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Edição de 31-05-2026
Jornal Online

SECÇÃO: História


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O TRAJE REGIONAL PORTUGUÊS (11)

O TRAJE DE VALONGO Parte 2

– A Evolução Administrativa do Concelho (II)

A criação do Concelho de Valongo foi ditada pelo Decreto de 6 de novembro de 1836, publicado no Diário do Governo de 29 de novembro do mesmo ano. Este Decreto determinou uma nova divisão administrativa do País, pelo qual foram extintas dezenas de concelhos, mantidos outros e criados ainda outros.

Na sua criação, Valongo era formado por 6 freguesias. Retiradas ao concelho da Maia: S. Vicente de Alfena, S. Lourenço de Asmes e S. Mamede de Valongo. Retiradas ao concelho de Aguiar de Sousa (extinto): S. Miguel da Gandra, S. Martinho do Campo e Santo André de Sobrado. A freguesia de Valongo era, de longe, a mais populosa e a mais central, provavelmente ajudada pela sua localização na estrada que ligava a cidade do Porto a Paredes e ao interior transmontano, pelo que foi escolhida para sede do concelho. A freguesia de S. Lourenço de Asmes (a atual Ermesinde) era a mais distante e isso granjeou-lhe alguma “independência” em relação à sede do concelho. Era também a segunda mais pequena em número de habitantes. S. Lourenço de Asmes era essencialmente agrícola. A sua atual denominação de Ermesinde deu-se através do Decreto já Republicano de 6 de fevereiro de 1911, que correspondia ao nome de um dos seus lugares mais relevantes. A sua importância relativa devia-se ao facto de estar mais próxima da grande urbe do Porto e da sede do concelho da Maia.

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A freguesia de S. Miguel da Gandra rapidamente foi desanexada do concelho de Valongo, por oposição das suas gentes, voltando a pertencer ao concelho de Paredes.

Esta realidade de relativa subalternidade de Ermesinde alterou-se completamente no início do séc. XX pela construção, nos seus terrenos, da Estação do Caminho de Ferro, ligando a cidade do Porto a dois importantes eixos urbanos: por um lado a Linha do Douro, que se foi rasgando até Barca de Alva. Por outro lado, a Linha do Minho, que se foi rasgando inicialmente até Braga, mas depois até Viana do Castelo e Valença. Importa referir que a linha do Minho, com os seus atuais dois ramais (ramal de Braga e ramal Guimarães) foi sendo criada ao longo do tempo e não foi obra de planeamento propriamente dito, mas sim fruto de necessidades relativas ao desenvolvimento daquelas urbes.

A criação desta linha férrea foi o fermento para o desenvolvimento social e económico da freguesia e vila de Ermesinde, elevada a cidade no dia 13 de julho de 1990. Mas esta cidade, de certa forma – doa a quem doer – foi negligenciada pelo Poder Municipal até muito perto dos nossos dias. A distribuição de água à cidade só foi resolvida bem dentro dos anos 90 do séc. XX.

As rivalidades entre Valongo e os concelhos limítrofes, que tinham sido espoliados de partes dos seus territórios em benefício do concelho de Valongo, quase fizeram perigar a subsistência do concelho, valendo a firme vontade dos valonguenses. Perdeu-se “só” a freguesia de Gandra, que voltou ao domínio do concelho de Paredes. Mas não tardou que o concelho de Valongo revindicasse a anexação de mais freguesias limítrofes, alegando que essas freguesias estavam muito mais próximas da vila de Valongo do que da sede dos concelhos onde estavam insertas. A saber:

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José Campos Garcia*

*Médico

 

 

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