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Edição de 31-07-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


5ª EDIÇÃO DO ENTRELINHAS – FESTA DO FERROVIÁRIO

Futuro da mobilidade da região esteve em debate na edição deste ano do Entrelinhas

Fotos ALBERTO MATEUS
Fotos ALBERTO MATEUS
Mais do que homenagear o património ferroviário e todos os que fazem e fizeram parte dele, o Entrelinhas – Festa do Ferroviário voltou a ser um cenário de reflexão sobre o futuro dos transportes, nesta edição em particular sobre o futuro e desafios da mobilidade no Distrito do Porto, tema que mereceu a intervenção de técnicos, académicos, investigadores e decisores políticos. Assunto que esteve pois em debate na conferência da edição deste ano do evento, intitulada “Território dos 15 minutos: Ferrovia, Metro e Mobilidade para o Futuro - Do Património Ferroviário À Mobilidade Sustentável Integrada”. Presentes estiveram representantes de empresas como a STCP, a Infraestruturas de Portugal, a Metro do Porto, ou a CP – Comboios de Portugal, aos quais se juntaram inúmeros autarcas locais, desde logo o presidente da Câmara Municipal de Valongo, Paulo Esteves Ferreira; o presidente da Assembleia Municipal de Valongo, Manuel Augusto Dias, o presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, Miguel de Oliveira; o presidente da Assembleia de Freguesia de Ermesinde, Abílio Vilas Boas; bem como vereadores da autarquia e alguns deputados da Assembleia da República (AR).

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Coube a Paulo Esteves Ferreira fazer as honras da casa e abrir oficialmente esta conferência, ele que começaria por frisar que que atualmente o objetivo da mobilidade é muito claro: «é e tem de ser sempre a promoção da qualidade de vida dos cidadãos que utilizam os transportes públicos». Referindo mais adiante que aquilo que pode fazer a diferença na mobilidade nas nossas regiões e nos nossos territórios é o tipo de transporte público que é oferecido, o autarca recordou que hoje em dia assistimos nas cidades ao problema do trânsito, em que toda a gente tem carro em cidades que foram construídas nos anos 60 e 70 e que na altura não imaginavam que teriam no presente tantos automóveis em circulação. Nas suas palavras, hoje o espaço público disponível já não é suficiente para tantos carros, não só para circularem, como de igual modo para estacionarem. Assim, há que procurar mudar a mentalidade das pessoas para a redução do recurso ao automóvel, mas isso só será possível de resolver com uma alternativa que seja previsível e eficaz. E o que é necessário para que essa alternativa seja uma realidade? «É necessário começarmos a olhar para a ferrovia, quer no modo do comboio, quer no modo do metro, como complementares. Não são concorrentes, nem são projetos que devem estar de costas voltadas, pelo contrário, temos de olhar para o comboio e para o metro como formas de mobilidade previsível, de qualidade, onde efetivamente as pessoas podem substituir o carro por esse meio de transporte», apontou o edil valonguense, que já no términus da sua alocução diria que hoje as pessoas querem um meio de transporte fiável e previsível e que esse meio de transporte tem de ser o comboio e o metro de forma complementar, aproveitando a este propósito para sublinhar que «não faz sentido o metro ainda não estar no concelho de Valongo. E isto não é um capricho de um autarca, isto é algo que é absolutamente essencial para promover a qualidade de vida de quem cá vive», disse.

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A intervenção seguinte pertenceu a José Carlos Barbosa, comissário do Entrelinhas e deputado da AR, que faria uma retrospetiva pelos temas que marcaram as edições anteriores do evento na medida em que após terem sido ali aflorados acabariam por ter implementações reais na ferrovia nacional. Recordaria então que na primeira edição havia sido abordada a temática da importância do comboio em tempo de crise, em que se falava da necessidade de ser feita uma grande compra de comboios, algo que posteriormente seria concretizado com a compra de 153 comboios que resultaram num investimento de mil milhões de euros, conforme vincou o deputado da AR. Na edição seguinte seria abordada a Linha de Leixões e a sua reabertura ao transporte de passageiros, algo que, como José Carlos Barbosa, recordou era visto então como uma utopia. «Mas o que é certo é que a linha está aberta, e o que antes era uma infraestrutura que estava desaproveitada para o serviço de passageiros, hoje temos uma ligação ao Hospital de São João e ao polo universitário que cresce todos os dias. E não queremos ficar por aqui, pois temos de ligar esta linha aqui a Ermesinde», reforçou o comissário do Entrelinhas. Recordaria que na edição de 2024 foram abordados os desafios da Alta Velocidade, um tema que era motivo de grande luta na opinião pública, com uns a favor e outros contra, mas o que é certo é que depois da conferência em torno dessa matéria realizada em Ermesinde a opinião pública começou a encarar de forma consensual e o projeto encontra-se em fase para avançar. O ano passado foi abordado o 150.º aniversário da Estação de Ermesinde, e o que é certo é que poucos meses volvidos se avançou para a quadruplicação da Linha do Minho entre Contumil e Ermesinde, cuja empreitada foi consignada em maio último. Agora, e nas palavras de José Carlos Barbosa, é necessário criar novas ligações, novas linhas que venham solucionar o problema da saturação das cidades, e deste modo aumentar a frequência de comboios, melhorar o serviço, e como consequência disso trazer mais pessoas para o uso do transporte público.

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Findas estas intervenções de abertura deu-se então início à conferência propriamente dita, com o primeiro painel – moderado pelo jornalista do Público, Carlos Cipriano – a reunir Álvaro Costa (professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), Emídio Gomes (presidente da Metro do Porto) e Mário Meireles (investigador e consultor em mobilidade e urbanismo da Câmara Municipal de Braga). Neste painel dedicado ao tema “ferrovia e metro: estrutura metropolitana e desenvolvimento territorial” os três oradores abordaram essencialmente o papel destes dois meios de transporte na reestruturação da nossa região.

O segundo painel – moderado pelo também jornalista do Público, Rúben Martins – foi intitulado de “Cidade dos 15 Minutos: Proximidade, Autocarro e Mobilidade Sustentável”, tendo contado com as participações de Paula Teles (responsável pelo Plano Municipal de Acessibilidade para Todos de Valongo), Nuno Neves de Sousa (presidente da TMP), Cecília Silva (da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) e de Luís Osório (presidente da STCP). Neste painel procurou-se debater o contributo do transporte de superfície para a sustentabilidade à escala local, isto é, com base no conceito de “cidade dos 15 minutos”, um modelo de planeamento urbano em que os cidadãos conseguem aceder a um conjunto de serviços essenciais no seu dia a dia perto de casa e sem necessidade de recorrer ao uso do automóvel.

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