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O nosso Sistema Solar e o caso de Plutão
O Sistema Solar é o sistema planetário onde se encontra a Terra e é composto pelo Sol, oito planetas principais, luas, asteróides, cometas e inúmeros corpos gelados que orbitam a nossa estrela. Durante muitos séculos, a humanidade conheceu apenas os planetas visíveis a olho nu – Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Mais tarde, com a invenção do telescópio, foram descobertos Urano e Neptuno. No século XX surgiu ainda um novo membro: um pequeno e distante mundo chamado Plutão, cuja história científica se tornou uma das mais curiosas da astronomia.
No início do século XX, alguns astrónomos acreditavam que poderia existir um planeta ainda desconhecido para além da órbita de Neptuno. Um dos principais defensores dessa hipótese foi o astrónomo americano Percival Lowell, que dedicou vários anos à procura desse possível “Planeta X”. Embora não tenha conseguido encontrá-lo, o seu trabalho inspirou novas pesquisas.
Em 1930, o jovem astrónomo Clyde Tombaugh trabalhava no Observatório Lowell analisando fotografias do céu. Comparando imagens tiradas em noites diferentes, procurava pequenos pontos de luz que mudassem de posição entre as estrelas. Foi assim que identificou um objeto em movimento que viria a ser confirmado como um novo corpo do Sistema Solar. Esse objeto recebeu o nome de Plutão.
O nome foi sugerido por uma rapariga inglesa de 11 anos chamada Venetia Burney. Inspirou-se no deus romano do submundo, uma escolha considerada apropriada para um planeta tão distante e escuro. Durante décadas, Plutão foi considerado o nono planeta do Sistema Solar e apareceu em livros escolares e mapas astronómicos como o planeta mais distante do Sol.
Com o tempo, os cientistas começaram a perceber que Plutão era bastante diferente dos outros planetas. É muito pequeno – tem cerca de metade do tamanho da Lua – e a sua órbita é mais inclinada e alongada do que a dos restantes planetas. Em 1978 foi descoberta a sua maior lua, Charon, que é tão grande em relação a Plutão que ambos orbitam um ponto comum no espaço.
A partir dos anos 1990, os astrónomos descobriram que Plutão não estava sozinho naquela região distante do Sistema Solar. Para além da órbita de Neptuno existe uma vasta região cheia de pequenos corpos gelados chamada Kuiper Belt. Muitos desses objetos têm características semelhantes às de Plutão.
Em 2005 foi descoberto um objeto ainda maior chamado Eris. Esta descoberta levantou um problema: se Plutão era um planeta, então Eris também deveria ser considerado um. Para resolver esta questão, a International Astronomical Union definiu em 2006 critérios oficiais para classificar um planeta. Um planeta deve orbitar o Sol, ter forma aproximadamente esférica e dominar a região da sua órbita. Plutão cumpre os dois primeiros critérios, mas não o terceiro, porque partilha a sua órbita com muitos outros objetos da Cintura de Kuiper.
Por essa razão, Plutão passou a ser classificado como “planeta anão”. A decisão gerou bastante debate, mas ajudou os cientistas a organizar melhor a diversidade de corpos existentes no Sistema Solar.
Apesar da mudança de classificação, Plutão continua a ser um mundo fascinante. Em 2015, a sonda espacial New Horizons passou perto do planeta anão e enviou imagens detalhadas da sua superfície. Os cientistas descobriram montanhas de gelo, planícies vastas e uma região em forma de coração chamada Tombaugh Regio.
A história de Plutão mostra que a ciência está em constante evolução. Novas descobertas podem levar a rever ideias antigas e a melhorar a nossa compreensão do Universo. Mesmo já não sendo considerado um planeta, Plutão continua a desempenhar um papel importante no estudo das regiões mais distantes do Sistema Solar e lembra-nos que o conhecimento científico está sempre em construção.
“O Coração Gelado no Confim do Sistema: Um Olhar sobre Plutão
Nos extremos do nosso quintal cósmico, onde a luz do Sol chega cansada e pálida como um sussurro de lanterna, habita um mundo de mistérios e contrastes. Plutão, o outrora nono planeta, hoje o rei do Cinturão de Kuiper, não é apenas uma rocha errante na escuridão; é uma joia de gelo e nitrogénio que desafia a nossa compreensão sobre o que significa ser um mundo vivo.
O Exílio de um Gigante Pequeno
Por décadas, Plutão foi o ponto final nos nossos mapas escolares. Descoberto em 1930 por Clyde Tombaugh, ele carregava o nome do deus romano do submundo, um guardião das sombras. Em 2006, a astronomia moderna retirou-lhe o título de “planeta principal”, reclassificando-o como planeta anão. Mas o que poderia parecer um rebaixamento foi, na verdade, o início de uma nova poesia: Plutão deixou de ser o menor dos grandes para se tornar o mestre de uma vasta e inexplorada fronteira de mundos gelados.
A Anatomia do Abismo
Ao contrário do que se imaginava para Plutão, uma esfera cinzenta e estéril, a visita da sonda New Horizons em 2015 revelou um paleta de cores e texturas digna de uma tela impressionista. Plutão ostenta montanhas de água congelada tão rígidas quanto granito, elevando-se a milhares de metros sob um céu azul-crepúsculo.
O que mais cativa os olhos humanos é a Tombaugh Regio, uma vasta planície em formato de coração. Metade desse coração, conhecida como Sputnik Planitia, é um mar de nitrogénio congelado que pulsa lentamente. Ali, o calor interno do planeta faz com que o gelo suba e desça em células de convecção, como se o próprio planeta estivesse respirando em uma escala de tempo de milhões de anos.
O Bailado das Sombras: Plutão e Caronte
Plutão não viaja sozinho. Ele possui
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Por:
Luís Dias
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