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ENTREVISTA COM O TREINADOR DO ERMESINDE 1936, RICARDO BARROS
«Se isto fosse uma história encantada, se calhar não tinha tido um final tão feliz como teve»
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| Foto AF PORTO |
A Voz de Ermesinde (AVE): Houve algum momento da época em que o grupo começou a perceber que podia ganhar a taça?
Ricardo Barros (RB): Sim, eu lembro-me que isso aconteceu mais ou menos numa altura em que tivemos um calendário muito difícil, em que nos calharam nas eliminatórias uma série de equipas da Liga Pro. E quando conseguimos eliminar, em casa, o Aliados de Lordelo, que é uma grande equipa, começámos a perceber que podíamos ir à final. Mas já antes disso, também em casa diante do Foz (outra equipa da Liga Pro), conseguimos ganhar por 2-1. Mas foi de facto a a partir do momento em que eliminámos o Aliados que começámos a sentir que ao conseguir eliminar equipas destas podíamos conseguir ir à final.
AVE: O Ricardo Barros cumpriu a sua primeira época no Ermesinde 1936. Como é que sob o ponto de vista pessoal e profissional vivenciou esta conquista histórica num clube tão peculiar como este, que tem uma massa adepta tão grande e apaixonada?
RB: Esta conquista teve um sabor ainda mais especial se olharmos para o nosso início (de época). Tivemos um início difícil, porque foram mudados 18 ou 19 jogadores em relação à época passada e existiu uma desconfiança porque houve uma mudança total. Vieram muitos jogadores novos para o primeiro ano de sénior, isto num clube que tinha sempre balneários experientes. Fizemos uma mistura com alguns atletas experientes com muita irreverência dos jovens atletas. E, como eu disse, houve muita desconfiança na pré-época, sentimos esse ruído à nossa volta. Mas depois conseguimos uma vitória na 1.ª jornada, empatámos na 2.ª e vencemos na 3.ª, pelo que fizemos logo 7 pontos em jogos que eu senti que já estávamos a conquistar a bancada, principalmente pela atitude e pela forma como nós jogámos. Começámos a conquistar os adeptos. Depois, a partir daí, e após um início tão difícil, tão desconfiado, o facto deste grupo conseguir conquistar a bancada da forma como conquistou e ganhar um título importante como este, é muito especial. Neste momento nós sentimos que não foi só ganhar uma taça, foi dar um título a este clube. O Ermesinde 1936 era, para quem via de fora, e eu não sou de cá, um clube adormecido, com muitos adeptos, o clube das multidões, como são conhecidos em todos o lado. Alem disso, o facto desta conquista ter sido na minha terra, num estádio que conheço bem, foi ainda mais especial para mim, porque estava lá a minha família, os meus amigos. Posso dizer que se isto fosse uma história encantada, se calhar não tinha tido um final tão feliz como teve.
AVE: Além da conquista da taça também não podemos esquecer o campeonato, onde o Ermesinde teve um desempenho muito positivo. Olhando para trás, para o início da época, imagina ter este desfecho?
RB: Como equipa técnica e pelo grupo que construímos, sabíamos da qualidade que tínhamos e de que íamos fazer um bom campeonato. Por exemplo, nós em casa fomos muito fortes, só não conseguimos ganhar três jogos, no nosso estádio tivemos um ADN muito forte. Acreditámos sempre jogo a jogo de que podíamos fazer uma coisa diferente, e se o grupo conseguisse acreditar naquilo que podiam fazer de certeza que ia ser uma época como aquela que foi. Depois houve ali uma altura em que criámos uma forma de estar e de trabalhar em que os jogadores se divertiam muito dentro desta forma de jogar, começámos a criar o rótulo de uma equipa que jogava muito bom futebol e quando demos fé estávamos a criar um “monstro” em termos de classificação. E há ali uma determinada altura em que estávamos no top 4 ou top 3 da classificação, e em que, se calhar, os adeptos começaram a aspirar a outra coisa que, no entanto, não era viável no nosso grupo de trabalho, porque sabíamos que tínhamos algumas limitações em termos de soluções.
AVE: Apesar de ser um treinador jovem, tem 36 anos, o Ricardo Barros tem já um
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