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Edição de 30-06-2026
Jornal Online

SECÇÃO: História


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“ERMESINDE DEPOIS DE ABRIL” (6)

1979: um ano de afirmação de uma vila em crescimento

Cinco anos após a Revolução de Abril, Ermesinde vivia um período marcante da sua história contemporânea. Em 1979, a jovem democracia portuguesa dava ainda os primeiros passos, mas a vila afirmava-se já como o principal centro populacional, económico e associativo do concelho de Valongo, consolidando uma identidade própria construída sobre o dinamismo das suas coletividades, das suas instituições e de uma população profundamente participativa. O ressurgimento de A Voz de Ermesinde, a expansão do ensino, a melhoria dos equipamentos públicos, o fortalecimento do movimento associativo, as grandes obras de infraestrutura e até a renovada reivindicação da criação do concelho espelhavam uma comunidade consciente do seu peso e das suas ambições. Mais do que uma simples sucessão de acontecimentos, 1979 representa um retrato fiel de uma terra em acelerada transformação, onde a liberdade conquistada em Abril se traduzia em novas formas de participação cívica e de afirmação coletiva. É essa imagem de uma Ermesinde confiante no futuro que os acontecimentos deste ano permitem visualizar.

EM DEZEMBRO DE 1979 FOI ADJUDICADA, PELA CÂMARA DE VALONGO, À FIRMA SOARES DA COSTA, SARL, PELA IMPORTÂNCIA DE 28 MIL CONTOS, A CONSTRUÇÃO DO VIADUTO DE ERMESINDE
EM DEZEMBRO DE 1979 FOI ADJUDICADA, PELA CÂMARA DE VALONGO, À FIRMA SOARES DA COSTA, SARL, PELA IMPORTÂNCIA DE 28 MIL CONTOS, A CONSTRUÇÃO DO VIADUTO DE ERMESINDE
Um dos acontecimentos mais marcantes foi, sem dúvida, o ressurgimento de “A Voz de Ermesinde”, em janeiro de 1979, sob a direção de Manuel Moreira Pereira. O reaparecimento do jornal representou muito mais do que o regresso deste importante órgão de informação local: simbolizou a recuperação de uma tradição de intervenção cívica e de defesa dos interesses da terra. As suas páginas passaram a acompanhar atentamente a vida da comunidade, a preservar a memória coletiva e a promover o debate sobre os desafios do futuro.

Logo nas primeiras edições desse novo ciclo, o jornal chamava a atenção para a necessidade da criação de um Museu em Ermesinde. O articulista Fernando Alvarenga defendia que a antiga Igreja Matriz e outros edifícios históricos tinham produzido um património artístico que importava salvaguardar, para que as gerações futuras não perdessem a ligação às suas raízes. Era uma preocupação reveladora da crescente consciência patrimonial que então começava a afirmar-se.

Também os números oficiais confirmavam a importância crescente da vila. O recenseamento eleitoral realizado nesse ano atribuía a Ermesinde 17.992 eleitores, número largamente superior ao das restantes freguesias do concelho. Alfena registava pouco mais de seis mil, Valongo cerca de 5.900, Campo ultrapassava ligeiramente os quatro mil e Sobrado ficava abaixo dos 3.500 eleitores. Estes dados reforçavam a ideia, há muito defendida por muitos ermesindenses, de que a freguesia assumia já um papel central na vida do concelho.

Essa dimensão populacional refletia-se igualmente nas reivindicações por melhores equipamentos e serviços públicos. O Centro de Assistência Social de Ermesinde (CASE), cuja proposta de estatutos começou a ser publicada em junho nas páginas de “A Voz de Ermesinde”, representava uma resposta às novas necessidades sociais de uma população em rápido crescimento.

No campo da educação, uma antiga aspiração conheceu finalmente um avanço significativo. A Escola Secundária de Ermesinde, que funcionava provisoriamente num pavilhão industrial da Formiga, passaria a oferecer cursos complementares a partir do ano letivo de 1979-1980. A medida permitia que muitos jovens prosseguissem os estudos sem necessidade de se deslocarem diariamente para outras localidades, designadamente para a cidade do Porto.

O desenvolvimento económico e administrativo da vila conheceu igualmente importantes melhorias. Em junho foram inauguradas as novas instalações do Banco Totta e Açores, na Rua 5 de Outubro, sinal da crescente atividade comercial. Poucos meses depois, em agosto, era aberta a nova Repartição de Finanças de Ermesinde, instalada na Rua da Cancela, numa cerimónia que reuniu diversas autoridades locais e distritais.

Entretanto, as infraestruturas de transporte acompanhavam esse crescimento. A Estação de Caminho de Ferro de Ermesinde foi profundamente remodelada, com prolongamento das plataformas, novas bilheteiras, recuperação dos espaços interiores e renovação do edifício principal. Tratava-se de uma intervenção particularmente importante numa das mais relevantes interfaces ferroviárias do Norte do país.

Também a rede viária preparava novos investimentos. No final do ano foi adjudicada à empresa Soares da Costa a construção do futuro Viaduto de Ermesinde, uma obra aguardada há muitos anos e que viria a desempenhar um papel decisivo na circulação urbana.

A vitalidade da sociedade ermesindense manifestava-se igualmente através do associativismo e do desporto. Em junho, o Ermesinde Sport Clube celebrou a subida à III Divisão Nacional, resultado de uma excelente campanha desportiva. A festa, realizada no Campo de Sonhos, contou com a participação da fanfarra dos Bombeiros Voluntários e mobilizou largas centenas de adeptos.

Os próprios Bombeiros atravessavam uma fase de afirmação institucional. Em junho tomou posse um novo comandante da corporação e, poucos meses depois, realizou-se uma grandiosa homenagem pública, no Campo de Sonhos, que reuniu praticamente todas as coletividades locais, representantes das autoridades civis e religiosas e delegações de catorze corpos de bombeiros.

A vida religiosa e espiritual da vila conheceu igualmente um momento histórico com a inauguração, na Rua Almeida Garrett, daquele que era então considerado o maior templo cristão evangélico de Portugal e um dos maiores da Europa, pertencente à Congregação Cristã, com capacidade para cerca de 1.300 pessoas.

Paralelamente, “A Voz de Ermesinde” continuava a desempenhar um importante papel na preservação da memória coletiva, iniciando a publicação da história dos antigos Campos de Asmes e, mais tarde, das célebres “Ermesindíadas”, de Luís Proença, trabalhos que ajudavam a reforçar a identidade histórica da comunidade.

As populações mantinham igualmente uma forte

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Por: Manuel Augusto Dias

 

 

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