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    Arquivo: Edição de 30-12-2007

    SECÇÃO: Psicologia


    A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL

    Caminho para o desconhecido... Anorexia. E agora?

    Este é um espaço de reflexão e diálogo sobre temas do domínio da Psicologia, que procurarei dinamizar com regularidade, trazendo para aqui os principais problemas do foro psicológico que afectam pessoas de todas as idades. Na qualidade de psicóloga estou disponível para os leitores de “A Voz de Ermesinde” me poderem colocar as questões que desejarem ver esclarecidas, através de carta para a redacção deste quinzenário ou para o seguinte “e-mail”: joanapatriciadias@sapo.pt

    Todos nós comemos, não só porque se trata de uma necessidade vital, mas também porque nos dá prazer. No entanto, o modo como nos alimentamos varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas chegam ao extremo de restringirem a sua alimentação de forma abusiva, chegando mesmo a prejudicarem-se a elas próprias. Nesse caso, pode dizer-se que estamos perante uma perturbação do comportamento alimentar, das quais faz parte a anorexia.

    A anorexia nervosa é considerada uma doença do foro psicológico que afecta cada vez mais jovens, sendo mais frequente nas raparigas.

    Manifesta-se por uma rejeição alimentar persistente, medo de engordar, perca excessiva de peso conseguida através de uma dieta restritiva, prática excessiva de exercício físico, e períodos menstruais irregulares ou mesmo inexistentes.

    Muitas vezes, a anorexia tem início nas vulgares dietas que as adolescentes fazem. Estudos revelam que cerca de 1/3 das anorécticas tinham peso a mais antes de iniciar a dieta. No entanto, apesar das dietas comuns terminarem quando o peso ideal é alcançado, na anorexia a dieta e perca de peso subsistem até que a pessoa atinge níveis de peso muito inferiores aos esperados para a sua idade.

    Muitas anorécticas pertencem a famílias rígidas, fechadas sobre si próprias, e por vezes mantêm um relacionamento patológico com a mãe. Normalmente são pessoas dependentes, mas actuam de forma contraditória, sendo extremamente carentes de afecto, com grande tendência para o perfeccionismo intelectual. A tentativa de controlo do corpo surge como uma forma inconsciente de compensação de um sentimento generalizado de incapacidade, dependência, dificuldades de autonomia e capacidade.

    Alguns estudiosos consideram a anorexia como uma doença somática, na medida em que surge como uma disfunção ao nível do hipotálamo, estrutura que comanda os estímulos da fome, sede e amadurecimento sexual.

    Há investigações que indicam que estas doentes são geralmente mal amadas, pelo que compensam este mal-estar psíquico através da recusa alimentar. Casos mais graves podem levar à morte por anorexia mental, devido a complicações que vão surgindo com o desenvolvimento da doença.

    A anorexia é mais frequente na adolescência, podendo, no entanto, ter início noutras faixas etárias. Normalmente atinge jovens de classe média-alta, que sustêm um elevado desejo de agradar aos outros. Mantêm também um desejo contínuo de obter uma silhueta perfeita. Em muitos casos, a doente deixa de ter uma correcta percepção do seu corpo, continuando a julgar-se gorda, quando na verdade está bastante magra. Existem casos em que também se verifica uma perda de identidade, com tendência para o suicídio. Estão sujeitas a paragens cardíacas devido a um estado de desnutrição grave.

    A medicina psicossomática argumenta a favor da recusa da feminilidade da anoréctica, pois esta não quer ter ancas nem seios. A gravidez e a maternidade podem mesmo ser consideradas como aberrações.

    É complexo tratar estas jovens, pois elas falam muito pouco, especialmente sobre si próprias. É também muito difícil tornar uma anoréctica consciente do seu estado, sendo desaconselhado, e até mesmo contraproducente, insistir continuamente para que ela coma.

    Há casos que se tornam crónicos, sendo, portanto, impossível obter a cura completa. Somente em algumas situações é que se consegue um tratamento eficaz, pelo que é exigido uma grande força de vontade e auto-controlo por parte da doente, bem como uma contínua vigilância médica e familiar.

    Por: Joana Dias

     

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