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Mais de 200 horários por preencher nas escolas do nosso distrito sendo 18 deles em quatro agrupamentos escolares do Concelho de Valongo
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Quase no final do 2.º período do presente ano letivo, o cenário das escolas do nosso concelho indicava que haviam dezoito horários por preencher e como consequência disto, 1600 alunos afetados, isto é, sem aulas em muitas disciplinas. Estes dados surgem no seguimento de um alerta/denúncia do PCP do Porto, a 16 de março último, dando conta de que nessa altura haviam «162 horários por preencher em escolas do Distrito do Porto que comprometiam o acesso ao direito fundamental à Educação a mais de 20 mil alunos», de acordo com dados então divulgados pela Federação Nacional de Professores (FENPROP), segundo a DORP do PCP. Desse modo, e no sentido de conhecermos a realidade do nosso concelho, contactámos posteriormente a FENPROP. Assim, e de acordo com o professor João Pereira, membro do Secretariado Nacional da FENPROF, e utilizando as ofertas de março (a terminar entre 2 e 25 do citado mês) no Concelho de Valongo haviam então 18 horários (todos temporários / 3 horários completos - 22 horas) por preencher, o equivalente a 255 horas, e 1600 alunos afetados. De forma mais precisa, e por agrupamentos, o Agrupamento Vallis Longus apresentava nove horários por preencher, seguido do Agrupamento de Escolas de Ermesinde com sete horários por preencher, e posteriormente pelo Agrupamento de Escolas de Alfena e pelo Agrupamento de Escolas de Campo, cada um deles com horário por preencher.
No que refere ao distrito a FENPROF atualiza a nota emitida pelo PCP, dando nota que na data em questão haviam 209 horários por preencher, o que afetava um total de 19 400 alunos (o número mais próximo dos 20 000 avançado pelos comunistas).
Voltando à nota de imprensa enviada pela DORP do PCP aos órgãos de comunicação social, esta sublinhava que com a aproximar do fim do 2.º período eram «centenas de turmas e milhares de alunos que continuam sem aulas a todas as disciplinas, muitos desde o início do ano». Ainda de acordo com os comunistas, estes números afetos ao nosso distrito expressam uma situação preocupante, consequência do rumo de desinvestimento continuado na educação e de desvalorização da carreira docente que a DORP do PCP considera inaceitável. São milhares de aulas que não se realizam, aprendizagens comprometidas e uma crescente desigualdade no acesso dos alunos - situação que se tem agravado ano após ano, com a falta de professores como um problema central do sistema educativo, que exige a tomada de medidas para tornar mais atrativa a profissão docente, melhorando salários, condições de trabalho e de progressão na carreira, atraindo jovens e estancando a saída de professores. Para além disso, as escolas enfrentam graves problemas de défice de assistentes operacionais, psicólogos e outros técnicos essenciais, a que se somam ainda as más condições de muitas instalações. A este propósito, é útil recordar os mais de trinta edifícios escolares públicos, no distrito do Porto, a precisar de obras urgentes, que os municípios não têm condições financeiras de realizar, e cuja proposta do PCP para garantir o financiamento dessas obras a partir do Orçamento do Estado de 2026 foi recusada por PSD, CDS e CH, com a conivência do PS e da IL. Para o PCP, a resposta passa pelo caminho e pelas medidas que dotem a Escola Pública dos necessários recursos humanos e financeiros para cumprir o seu papel, garantindo condições de trabalho dignas aos seus profissionais e assegurando o acesso à educação às crianças e aos jovens do distrito».
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