mais vítimas, com períodos de “calmaria” entre os assassinatos. Isto distingue-os dos assassinos em massa, que matam quatro pessoas ou mais ao mesmo tempo (ou em um curto período de tempo) no mesmo local, e dos assassinos turbulentos, que matam em vários locais e em curtos períodos de tempo, Os “serial killers” geralmente trabalham sozinhos, matam estranhos, e matam por matar (diferentemente dos crimes passionais).

    Estudos na área de assassinatos em série resultaram em duas formas de classificar os “serial killers”: uma baseada no motivo e outra baseada nos padrões organizacionais e sociais. O método do motivo é chamado de tipologia de Holmes, por causa de Ronald M. e Stephen T. Holmes, autores de vários livros sobre assassinatos em série e crimes violentos. Nem todos os “serial killers” se encaixam numa só tipologia e muitos apresentam características de mais de um tipo. Nenhuma destas classificações explica o que, na realidade, pode levar uma pessoa a tornar-se um “serial killer”. Também não há dados científicos suficientes sobre os quais basear estas classificações - são baseadas em dados de observação casual ou em entrevistas. Os críticos da tipologia de Holmes apontam isto como uma falha, mas muitos investigadores ainda acham este método útil ao estudar assassinatos em série.

    Segundo a tipologia de Holmes, os “serial killers” podem se concentrar no acto (aqueles que matam rápido), ou no processo (aqueles que matam vagarosamente). Para os assassinos que se concentram no acto, matar nada mais é do que o acto em si. Neste grupo há dois tipos diferentes: os visionários e os missionários. O visionário mata porque escuta vozes ou tem visões que o levam a fazer isso. O missionário mata porque acredita que deve acabar com um determinado grupo de pessoas.

    Os “serial killers” também podem ser classificados pelas suas habilidades organizacionais e sociais. Podem ser organizados ou desorganizados (dependendo do tipo de cena do crime) e não-sociais ou anti-sociais (dependendo de se são excluídos pela sociedade ou se excluem dela).

    Um dos aspectos mais estudados dos assassinatos em série é o “porquê?”. Várias teorias foram anunciadas como explicações em potencial. Mas “esclarecer” como um “serial killer” é criado é como resolver um cubo mágico.

    Segundo um estudo recente do FBI, houve aproximadamente 400 “serial killers” nos Estados Unidos no último século, com cerca de 2.526 a 3.860 vítimas [fonte: Hickey]. No entanto, não há como saber quantos “serial killers” estão realmente activos num dado momento - especialistas sugerem números entre 50 e 300, mas não há como ter a certeza.

    Parece, também, que os assassinatos em série aumentaram nos últimos 30 anos. Oitenta por cento dos 400 assassinos em série do último século surgiram desde 1950 [fonte: Vronsky]. Por que isso aconteceu é uma pergunta em debate; não há resposta, da mesma maneira que não há uma resposta simples sobre porque algumas pessoas se tornam “serial killers”.

    Por: Joana Dias

     

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