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    Arquivo: Edição de 15-06-2005

    SECÇÃO: Cultura


    Foto Manuel Valdrez
    Foto Manuel Valdrez

    Thascan (simplesmente...)

    As cadências quentes, alegres e desinibidas presentes nas danças africanas estiveram bem patentes na Casa de Espectáculos do Fórum Cultural de Ermesinde no espectáculo protagonizado pelos cabo-verdianos do Thascan, um projecto de dança inserido na NosArte - Associação para a Promoção de Arte e Cultura. “Fladu Fla”, foi o nome do espectáculo que este grupo cabo-verdiano levou à cena no passado dia 3 de Junho - dança tradicional de Cabo Verde com uma abordagem contemporânea. Espectáculo recheado de ritmo, protagonizado por um grupo de bailarinos que interpretaram diversos tipos de dança como, por exemplo, o Hip Hop, a Dance Music, o Rock ou o Samba.

    De realçar ainda a forte ligação criada, com o decorrer do espectáculo, entre o grupo e o público que, por sua vez, não ficou indiferente aos cálidos e mexidos ritmos interpretados por estes jovens cabo-verdianos. Não foi de estranhar, por isso, que no final do espectáculo, público e bailarinos se misturassem para fazer uma perninha de dança. MB

    “A Voz de Ermesinde” quis falar com os bailarinos do Thascan. São todos muito jovens, apaixonados pela dança, radicados há alguns anos em Portugal, onde fazem os seus estudos universitários.

    O maestro do Thascan é Luzito Veiga, jovem como os demais, mas que, dada a sua ligação mais íntima à dança - faz estudos superiores de coreografia -, tem o papel central na definição das propostas do grupo.

    Foto Manuel Valdrez
    Foto Manuel Valdrez
    Mas Luzito não está apenas ligado ao Thascan, e explica-nos que este é apenas um entre muitos dos projectos que a NosArte - Associação para a Promoção da Arte e Cultura, de que, aliás, é presidente, pretende levar a cabo.

    A importância da NosArte para a comunidade cabo--verdiana radicada em Portugal é de natureza fulcral. É um projecto de resistência e divulgação cultural, que pretende obstar à dissolução da memória cultural do povo cabo-verdiano. Mas por sua vez, recriando-a. É esse mesmo o propósito do grupo Thascan, que partindo de uma base que assenta na tradição dos ritmos cabo--verdianos os faz inserir numa contemporaneidade cosmopolita.

    Luzito Veiga fala-nos também de outros projectos dentro da NosArte, como por exemplo o XP, este mais virado para os membros mais novos da comunidade - a partir dos sete anos, precisa o jovem coreógrafo.

    O trabalho da NosArte tem sido feito também em parceria com o ACIME - Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas.

    Foto Manuel Valdrez
    Foto Manuel Valdrez
    Este ano a NosArte não ficou ligado ao Escolhas (2ª Geração) numa primeira fase, mas é bem possível que, posteriormente, venha a integrá-lo.

    Luzito fala ainda da predisposição para abarcar projectos de cooperação com outras comunidades imigradas. Salienta a formação cultural de base, muito elevada, por exemplo no que respeita à música, que tem encontrado entre os imigrantes de Leste, e nas dificuldades acrescidas para uma aproximação à comunidade chinesa, por tradição muito fechada.

    No seu trabalho, a NosArte tem contado com o espírito de abertura e cooperação da Academia de Dança das Antas.

    Uma data importante no horizonte próximo da associação é o 5 de Julho, data da independência de Cabo Verde. Muito do trabalho actual da Thascan prende-se com a preparação dessa data.

    O PROJECTO THASCAN

    Thascan significa, em crioulo, “simplesmente”, “só isso”, esclarece-nos Luzito, sentado connosco à boca de cena da sala de espectáculos do Fórum Cultural de Ermesinde, com os restantes membros do grupo. Ao todo são nove, embora não estejam todos.

    Estão um pouco nervosos, pois é a véspera da estreia do grupo. Têm esperanças numa casa cheia e na adesão do público. Esperam muito da presença dos amigos da comunidade cabo--verdiana, que estão certos vão acorrer à sala do Fórum. Hermínio Varela e Isaac Barbosa são dois dos bailarinos. E falam-nos do gosto pela música e pela dança que está nos genes de qualquer cabo-verdiano. Da sua expectativa relativamente ao regresso a Cabo Verde, mais próximo ou mais longínquo, conforme as exigências académicas.

    A Carine Silva, a Lívia Rodrigues, a Daise Ferreira, a Natividade, o Beto Dias (perdoem-me se esqueci alguém), todos falam com entusiasmo, da dança e das exigências do coreógrafo. Sentem que têm que trabalhar muito, Luzito exige uma grande entrega ao trabalho físico, mas, por outro lado, sentem também que isso é uma condição da qualidade.

    “Não esperava que fosse tão difícil”, deixa escapar, já não sabemos quem, o Isaac ou o Hermínio.

    Luzito pensa que o trabalho intenso no Thascan pode abrir mais uma porta, até do ponto de vista profissional, aos elementos do grupo. Embora, de momento, as preocupações académicas se sobreponham: Geografia, Gestão, Informática, Gestão do Património são algumas das carreiras que pretendem abraçar.

    Quanto ao sucesso, Luzito espera que ele apareça, com trabalho. Que comecem a notá-los. A falar deles. E que com o andar do tempo, possam ir aqui e ali apresentar os seus trabalhos. Uma espécie de embaixadores da cultura cabo-verdiana.

    Estão ali, todos, por pura paixão. Aliás, alguns dançavam já, quando Luzito Veiga os convidou a aderir ao projecto Thascan da NosArte. Aceitaram de imediato, com as responsabilidades acrescidas.

    Atenção, o pássaro vai levantar voo.

    Por: LC

     

     

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