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REFLEXÕES SOBRE ERMESINDE (14)
“Ermosindi”, “Hermisende”, “Ermesende”, “Ermezinde”, “Ermesinde” (parte 8)
Nas anteriores crónicas estávamos a tentar descrever a sequência governativa sueva na Península Hispânica, tendo ficado no ano de 441, com a morte de Hermerico, depois de uma prolongada doença de 7 anos, e a subida ao trono do seu filho Réquila. Tendo este prosseguido com as conquistas do pai.
Réquila, que se dedicou às depredações e conquistas por toda a Península, morreu em Mérida, no mês de agosto do ano de 448, ainda pagão, sendo sucedido pelo seu filho Requiário, já convertido ao catolicismo, apesar de ter a sua família contra, continuando com as depredações. Tal conversão conseguiu-lhe sem dúvida um certo apoio da parte dos hispano-romanos católicos que formavam a população maioritária na Galécia.
Em 449, Requiário desposa a filha de Teodorico, rei dos Godos, tendo pacificado de alguma forma as questões territoriais, pelo menos por algum tempo.
Infelizmente o Chronicon de Idácio termina de forma abrupta no ano 469 e é só no ano 550 que voltamos a ter, na Chronica de João de Biclara1, outra notícia através de fontes literárias sobre a Galécia. Quando os Suevos surgem de novo nos escritos históricos de João de Biclaro e Isidoro de Sevilha, vários acontecimentos significativos já tinham transcorrido na Galécia. Os monarcas suevos, muitos dos quais nem de nome conhecemos, restauraram um reino na Galécia, suficientemente forte para atrair a atenção dos poderosos Visigodos, os quais se instalaram na Península depois da sua expulsão das Gálias pelos Francos Merovíngios.
As fontes dizem que o catolicismo adotado pelos Suevos sob Requiário foi quase logo abandonado, em 466, por eles, para se integrarem no arianismo. As crónicas mostram que, apesar da presença de um arianismo oficial na corte sueva em Braga, se organizou na Galécia uma Igreja Católica que fez frente à Igreja Ariana.
Assim aconteceu com a pacificação dos vários povos existentes na Galécia (suevos, nativos – iberos, celtiberos, lusitanos e outros, e os hispano-romanos), e com a reconversão definitiva dos suevos ao catolicismo. Celebrado por São Martinho de Dume e Teodomiro no ano de 561, no Concílio I de Braga, e posteriormente confirmado nas atas do Concilio II de Braga (572) diz-se ser este o 2.° Ano do reinado de Miro, sucessor de Teodomiro.
A partir desta pacificação os governantes suevos passaram a organizar o seu território, introduzindo muitas novidades administrativas.
Com esta organização administrativa/religiosa, e o nascimento das primeiras paróquias, no norte e Galiza, está lançado o aparecimento das paróquias incluindo a futura paróquia de São Lourenço de Asmes.
Destaca-se neste período a figura de São Martinho de Dume pela sua participação na organização territorial (parroquiale suevorum) e na legitimação cristã de um governo estável sobre uma população plenamente integrada e unida, e datado entre 572 e 582. Só para que tenham uma ideia, do quanto inovador foi esta criação das paróquias no tempo dos suevos, pois foi
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Por:
Carlos Marques
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