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Edição de 30-06-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Cultura


EXPOSIÇÃO CELEBRA OS 25 ANOS DO MUSEU MUNICIPAL DE VALONGO

O Património Vivido no Corpo e nas Memórias

Fotos CMV
Fotos CMV
O Museu Municipal de Valongo assinalou, no passado dia 1 de junho, uma data particularmente simbólica: o primeiro quarto de século da sua existência. A efeméride foi marcada pela inauguração da exposição “O Património Vivido no Corpo e nas Memórias – Símbolos da Cultura Popular de Valongo”, uma mostra que estará patente ao público até ao próximo mês de outubro e que constitui uma sentida homenagem às tradições, às comunidades e às associações que mantêm viva a identidade cultural do concelho.

A cerimónia contou com a presença da vice-presidente da Câmara Municipal de Valongo, Ana Maria Rodrigues, do presidente da Assembleia Municipal, Manuel Dias, do vereador Rui Marques da Silva, bem como de responsáveis da Divisão Municipal da Cultura, representantes associativos e alguns convidados.

Na sessão de abertura, a vice-presidente da Câmara destacou a importância da iniciativa, sublinhando o papel do Museu Municipal enquanto espaço de preservação, interpretação e divulgação da memória coletiva do concelho. Referiu ainda que esta exposição representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de décadas pelos grupos etnográficos, ranchos folclóricos e associações culturais que têm contribuído para salvaguardar tradições, saberes e costumes transmitidos de geração em geração.

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Seguiu-se uma visita guiada conduzida por Paula Machado, técnica responsável pelo projeto expositivo, que ciceroneou os presentes ao longo de um percurso rico em memórias, objetos e testemunhos da cultura popular valonguense.

Ao longo da visita foi possível apreciar diversos núcleos temáticos que evocam antigas atividades económicas, costumes e modos de vida da população local. Entre os aspetos que mais despertaram a atenção dos visitantes esteve a recriação do universo do linho, com a exposição de instrumentos e artefactos ligados ao seu cultivo, preparação e transformação, recordando uma atividade que durante gerações marcou profundamente o quotidiano de muitas famílias.

Outro dos momentos particularmente evocativos remeteu para os tradicionais pregões da venda da regueifa junto à estação ferroviária de Valongo, prática que durante décadas constituiu uma das imagens mais características da vida local e que permanece profundamente enraizada na memória coletiva da comunidade.

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A exposição proporciona igualmente uma viagem pela história do concelho através da representação do ato de vestir a Rainha D. Maria II, figura incontornável na história local por ter sido a monarca que, há quase 190 anos, criou oficialmente o concelho de Valongo. Este apontamento histórico estabelece uma interessante ligação entre a construção da identidade administrativa do território e as suas manifestações culturais.

A animação musical também teve lugar de destaque na inauguração, com a atuação do Rancho Infantil e Juvenil Padeirinhas de Valongo, cuja tocata ajudou a recriar o ambiente festivo e tradicional que caracteriza muitas das manifestações culturais do concelho.

Ao percorrer a exposição torna-se evidente a presença de três elementos que constituem verdadeiras marcas identitárias de Valongo: o pão, o ouro e a lousa. Estes três símbolos atravessam toda a narrativa expositiva e ajudam a compreender a evolução histórica, económica e social do território. O pão, associado à tradição da regueifa e à atividade das padeiras; o ouro, ligado à exploração mineira que há muitos séculos, no período da ocupação romana, marcou a região; e a lousa, relacionada com uma atividade extrativa que deixou profundas marcas na paisagem e na economia local.

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Promovida em articulação com a Feira da Regueifa e do Biscoito, a mostra pretende aproximar ainda mais o museu da comunidade, dando voz às associações e aos particulares que contribuíram com peças dos seus espólios e com testemunhos pessoais. Mais do que uma simples exposição de trajes ou objetos, trata-se de uma reflexão sobre a forma como o património continua a ser vivido, transmitido e recriado pelas pessoas.

A iniciativa contou com a colaboração de diversas coletividades do concelho, entre as quais a CPTA – Associação Cultura e Desporto, o Grupo de Danças e Cantares Regionais do Norte, o Grupo Etnográfico de Alfena e Cantadeiras do Leça, o Grupo Folclórico Andorinhas de São Vicente de Alfena, o Grupo Folclórico da ADR da Gandra, o Rancho Folclórico de Santo André de Sobrado, o Rancho Infantil e Juvenil Padeirinhas de Valongo e o Rancho Regional de Campo, para além de numerosos particulares que cederam objetos e partilharam histórias.

Ao celebrar os seus 25 anos de atividade com esta exposição, o Museu Municipal de Valongo reafirma a sua missão de preservar e divulgar a memória coletiva do concelho, lembrando que o património não vive apenas nos edifícios, nos objetos ou nos documentos, mas também nas pessoas, nos seus gestos, nas suas recordações e nas tradições que continuam a transmitir às gerações futuras.

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