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Edição de 30-04-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


COMEMORAÇÕES DO 52.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL

Recordação de três verões de brincadeiras passados com o menino Fernando… Salgueiro Maia

JOÃO CARRILHO
JOÃO CARRILHO
Recordar o 25 de Abril de 1974 é recordar também quem o desencadeou, e neste ponto é imperativo falar de uma figura histórica desse momento não menos histórico: o capitão Salgueiro Maia. Ele é tido como a face visível do Movimento das Forças Armadas, o homem que impôs, com os seus militares, a rendição de Marcelo Caetano no dia 25 de abril de 1974. Todos conhecemos a sua história enquanto militar, enquanto Capitão de Abril, mas poucos conhecerão o Fernando José Salgueiro Maia nos tempos da sua meninice passados no seu Alto Alentejo natal. Vem isto a propósito da colaboração deste mês do nosso colaborador João Carrilho, em que este aborda a sua convivência nos tempos de infância com Salgueiro Maia. Junto do nosso colaborador quisemos conhecer um pouco melhor essa infância vivida em Castelo de Vide, terra que os viu nascer a ambos. Apesar de algumas memórias se esbaterem com o passar dos anos, o senhor Carrilho relembra com saudade os três verões passados em brincadeiras junto do seu amigo Fernando. Apesar de entre ambos existir uma diferença de cerca de seis anos – João Carrilho é mais velho – havia uma amizade muito forte entre ambos. «Entendíamo-nos muito bem. As nossas brincadeiras corriam lindamente», conforme recorda o senhor Carrilho. Brincadeiras que eram comuns aos meninos daqueles finais dos anos 40 do século passado: jogar ao berlinde, ou brincar com uns camiõezinhos artesanais feitos de velhas latas de sardinha aos quais se juntavam umas rodinhas e que eram confecionados pelo nosso amigo João Carrilho, que sempre teve muita queda para os trabalhos artesanais. «Passávamos as tardes a brincar com estes brinquedos de então, debaixo da grande e robusta cerejeira que havia ao lado da casa dos avós do Fernando. No verão, a árvore estava cheia de folhagem e dava uma sombra maravilhosa, de maneira que ali debaixo nos entretínhamos a brincar», diz-nos o senhor Carilho que já então descortinava uma característica vincada na personalidade do menino Salgueiro Maia: «Era extramente dinâmico e já tinha uma personalidade muito forte. Lembro-me que nas nossas brincadeiras ele já dizia: isto é assim, ou isto não é assim. Ou seja, já tinha perfil de líder». As casas de João Carrilho e Salgueiro Maia distavam uma da outra de cerca de um quilómetro. Aquele que viria a ser um dos Capitães de Abril já não vivia em Castelo de Vide, terra onde apenas ia passar uns dias de verão em casa dos seus avós paternos – o avô era chefe do distrito dos Caminhos de Ferro e a avó era guarda de linha – junto à passagem de nível. João Carrilho recorda ainda que na época não existiam mais crianças para brincar. Ou seja, haviam crianças de idades próximas da sua, mas eram os «meninos trabalhadores», como lhes chama, por outras palavras, crianças que já ajudavam os pais no trabalho do campo e não tinham tempo para brincar. A proximidade e amizade entre as famílias de João Carrilho e de Salgueiro Maia fizeram, digamos, com que ambos se tornassem amigos. «Assim, como o menino Fernando em casa dos avós não tinha com quem brincar e conviver, e as nossas famílias se davam muito bem, o meu pai terá autorizado que eu fosse passar os momentos de convívio e brincadeiras com o Fernando para que ele não se sentisse tão só. Então, o menino (Salgueiro Maia) brincava com o rapazote (João Carrilho), mas no fundo éramos duas crianças», diz-nos o nosso colaborador por entre sorrisos nostálgicos.

A CEREJEIRA AO LADO DA CASA DOS AVÓS DE SALGUEIRO MAIA ONDE OS DOIS JOVENS BRINCAVAM
A CEREJEIRA AO LADO DA CASA DOS AVÓS DE SALGUEIRO MAIA ONDE OS DOIS JOVENS BRINCAVAM
Há, porém, outra característica que João Carrilho ainda hoje guarda da personalidade do Capitão de Abril: a

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Por: MB

 

 

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