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31.ª FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO
Livros infantis que explicam o quotidiano real aos mais novos
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| 1- MARIANA JONES TROUXE À FEIRA DUAS HISTÓRIAS REAIS TRADUZIDAS EM LINGUAGEM INFANTIL |
Como já foi referido no texto de abertura sobre esta edição da feira, a literatura infanto-juvenil esteve em foco ao longo dos 10 dias em que a mesma decorreu. Acompanhámos de perto algumas apresentações, mas vamos destacar duas delas, que mais do que meras histórias de crianças transmitiram ao público juvenil mensagens sérias do quotidiano real a ter em conta na sua forma de encarar a vida. O exemplo mais pertinente foi-nos trazido pela escritora Mariana Jones, uma das autoras que vieram de fora do nosso concelho, conhecida a nível nacional pela sua escrita focada em refletir sobre temas como o amor, as relações, as emoções, ou as frustrações das crianças e jovens na sociedade contemporânea. Em Ermesinde a autora abordou duas histórias reais transcritas para livros, sendo que a primeira delas deu origem à sua obra de estreia: “Caracóis com Cores”. Uma história inspirada nas suas duas filhas e que nos levou numa viagem pelas emoções exacerbadas e baralhadas de Laura, uma menina que tem dificuldade em conter a raiva misturada com o amor, a vergonha mesclada com a tristeza e a culpa provocada pela chegada ao Mundo de uma irmã mais nova. Ao longo do relato da história, Mariana Jones foi interagindo com a plateia juvenil que teve à sua frente nesta apresentação, questionando quem dali já tinha sentido medo, calma, amor, culpa, ou vergonha, fosse por qual razão fosse. Em “Caracóis com Cores”, a autora procura mostrar ao seu público que as emoções são como as cores: claras e escuras, bonitas e estranhas, separadas ou todas misturadas, mas todas importantes e essenciais para formar as nossas histórias de vida real.
O segundo livro apresentado falou de uma história muito mais difícil, mas muito mais importante. “A Tirar Macacos do Nariz - O cancro pediátrico de pernas para o ar”, assim se chama esta obra que resulta de um pedido do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital de São João a Mariana Jones no sentido desta escrever sobre a temática do cancro infantil. No livro são relatadas histórias reais de dor, de perda, mas também de esperança e de superação. O narrador do livro é Diego, também ele um menino com cancro que vai mostrar todos os olhares sobre uma doença cujo nome se pronuncia baixinho, um pouco como aquela ideia de que não se pode tirar macacos do nariz – na forma como o Diego vê e lida com a doença. Ao longo da história, ele vai-nos mostrando outros meninos (reais) que passam os dias no hospital, mas que não deixam de brincar, de serem crianças, mas que sentem e sabem falar de uma dor que por vezes nem os adultos conhecem. Nesta história vemos os dias mais escuros darem lugar a dias de sol fruto de casos de superação e de cura, mas também vemos histórias de meninos que morrem antes do tempo e que passam a ser descritos como “meninos-estrela”. Este livro toca, é sensível, mas também nos deixa a pensar que podemos virar o cancro de pernas para o ar no sentido em que podemos desmitificar as rotinas dos tratamentos e da própria doença, optando por uma perspetiva mais leve e de esperança.
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| 2- INÊS CARDOSO RECORDOU A SUA INFÂNCIA NAS PÁGINAS DE “AS MÃOS DA AVÓ” |
Outro livro apresentado nesta edição da feira que remeteu o público mais jovem para a realidade, foi-nos dado a conhecer por Inês Cardoso, que além de ser a atual diretora do Jornal de Notícias se tem notabilizado na escrita para a infância. “As Mãos da Avó”, assim se chama a obra que foi apresentada e lida na feira, e que nos fala das recordações e memórias de uma neta que passa as suas férias numa aldeia com a sua avó. E esta neta acaba por ser um pouco Inês Cardoso, que enquanto criança viveu inúmeras experiências numa aldeia do interior centro, de onde é natural, na companhia das suas avós, em particular da sua avó materna. “As Mãos da Avó” é, pois, uma história inspirada em vivências reais, como por exemplo, fazer queijo ou provar a primeira filhó de Natal. É também uma história que conta e ao mesmo tempo preserva tradições que parecem ficar perdidas e esquecidas no tempo, como precisamente, fazer queijo de uma forma tradicional, ou de usar os rebanhos para comer as ervas e dessa forma limpar as florestas e prevenir os incêndios. É também uma história que fala de uma avó com muito trabalho nas suas mãos calejadas e rijas, as quais expressam a vida dura no campo de uma aldeia onde se valorizam as coisas singelas da vida e que no fundo fazem parte da nossa cultura tradicional que importa preservar e contar aos mais novos, como precisamente acontece neste livro.
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