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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 30-12-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Neste fim de ano de 2007

    Dividida entre a cozinha e a natureza, mas sempre acompanhada de bons amigos, sobrou-me um bocadinho de tempo para pensar neste 2007 que termina, talvez picada por um discurso demasiado irrealista, eu diria mesmo autista, do nosso primeiro-ministro.

    Lê-se na cara de uma maioria muito significativa dos portugueses o seu descontentamento, provocado por uma vida cada vez mais difícil, eu diria mesmo de medo, ou porque estão desempregados, ou porque têm medo de perder o seu emprego – tantas vezes precário –, ou porque se sentem prejudicados no seu dia a dia, na alteração dos serviços de saúde, das regalias sociais que vão perdendo sem que se encontre uma justificação plausível, sem que o Governo apresente motivos claros dos seus objectivos.

    Esta euforia de meia dúzia de pensantes que observam o mundo utilizando filtros que escondem a pobreza, a insegurança, o desânimo, a desconfiança, que não ouvem, que caminham isolados, convencidos que arrastam consigo uma maioria que já não existe, em nada contribui para uma verdadeira melhoria deste país.

    Foto LUÍS LAGE
    Foto LUÍS LAGE
    Todos os anos passo esta época festiva longe das cidades, mesmo muito longe, em termos económicos, sociais e culturais. Terras perfeitamente abandonadas, onde as pessoas voltam a imigrar, onde as fábricas têxteis fizeram a revolução no início do século XX e foram fechando, uma a uma, sem que se vislumbre alguma alternativa de trabalho para toda aquela gente.

    Por muito que goste da Serra, da sua paisagem, do ar que se respira, dos silêncios que me confortam, do caminhar a ouvir a natureza, a descobrir as pegadas dos javalis, das raposas, a ouvir o piar das corujas, eu não posso, eu não quero ser autista, eu não consigo deixar de pensar o que vai acontecer àquela gente que sempre pensou em ter um filho formado e hoje recuou, não tem forças para lutar mais, se vai acomodar a ter o que a terra lhe dá, e nada mais…

    Foi entre o conforto e a solidariedade dos amigos, entre gente que chegava e partia feliz por ter partilhado dias de convívio fraterno, onde as amizades se reforçam, que eu vivi o meu Natal, e pensei no nosso jornal, no seu papel social, em novas propostas de participação mais alargada dos nossos leitores. Também aqui é necessário alterar costumes velhos.

    Estou pronta para enfrentar um novo ano que espero seja um bom ano para todos nós, colaboradores e leitores de “A Voz de Ermesinde”

    Um bom ano para todos!

    Por: Fernanda Lage

     

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