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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 15-11-2005

    SECÇÃO: Local


    Os novos desafios da Educação passaram pelo concelho de Valongo

    Fotos MIGUEL BARROS
    Fotos MIGUEL BARROS
    A Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação do Concelho de Valongo (FAPEVAL) organizou, no passado dia 15 de Outubro, o 1º Seminário Regional sobre o tema Educação, que decorreu no Auditório António Macedo, em Valongo. Intitulado de “Os Novos Desafios da Educação”, este seminário contou com a participação de um considerável número de professores, pais e outros agentes de educação ligados à escola, que para além de terem partilhado entre si desabafos e preocupações sobre o actual estado da Educação em Portugal, apresentaram igualmente propostas que visam a resolução de alguns destes problemas que afectam esta área.

    Portugal ocupa actualmente a cauda da Europa no que concerne à área da Educação.

    Um cenário preocupante e que merece obviamente uma profunda análise e reflexão da sociedade em geral. Foi precisamente isso que ocorreu no Auditório António Macedo, que recebeu algumas personalidades ligadas à área da Educação a nível nacional, onde desde já se destacam Albino Almeida, presidente da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais), Fernando Marques, presidente da FRAPP (Federação Regional das Associações de Pais do Porto) e de Carlos Sousa, coordenador educativo do Concelho do Porto. A estes três elementos juntou-se ainda Ilda Soares, representante da Câmara Municipal de Valongo, que completou o “quarteto” que deu assim início a este seminário organizado pela FAPEVAL. A assistência, composta por alguns professores e encarregados de educação, ouviu de Albino Almeida as primeiras palavras do dia, em que a questão da Educação esteve no centro das atenções. Para o presidente da CONFAP todas as crianças nasceram com um contrato ético perante a sociedade, ou seja, apesar de serem biologicamente filhos dos seus pais, são igualmente filhos de toda a sociedade, a sua educação é não só um dever e uma responsabilidade dos pais como também de toda a sociedade onde estão inseridos, referindo que hoje em dia não existem filtros para ser pai e mãe. Reconhece, no entanto, que educar é actualmente um processo muito difícil, sendo que, para si, a escola e a família devem estar de mãos dadas na tarefa de educar uma criança. Situação esta que, na sua visão, não se tem verificado, já que hoje em dia os pais apenas vão à escola para saber aquilo que muitas vezes já sabem, ou seja, que o seu filho reprovou por faltas, que vai ser expulso da escola, ou então saber que os seus rebentos conseguiram “safar” o ano. Para Albino Almeida este não é o caminho para se atingir o sucesso escolar, defendendo que os pais devem ter um envolvimento maior junto da entidade “escola” para que deste modo possam ajudar os seus filhos a atingir o desejado sucesso escolar. O presidente da CONFAP fez ainda uma pequena alusão a uma medida recentemente criada pelo Governo e que passa pela realização de aulas de apoio a alunos que apresentem dificuldades nas disciplinas após a conclusão do primeiro período do ano lectivo. «Somos de opinião que esta medida é um pequeno avanço para combater o insucesso escolar. No entanto, não nos podemos esquecer que muito do insucesso escolar é também proporcionado pelo ambiente familiar de cada criança. Com isto, queremos perguntar ao Governo se acha que as aulas de apoio vão de facto ajudar estas crianças que transportam consigo diariamente problemas pessoais de ordem social e familiar.

    Como é que uma criança que tem problemas familiares e que não tem cabeça para frequentar as aulas normais vai ter cabeça para frequentar aulas de apoio? Esta é uma questão que o Governo tem de ter em conta. Quanto a isto pensamos que deveriam ser criadas redes sociais que se interligassem no apoio e resolução deste tipo de problemas de ordem social e familiar e que, não sendo devidamente ultrapassados, são um dos grandes factores que está na origem ao insucesso escolar». Voltando à questão da família e mais particularmente da sociedade em geral, Albino Almeida lançou alguns recados às autarquias, referindo que ao invés de estas andarem preocupadas em construir rotundas e obras deste género, deveriam apostar nas crianças e na sua formação. Neste campo voltou a sublinhar a ideia de que a criança é uma responsabilidade de toda a sociedade, onde se incluem pais, escolas, câmaras municipais, juntas de freguesia, entre outras entidades, uma vez que no seu ponto de vista é preciso toda uma “aldeia” para educar uma criança. Sublinhou igualmente que é preciso que essa “aldeia” tenha condições, ou seja, «é certo que os nossos filhos têm obrigação de trabalhar na escola. Mas para isso é necessário que as escolas tenham condições, e o que se passa neste momento, em pleno século XXI, é que muitas escolas nem cantinas têm para os alunos. E aí a responsabilidade é toda das autarquias, que têm obrigação de providenciar esse tipo de infra-estruturas nas escolas.

    É preciso que as autarquias comecem de uma vez por todas a apostar na formação das crianças».

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    5% DAS ESCOLAS DO CONCELHO DE VALONGO

    AINDA NÃO USUFRUEM DE CANTINAS

    Assunto das cantinas que não se esgotou por aqui, já que, na sua intervenção, a representante da Câmara Municipal de Valongo neste seminário, Ilda Soares, informou que actualmente o investimento da autarquia na questão das cantinas abrange uma taxa de 95% dos estabelecimentos de ensino da pré-escola e do 1º Ciclo, prevendo que, no próximo ano, essa taxa atinja os 100% pretendidos, valor este pelo qual a Câmara está a trabalhar neste momento. Foi ainda dado a saber que a autarquia está igualmente apostada em criar um gabinete destinado exclusivamente à Educação Parental. Uma medida em que, segundo Ilda Soares, é urgente avançar, visto que no concelho existem muitos encarregados de educação sem bases para educar os seus filhos, algo que seria, nas palavras da representante da Câmara, uma espécie de “escola de pais”. A motivação dos professores foi outro dos temas abordados no arranque deste seminário, surgindo vários apelos de elementos ligados a esta primeira mesa no sentido de que os profissionais do ensino não podem perder a paixão e a motivação pelo ensino, como se tem verificado nos últimos tempos. «A figura do professor é muito importante para a formação da criança. O professor não é um mero funcionário, mas sim um “sacerdote” que tem de acompanhar o seu “rebanho” nas horas boas e nas horas más. Por isso, quando se fala na existência de professores desmotivados, eu apelo para que essas pessoas se demitam já das suas funções, pois um professor desmotivado é meio caminho andado para o insucesso escolar», sustentou o presidente da FRAPP, Fernando Marques. Postas estas primeiras intervenções em volta do tema principal deste seminário, deu-se então entrada na discusão dos três sub-temas do evento, nomeadamente, “Crianças Sobredotadas”, “Crianças com Necessidas Educativas Especiais” e “A Família e a Escola”. Temas estes que tiveram como oradores principais Ana Serrano (Drª.), Rosa Maria Ferreira (Drª.), Alberto Correia (Dr.) e Conceição Correia, personalidades ligadas ao mundo da Educação. Estes sub-temas foram então abordados de uma forma pertinente, percebendo-se que o debate ficou um pouco aquém do inicialmente esperado (devido à escassez de tempo e interesses dos participantes), ficando no ar a promessa de se realizarem mais eventos deste género com um espaço de debate mais alargado. Pelo o que se viu neste seminário, foi evidente o facto de que a questão da Educação em Valongo ficou a ganhar, visto que em torno deste evento foram reunidas forças políticas, sociais, educativas e económicas do concelho e da região, tendo não só sido possível a partilha de inquietudes e desabafos sobre o estado da Educação, como também foram apresentadas propostas de resolução de problemas, como o estabelecimento de redes/parcerias formais e informais. Este seminário deu sobretudo para perceber de uma maneira inquestionável que os pais e/ou encarregados de educação são uma mais valia para a escola, bem como o facto da sua participação efectiva em actividades da escola ser determinante para a promoção do sucesso escolar dos seus filhos.

    Por: Miguel Barros

     

     

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