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UMA QUESTÃO DE SAÚDE
Mitos sobre a infância: Quantos conhece?
Nesta e nas próximas edições vamos falar um bocadinho de mitos sobre bebés e crianças que, com toda a certeza, já ouviu ou nos quais até acredita porque foram passando ao longo de gerações. O objetivo destas edições é desmistificar estas crenças, ajudando a construir ideias mais informadas e baseadas em evidência científica.
Alimentação
“O bebé está viciado na mama.”
“O bebé chora porque o leite é fraco.”
“Ah tem de começar a comer aos 4 meses.”
“Não lhe dás uma bolachinha?”
“Está a olhar, se não lhe deres fica ougado.”
“Ovo, morangos e frutos secos só depois dos 12 meses.”
“Se não comeres tudo, não vais brincar.”
Desde muito cedo a opinião sobre a alimentação dos bebés surge em toda e qualquer conversa com os pais. Mas há aqui muitos conceitos que se sabe estarem errados, atendendo ao conhecimento atual.
De um modo muito geral, é importante esclarecer que não há leite materno fraco nem vício da mama. Por um lado, os bebés, principalmente nos primeiros meses, têm necessidade de sucção como forma de se acalmarem, sendo a mama uma excelente forma de o fazer. Por outro lado, o leite materno vai-se adaptando às necessidades do bebé e tem tudo aquilo de que ele precisa.
Sobre a diversificação alimentar, falamos numa edição recente sobre as orientações mais atualizadas, mas nunca é demais reforçar que o bebé só deve iniciar a mesma quando mostrar sinais de prontidão, deve progredir na textura dos alimentos, devem ser introduzidos os principais alergénios até aos 12 meses e não deve ingerir qualquer tipo de açúcar, pelo menos, até aos 2 anos.
Quanto a ver os adultos comerem e também querer, o bebé/criança não sente falta do que não conhece. Vai sempre haver alimentos que não podemos partilhar com as crianças (como o álcool, por exemplo), por isso é tudo uma questão de orientar a atenção para alimentos que possam consumir. Também é de referir que a ideia de que a criança tem de comer tudo o que está no prato não traz nada de bom à sua relação com a comida. É importante respeitar o apetite da criança, não forçar nem chantagear para que coma.
Sono
“O bebé não pode dormir ao colo senão habitua-se.”
“O bebé tem de adormecer sozinho.”
“O bebé tem de dormir com luz e barulho durante o dia.”
“Ah a minha filha dormia a noite toda desde o primeiro mês.”
O sono dos bebés é um mundo, tornou-se um verdadeiro negócio e daria para várias edições desta rubrica. Mas vamos tentar simplificar com algumas verdades que são irrefutáveis. Os bebés, principalmente nos primeiros meses, precisam de contacto para se sentirem seguros. E um bebé só dorme se se sentir seguro, por isso é completamente normal (e até expectável) que os bebés prefiram dormir ao colo dos principais cuidadores. Claro que depende muito de cada bebé, mas demonizar o colo não faz qualquer sentido.
E isto leva-nos a outro facto: os bebés não têm manha ou vícios, ou seja, não fazem uma coisa de propósito para conseguir outra, não têm essa capacidade. Os bebés têm necessidades próprias da sua fase de evolução. A questão é que, muitas vezes, essas necessidades não são compatíveis com as expectativas dos adultos. Nesta questão do sono, exigimos dos bebés coisas que praticamente nenhum adulto consegue. A maioria dos adultos dorme acompanhado, uma percentagem preocupante toma medicação para dormir e outros quantos têm rituais para conseguir adormecer (TV ligada, venda dos olhos, tampões de ouvidos, entre muitos outros).
Há que aceitar que o sono é uma área em que o bebé precisa de evoluir e aprender, tal como acontece na alimentação ou na marcha. Não é expectável que um bebé pequeno durma a noite toda, os despertares são fisiológicos e saudáveis. Ao longo do desenvolvimento, o sono vai amadurecendo e ficando com um padrão mais próximo dos adultos. Claro que é extremamente importante ter bons hábitos de sono desde cedo, mas não esperar que haja uma fórmula milagrosa.
Horário de banho e refeições
“Acabaste de comer, agora só podes ir à água daqui a 3 horas.”
“Tem de tomar banho antes de ir comer.”
Este é um mito que está presente todo o ano mas que ganha força nesta altura do verão, com as idas à praia ou à piscina. Há um medo muito grande de que as crianças vão para a água pouco tempo após as refeições, ou até que tomem banho após terem comido. Mas a verdade é que
(...)
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*Telma Lopes - Médica Especialista de Medicina Geral e Familiar, USF - Unidade de Saúde Familiar da Anémona - Matosinhos
*Catarina Rebelo - Médica de Família em Dublin (República da Irlanda)
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