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Edição de 30-09-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Ciência


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Inteligência Artificial: devemos carregar no travão antes que seja tarde demais?

Há pouco mais de três anos, conversar com uma inteligência artificial parecia, para muitas pessoas, uma curiosidade tecnológica. Hoje, milhões de pessoas utilizam diariamente sistemas capazes de escrever textos, criar imagens, programar, traduzir idiomas, analisar documentos, resolver problemas matemáticos ou responder a perguntas sobre praticamente qualquer assunto. A evolução foi tão rápida que uma pergunta que há poucos anos parecia pertencer à ficção científica começa agora a ser discutida seriamente por cientistas, empresas e governos: até onde devemos deixar a inteligência artificial avançar?

A história da IA começou muito antes do aparecimento do ChatGPT. Desde meados do século XX que investigadores procuram criar máquinas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência humana. Durante décadas, porém, os resultados foram relativamente modestos. Os computadores conseguiam realizar cálculos extraordinariamente rápidos, mas tinham enormes dificuldades em compreender linguagem, reconhecer imagens ou aprender de forma flexível. A revolução começou a ganhar velocidade com o desenvolvimento das redes neuronais e, sobretudo, com o acesso a quantidades gigantescas de dados e capacidade de processamento. Em 2017, uma arquitetura chamada transformer tornou-se particularmente importante para o desenvolvimento dos modelos de linguagem modernos. Poucos anos depois, sistemas como o ChatGPT transformaram a IA numa tecnologia acessível ao grande público. E a evolução não parou…

Os sistemas atuais já não se limitam a responder a perguntas. Conseguem utilizar ferramentas, escrever e executar código, analisar ficheiros, pesquisar informação, interpretar imagens e realizar sequências de tarefas. O relatório internacional sobre segurança da IA publicado em fevereiro de 2026, elaborado por mais de uma centena de especialistas e apoiado por mais de 30 países e organizações internacionais, descreve avanços significativos precisamente em áreas como matemática, programação e operação autónoma. Há, no entanto, uma característica particularmente interessante: a inteligência artificial não está simplesmente a ficar melhor a fazer aquilo que já fazia. Está a começar a fazer coisas novas. É esta evolução que alimenta simultaneamente o entusiasmo e o receio.

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Os benefícios potenciais são difíceis de ignorar. Na medicina, a IA pode ajudar a analisar exames, identificar padrões e apoiar profissionais de saúde. Na ciência, pode acelerar a análise de enormes quantidades de informação e contribuir para a descoberta de novos materiais ou medicamentos. Na educação, pode funcionar como um tutor personalizado, adaptando explicações ao nível de cada aluno. Na programação, já consegue produzir em poucos minutos aquilo que anteriormente poderia exigir bastante tempo a um programador humano. Na criação artística, permite gerar imagens, música e vídeo a partir de simples instruções. Nas empresas, automatiza tarefas administrativas e permite que trabalhadores dediquem mais tempo a atividades que exigem criatividade ou interação humana.

É, portanto, difícil imaginar que esta tecnologia simplesmente desapareça. O verdadeiro debate não é se devemos utilizar inteligência artificial. É como, onde e até que ponto devemos permitir que ela evolua. Isto abre possibilidades extraordinárias. Mas também cria um problema: quanto mais autonomia damos a uma máquina, mais importante se torna garantir que ela continuará a fazer aquilo que pretendemos. Isto não significa que uma IA esteja “a conspirar” contra os seres humanos. Significa algo mais simples e, talvez, mais preocupante: os investigadores ainda não compreendem completamente aquilo que sistemas cada vez mais complexos conseguem fazer.

Também seria um erro imaginar que os riscos da IA são exclusivamente uma hipótese sobre o futuro. Já existem problemas concretos. Imagens e vídeos falsos podem ser utilizados para fraude e manipulação. Sistemas de IA podem ajudar criminosos a escrever código malicioso ou realizar ataques informáticos. A tecnologia pode produzir informação falsa com uma aparência extremamente convincente. E a utilização generalizada de sistemas automáticos pode transformar profundamente determinados setores profissionais. Existe ainda uma preocupação particularmente séria relacionada com armas biológicas e químicas. O relatório internacional de 2026 refere que alguns modelos foram lançados com salvaguardas adicionais depois de testes pré-lançamento não terem conseguido excluir a possibilidade de ajudarem significativamente utilizadores sem experiência a desenvolver conhecimentos perigosos. É precisamente aqui que surge uma das grandes diferenças relativamente às revoluções tecnológicas anteriores. Uma máquina industrial perigosa está limitada pelo seu funcionamento físico. Um computador pode

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Por: Luís Dias

 

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