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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 20-12-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Não importa ser, o importante é parecer

    Neste mundo global em que tudo é quantificado, não importa a forma como se conseguem determinadas formações, determinados diplomas, diferentes documentos, o que importa é consegui-los para que tudo funcione, para estar legal, para conseguir um trabalho.

    Temos assistido nos últimos tempos a uma série de acontecimentos, de deliberações, de actuações em pró da legalidade que me deixam estupefacta.

    Começa a ser muito difícil distinguir a ficção da realidade, os excessos de zelo em pequenas coisas de suma importância e o descuido, o fechar de olhos a outras que são cruciais para o bom funcionamento da sociedade.

    Fecha-se os olhos às grandes ilegalidades, aos verdadeiros roubos, aos grandes poluidores do planeta, aos grandes negócios de produtos prejudiciais à saúde, mas muito bem embalados e higienicamente tratados.

    Continuamos a tratar seres humanos como coisas e esquecemos o nosso passado, a relação que tivemos com alguns povos nossos irmãos. Aqui há dias Rui Tavares escrevia, a propósito dos imigrantes marroquinos que aguardam ordem de expulsão no espaço de Acolhimento de Estrangeiros e Apátridas/ Unidade de Santo António, no Porto, imigrantes clandestinos que desembarcaram na Ilha da Culatra, no Algarve:

    «(...) Às vezes basta-me pensar em pessoas. Chamem-lhes ilegais, se quiserem. Mas eu estou com eles».

    E lembra que “estes ilegais” nasceram no “Algarve de Além-mar em Africa”. São mouros, nasceram em terras de que os nossos reis se orgulharam durante séculos!...

    Que procuram? Trabalho, melhores condições de vida, e por isso arriscam a própria vida. Como tantos milhares de portugueses o fizeram ao longo dos tempos!

    É evidente que este mundo pseudo-organizado tem regras, cada vez mais regras e temos de as respeitar, de acordo!, mas ninguém pediu para nascer do lado de cá ou do lado de lá, e ao contrário do que nos fazem crer, os imigrantes foram e são autores de grandes transformações sociais e culturais.

    A sua integração pode ser uma mais-valia para o país.

    Portugal recebeu nos últimos anos imigrantes culturalmente evoluídos que em muitos casos não foram devidamente aproveitados, mas eu acredito que vão deixar marcas, assim os saibamos incluir na nossa sociedade.

    Mas esta inclusão tem que respeitar a diferença, as minorias.

    As diferentes culturas, os seres humanos ainda não são normalizados…

    Neste Natal eu lembro os desenraizados, os excluídos, os que não sabem, ou não querem parecer o que não são, e associo-me ao seu grito de revolta e imploro que se faça luz de modo a encontrarem um caminho na encruzilhada das suas vidas.

    Por: Fernanda Lage

     

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