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Edição de 31-01-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Ciência


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Cancro: a doença antiga que continua a desafiar a ciência

O cancro é uma das doenças mais temidas da atualidade, não apenas pela sua gravidade, mas também pela complexidade que encerra. Apesar dos enormes avanços da medicina nas últimas décadas, continua a ser uma das principais causas de morte em todo o mundo, levantando uma questão inevitável: porque é tão difícil encontrar um tratamento eficaz e duradouro para esta doença?

Antes de mais, importa esclarecer o que é o cancro. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o cancro não é uma única doença, mas sim um conjunto de doenças que têm em comum um comportamento celular anómalo. Num organismo saudável, as células crescem, dividem-se e morrem de forma controlada. No cancro, esse controlo perde-se: as células passam a multiplicar-se de forma desordenada, formando massas de tecido chamadas tumores, que podem invadir tecidos vizinhos e, em alguns casos, espalhar-se para outras partes do corpo através da circulação sanguínea ou linfática — um processo conhecido como metastização.

Esta doença acompanha a humanidade desde tempos muito antigos. Há registos de tumores em múmias egípcias com mais de 3 000 anos, e o próprio termo “cancro” foi introduzido por Hipócrates, no século V a.C., que comparou certos tumores à forma de um caranguejo, devido às projeções que se estendiam para os tecidos circundantes. Durante séculos, o conhecimento sobre a doença foi limitado, muitas vezes associado a crenças religiosas ou explicações místicas, e os tratamentos eram rudimentares e, na maioria dos casos, ineficazes.

Foi apenas a partir do século XIX, com o desenvolvimento da microscopia e da anatomia patológica, que o cancro começou a ser compreendido como uma doença celular. No século XX, descobriu-se que alterações no ADN — mutações — estavam na base do comportamento descontrolado das células cancerígenas. Esta descoberta marcou um ponto de viragem, abrindo caminho para a investigação genética e molecular que ainda hoje sustenta a maior parte da investigação oncológica.

Apesar desse progresso, tratar o cancro continua a ser um enorme desafio. Uma das principais dificuldades reside na sua diversidade. Existem dezenas de tipos de cancro, que podem surgir em praticamente todos os tecidos do corpo, e mesmo dentro do mesmo tipo — por exemplo, cancro da mama ou do pulmão — há grandes diferenças entre doentes. Dois tumores aparentemente semelhantes podem responder de forma completamente distinta ao mesmo tratamento. Isto acontece porque cada cancro tem um conjunto próprio de mutações e características biológicas.

Outro obstáculo importante é a capacidade de adaptação das células cancerígenas. Muitos tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia, baseiam-se na destruição de células que se dividem rapidamente. No entanto, algumas células sobrevivem e conseguem adaptar-se, tornando-se resistentes. É por isso que, em certos casos, a doença regressa após um período de remissão, muitas vezes de forma mais agressiva.

Há ainda o problema de distinguir eficazmente as células cancerígenas das células saudáveis. Como o cancro surge a partir das próprias células do organismo, é difícil atacar apenas as células doentes sem causar danos colaterais. Os efeitos secundários associados a muitos tratamentos refletem precisamente essa dificuldade, afetando tecidos saudáveis como a medula óssea, o trato digestivo ou os folículos capilares.

Nos últimos anos, surgiram novas abordagens promissoras, como a imunoterapia, que procura estimular o próprio sistema imunitário a reconhecer e destruir as células cancerígenas. Embora tenha produzido resultados impressionantes em alguns doentes, também aqui os efeitos não são universais. Nem todos os cancros respondem da mesma forma, e ainda se procura compreender porque é que certos doentes beneficiam mais do que outros.

Além dos desafios científicos, existem também dificuldades sociais e económicas. O diagnóstico precoce continua a ser fundamental para aumentar as taxas de sobrevivência, mas o acesso a rastreios, tratamentos e acompanhamento médico não é igual para todos. O cancro é, assim, não apenas uma doença biológica, mas também um problema de saúde pública e de justiça social.

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“Investigadores desenvolvem molécula inovadora para tratamento do cancro

Um grupo de investigadores do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a empresa Luzitin SA, desenvolveram uma molécula inovadora que poderá representar um avanço significativo no tratamento de tumores sólidos através de Terapia Fotodinâmica (TFD).

O desenvolvimento de medicamentos eficazes contra tumores sólidos enfrenta dois grandes desafios: a acumulação seletiva do fármaco no tumor e a sua capacidade de infiltração para alcançar todas as células tumorais. A abordagem dominante tem sido o desenvolvimento de moléculas cada vez maiores e de nanopartículas mais complexas, o que, apesar de aumentar a seletividade, compromete a penetração em tumores densos e rígidos.

Contrariando esta tendência, a equipa de Coimbra optou por uma estratégia inovadora: identificar a menor estrutura molecular com propriedades farmacológicas ideais para Terapia Fotodinâmica. O resultado foi a síntese da molécula LUZ51, o mais pequeno fotossensibilizador conhecido que absorve luz infravermelha, essencial para atravessar eficazmente os tecidos humanos.

“A Terapia Fotodinâmica baseia-se na ativação de um fotossensibilizador através de luz vermelha ou infravermelha. Na presença de oxigénio, esta ativação desencadeia uma cascata de reações químicas que levam à morte das células tumorais. Uma das grandes vantagens desta terapia é a sua elevada seletividade: o fármaco é praticamente inócuo sem luz, permitindo destruir o tumor apenas na área iluminada”, explica Luís Arnaut, professor da FCTUC e investigador do Centro de Química de Coimbra.

Os estudos realizados demonstraram que a LUZ51 se acumula 13 vezes mais nos tumores do que nos tecidos adjacentes, é rapidamente internalizada pelas células tumorais e induz a sua morte quando ativada por luz infravermelha. Em modelos animais, a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 permitiu curar ratinhos com tumores agressivos e relativamente grandes, preservando os tecidos saudáveis circundantes e minimizando efeitos adversos.

“Um dos resultados mais notáveis foi observado no

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Por: Luís Dias

 

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