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    Arquivo: Edição de 15-10-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Folclore e cultura popular

    Não tenho grande simpatia pelo termo “folclore”, gosto mais de utilizar um conceito mais alargado, o de Cultura Popular, onde inclui o verdadeiro folclore.

    Isabel Silvestre, num artigo sobre o folclore e sobre as suas fontes afirma:

    «Para conservar o folclore, para evitar que se “folclorize” e auto-destrua fazendo gestos fantasmagóricos para um mundo que a não entende, é necessário (não sei se será possível…) refazer toda a vida campestre e os altíssimos valores que ela representa».

    Penso que de muitas coisas, temos que conservar apenas as memórias, as raízes duma cultura que evoluiu ao longo do tempo, que quando entendida e assimilada será sempre passada com verdade e respeito pelas suas origens.

    Não é apenas a diferença entre o mundo rural e urbano, é o próprio mundo rural que mudou.

    Por outro lado essa divisão entre mundo rural e urbano é cada vez mais ténue ou tende a desaparecer nas sociedades mais evoluídas.

    Quanto à cultura popular ela deixou, e continua a deixar marcas na nossa sociedade.

    Estudar, aprofundar, transmitir e criar novas formas, populares ou eruditas de cultura que beba nas nossas tradições, contribuirá sem dúvida para marcar a nossa diferença, a individualidade de cada terra, de cada região, de cada país.

    Mas voltemos ao texto de Isabel Silvestre e ao seu entendimento da vida do campo.

    «Não conheço nenhuma outra sociedade onde o Céu e a Terra, o Divino e os Mortais, a Arte e a vida tão perfeita e harmoniosamente se conjugam, criando o único habitar na terra digno do Homem.

    Cantar foi sempre para os lavradores o mais divino dos verbos o mais sublime dos dons.

    (…) Por isso se canta nas sementeiras, nas ceifas, nas desfolhadas, nas vindimas, na maçadela do linho e nas longas noites Invernais, no aconchego da lareira fiam e tecem, cantando e rezando, bragais de noivas e toalhas de altar (*).

    Canta-se nos trabalhos e também nas festas. A Festa é a celebração da alegria, da confraternização, é através desta que o Homem expressa publicamente a gratidão para com o transcendente. É na festa que a vida se renova, que os jovens se encontram, que as famílias se cruzam. A Festa reúne e dá força ao sentido solidário, contribuindo para que ele se sinta integrado numa comunidade.

    Quem não souber, não interiorizar todos esses valores, não consegue passar uma mensagem verdadeira e corremos o risco de “macaquear” e deturpar o que de mais rico existe na cultura popular.

    O respeito cultural não significa repetição, cópia de um passado que não volta, antes pelo contrário, podemos e devemos recolher, aprender, trabalhar e inovar, mantendo viva a memória.

    Redesenhando o passado construímos o futuro. Não podemos deixar morrer o que o tempo filtrou ao longo de milhares de anos – a nossa identidade.

    (*) Isabel Gomes Silvestre, directora do Grupo de Cantares de Manhouce, “O Folclore”, in “Valores do Mundo Rural”, edição do Instituto de Estruturas Agrárias e Desenvolvimento Rural (LEADER), 1995.

    Por: Fernanda Lage

     

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