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COMEMORAÇÕES DO 52.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL
25 de Abril voltou a ser evocado em Ermesinde… com recados para o presente
A cidade de Ermesinde mais uma vez celebrou com profundo sentimento de liberdade, gratidão e memória o 25 de Abril de 1974, mas também reivindicando a necessidade de defender (e aplicar) no atual quotidiano as múltiplas conquistas de há 52 anos atrás. O ponto central destas comemorações voltou a ter lugar na sede da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE), onde autarcas e (alguma) população se reuniram numa sessão solene em que para lá das habituais intervenções políticas foi marcado pela jovialidade expressa em momentos musicais e na (já) tradicional entrega de prémios alusivos ao concurso de cartazes promovido pela Junta em alusão à Revolução dos Cravos.
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| Fotos CLAÚDIA RIBEIRO |
A cerimónia de hasteamento das bandeiras ao som do Hino Nacional – interpretado por Helena Valente, da Universidade Sénior de Ermesinde – assinalou o início do ato cerimonial das comemorações dos 52 anos do 25 de Abril. No exterior do edifício da JFE autarcas e demais população presenciaram ainda a formalidade da guarda de honra protagonizada pelos Bombeiros Voluntários da nossa cidade. Já no auditório da Junta, e na antecâmara da sessão solene, foi dado o palco aos jovens do grupo Íris Corus – da Associação Académica e Cultural de Ermesinde – para interpretarem alguns temas que marcaram – e marcam – a Revolução dos Cravos, nomeadamente, “E Depois do Adeus”, “A Cantiga é uma Arma” e o icónico “Grândola, Vila Morena”.
Entre as figuras políticas presentes, e para além dos membros do Executivo da JFE e da Assembleia de Freguesia de Ermesinde (AFE), estiveram a vice-presidente da Câmara de Valongo, Ana Maria Rodrigues; o presidente da Assembleia Municipal, Manuel Augusto Dias; e o Provedor do Munícipe, João Morgado.
Dado início à sessão solene pelo presidente da AFE, Abílio Vilas Boas, coube a primeira intervenção a Alexandra Pinto, da Iniciativa Liberal (IL). Sublinharia que apesar de ter nascido depois do 25 de Abril de 1974 cresceu «a ouvir histórias… de medo, de silêncio e de quem nunca deixou de sonhar com liberdade. A liberdade nunca foi um dado adquirido. Foi conquistada. E todos os dias tem de ser merecida. E esse talvez seja o maior perigo… o de nos esquecermos com demasiada facilidade. Hoje, a coragem que nos é exigida é diferente. Mais silenciosa, mas igualmente essencial. É a coragem de não virar a cara. De não encolher os ombros. De não permitir que outros decidam por nós. É também a coragem de fazer diferente. De não aceitar como normal aquilo que sabemos que está errado. Porque a democracia não se defende apenas com palavras. Defende-se pela forma como a honramos». No seguimento desta ideia lançaria a seguinte questão: «Quando metade do país não vota… quando tantos dizem “não vale a pena”…quando tantos sentem que nada muda… podemos mesmo dizer que a democracia está viva?». Perante este cenário descrito referiu que a liberdade vai-se perdendo devagar, no hábito de deixar de participar. «Ser livre não é apenas poder escolher. É querer escolher. É assumir a responsabilidade de participar. A liberdade não vive de memória, vive de atitude. Não vive apenas no que celebramos, vive no que fazemos todos os dias. Por isso, a pergunta que fica não é o que conquistámos. É o que estamos dispostos a fazer com isso. Porque a coragem de há 50 anos deu-nos liberdade. A coragem de hoje decide o que fazemos com ela».
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A intervenção que se seguiu pertenceu a Rui Fernandes Almeida, do CDS-PP, que começaria por recordar que assinalar o 25 de Abril não é apenas recordar o passado, mas sobretudo refletir sobre o presente e projetar o futuro. «A liberdade que então se conquistou exige hoje compromisso, exige participação e exige sentido de responsabilidade. A democracia não se esgota no voto: constrói-se todos os dias, com proximidade, com respeito pelas instituições e com serviço à comunidade», disse. Lembrou ainda que o caminho iniciado em Abril de 1974 seria consolidado um ano e meio depois com o 25 de Novembro de 1975, um momento que na sua voz foi decisivo para garantir que o rumo de Portugal se afirmava como uma democracia pluralista, livre e assente no Estado de direito. «Ao assegurar a estabilidade institucional e afastar tentações de deriva autoritária, o 25 de Novembro ajudou a cumprir e a proteger os desígnios de Abril, permitindo que a liberdade então conquistada pudesse florescer de forma duradoura», frisou. Enquanto eleito pelo CDS-PP na AFE afirmou seguidamente o seu compromisso «com uma democracia assente na dignidade da pessoa humana, na justiça social e na valorização das famílias, das associações e do poder local. Acredito plenamente numa política de proximidade, que ouve, que respeita e que responde aos problemas concretos das pessoas», disse, ao mesmo tempo que apontava Ermesinde como um exemplo vivo dessa participação cívica. Salientou, porém, que existem desafios: «o custo de vida, o acesso a serviços de qualidade, a necessidade de melhores infraestruturas e de mais oportunidades para os jovens são realidades que exigem ação. Honrar Abril é não ignorar essas dificuldades, é enfrentá-las com seriedade, com rigor e com sentido de missão», referiu antes de terminar a sua intervenção com uma «nota de esperança»: «A democracia portuguesa, com todas as suas imperfeições, continua a ser um projeto vivo. Cabe-nos a nós, em cada geração, cuidar dela, fortalecê-la e transmiti-la melhor do que a recebemos».
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| O GRUPO ÍRIS CORUS |
Seguiu-se Nuno Lobo, eleito pelo Chega, que no início da sua intervenção frisaria que o 25 de Abril «não é nem nunca será pertença da esquerda», acrescentando que a data tem tido uma apropriação histórica por parte de vários partidos, principalmente o PS e o PCP. «O 25 de Abril não pertence a partidos, elites ou ideologias, mas sim ao povo português. Sem eles a Revolução dos Cravos jamais vingaria». Ao falar do 25 de Abril, Nuno Lobo lembrou também o 25 de Novembro de 1975, uma data que, na sua voz, marca a conquista da verdadeira liberdade, da verdadeira democracia. «Não é uma data oposta, mas uma data complementar (ao 25 de Abril). O 25 de Novembro deu início ao despertar para a nova consciência de um Portugal que necessita apressadamente de definir e traçar o seu caminho. O 25 de Abril abriu-nos a porta da liberdade, o 25 de Novembro impediu que esta porta se fechasse, e deu-nos assim estabilidade para viver e escolher uma nova direção. É esta leitura fidedigna que devemos transmitir às gerações vindouras. A história exige assertividade e rigor», considerando ainda ser «condenável e lamentável» que quando se fala no 25 de Abril se descure «erraticamente» o 25 de Novembro, uma data que em seu entender «impediu uma ditadura comunista, evitando assim que Portugal se transformasse numa mini União Soviética». E ao falar do 25 de Abril recordou os tempos que se seguiram a este dia: o PREC, as expropriações, as ocupações, «os assassinatos às mãos das FP25, ou todos aqueles que foram perseguidos não pela PIDE, mas pelos comités revolucionários como atos de vingança onde a democracia foi preterida». Para o membro da bancada do Chega, falar do 25 de Abril significa também falar de descolonização, dando como exemplo ele próprio e a sua família que perderam terras e bens em Angola. «Onde esteve o papel do Estado no dever de proteger os seus cidadãos?», questionou Nuno Lobo relativamente a este capítulo da história. Ainda sobre o 25 de Abril, afirmou que «passados 50 anos muitos portugueses sentem que a revolução e os seus ideais de liberdade estão inacabados. Onde está a liberdade de expressão? (…) Onde está a conquista da liberdade do voto em que só 50 por cento dos portugueses, e nem sempre, exercem o seu direto adquirido em Abril?. Há portugueses que trabalham uma vida toda e não conseguem comprar uma casa, enquanto outros que nada fazem conseguem. Há portugueses que padecem sem um médico de família. Há jovens que partem de Portugal porque não conseguem construir um futuro no seu país. Há um país que que vive com medo face à insegurança crescente. Há que respeitar quem pensa diferente, há que aceitar e conviver com o pluralismo político, tudo por um país mais justo, mais seguro onde o trabalho tem de compensar».
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| A INTERVENÇÃO DE ALEXANDRA PINTO (IL) |
Carlos Mourão, da bancada do PSD, foi o orador que se seguiu, lembrando no início da sua intervenção que o 25 de Abril de 1974 não foi apenas uma revolução política, foi acima de tudo uma revolução de valores, que nos trouxe a liberdade de expressão, a liberdade de associação, a dignidade, o direito ao voto livre e universal. «Mas nada disto pode ser dado como garantido», conforme referiu o eleito social-democrata que acrescentaria mais adiante que «a democracia não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo, exigente, e que depende do compromisso de cada um de nós. Cabe-nos honrar o legado daqueles que lutaram pela liberdade, assegurando que ela se mantém viva, participativa e inclusiva». Aludiu depois ao facto de enquanto eleitos locais haver uma responsabilidade acrescida. «Somos o rosto mais próximo das populações. É aqui, nas freguesias, que a democracia se torna concreta, nas decisões do dia a dia, na resposta às necessidades das pessoas (…) Em Ermesinde essa missão ganha maior significado. Somos uma terra com identidade forte, com dinamismo e com enorme potencial humano. É nosso dever trabalhar para que o espírito de Abril – de justiça, de igualdade de oportunidade e de progresso – se reflita na vida de todos os nossos cidadãos». Referindo posteriormente que devemos olhar para o presente com realismo e que a liberdade que hoje é celebrada exige responsabilidade, ressalvou que neste dia há que recordar que ainda há desafios por vencer: «desigualdades sociais, dificuldades económicas, o afastamento de muitos cidadãos da participação cívica». Como tal, «o melhor tributo que podemos prestar ao 25 de Abril é trabalhar para superar esses desafios com determinação e espírito construtivo».
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| RUI FERNANDES ALMEIDA (CDS-PP) |
A intervenção da bancada do PS foi feita por Gabriel Pinto, um jovem, que depois de evocar algumas das conquistas de Abril – como a liberdade, a democracia e a dignidade enquanto povo – ressalvou que para a sua geração o 25 de Abril não é apenas uma memória viva, é uma herança. «Uma herança construída com coragem, com sacrifício e com a firme convicção de que Portugal podia ser mais justo, mais livre e mais igual.
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| NUNO LOBO (CHEGA) |
Graças a essa conquista, crescemos num país onde podemos expressar livremente as nossas ideias, participar ativamente na sociedade e projetar o nosso futuro. Ainda assim, não podemos esquecer que nada disto é garantido, a democracia exige compromisso, participação e responsabilidade. Por outro lado, vivemos hoje novos desafios. Desde logo, o acesso à habitação, as dificuldades sentidas pelos jovens, as questões da saúde mental e as desigualdades sociais que persistem. Acresce ainda um contexto global incerto, que nos exige maior capacidade de adaptação e espírito crítico. Neste sentido, torna-se fundamental que os jovens não sejam apenas espetadores, mas sim protagonistas. Isto é, que assumam um papel ativo na vida cívica e política, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva, mais solidária e mais preparada para o futuro».
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| GABRIEL PINTO (PS) |
Por seu turno, o presidente da JFE, Miguel de Oliveira, começaria a sua intervenção lembrando que com o passar dos tempos se vão perdendo os testemunhos daqueles que há 52 anos viveram a Revolução dos Cravos, e que por isso hoje há uma responsabilidade de garantir que aquilo que foi conquistado não se perde na memória, nem se dilui no tempo. «Cabe hoje à sociedade, a todos nós e às nossas instituições, assumir como seu o dever de preservar e transmitir às gerações presentes e futuras o que significou viver sem liberdade e o que custou conquistá-la».
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| INTERVENÇÃO DE MIGUEL DE OLIVEIRA COM A MESA DA AFE AO LADO |
Fazendo uma ponte entre o que era Portugal antes do 25 de Abril de 1974, em que vigorava a ditadura, elencando exemplos consequentes desse regime ditatorial na vida do país, e das muitas histórias que lhe foram transmitidas pelos seus familiares desse Portugal de então; e as conquistas alcançadas na sequência da Revolução dos Cravos, o autarca frisou que tudo o que foi conquistado com Abril deve hoje ser defendido mais do que nunca. «É por isso que temos de falar também deste presente com frontalidade. Vivemos um tempo em que os extremismos voltam a crescer, em que discursos simplistas ganharam espaço, em que a divisão parece, por vezes, mais fácil do que o diálogo. Cumprir Abril não é apenas lembrar o passado, é responder no presente. É garantir paz, pão, habitação, saúde e educação, não como palavras de ordem, mas como realidades concretas na vida das pessoas. A verdade é que, 52 anos depois, ainda temos caminho a fazer. A habitação tornou-se um dos maiores desafios do nosso tempo. O Serviço Nacional de Saúde enfrenta pressões que exigem resposta firme. A escola pública enfrenta dificuldades reais, com falta de professores que não pode ser ignorada e a desigualdade continua a ser um desafio que nos interpela a todos. É por tudo isto que o poder local ganha uma importância decisiva. Uma das grandes conquistas da Constituição da República Portuguesa foi precisamente a criação de um poder local democrático forte, próximo das pessoas, capaz de transformar princípios em respostas concretas. O poder local é hoje um dos pilares fundamentais de resposta às necessidades das populações. É nas freguesias e nos municípios, na proximidade com as pessoas, que a democracia ganha rosto, que os problemas são conhecidos e que as soluções podem ser encontradas com mais rapidez, mais sensibilidade e com mais eficácia. (…) Em Ermesinde essa responsabilidade faz-se sentir de uma forma muito concreta. Uma cidade jovem, diversa, exigente, onde os desafios são reais, mas onde também existe uma enorme capacidade de resposta, de união e de construção coletiva.
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| A INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA AFE, ABÍLIO VILAS BOAS |
Aos mais jovens aqui presentes, deixo uma mensagem em forma de pedido. A liberdade que hoje têm não nasceu convosco. Foi conquistada pelos vossos avós. Pelas vossas famílias! Hoje são vocês os “capitães de abril” os grandes defensores da nossa liberdade. Participem, questionem, envolvam-se. Não deixem que decidam por vocês. Não deixem que vos digam que não vale a pena».
Por fim, usaria da palavra o presidente da AFE, Abílio Vilas Boas, que além de evocar a celebração do Dia da Liberdade recordou que ali estávamos de igual modo a comemorar os 50 anos da aprovação da Constituição da República, o que se verificou a 2 de abril de 1976. «A Constituição de 1976 é o compromisso de todos nós com o futuro. Ela é uma consequência direta da Revolução dos Cravos. Foi elaborada por uma Assembleia Constituinte eleita livremente, num momento em que o país tinha de decidir, soberanamente, que tipo de nação queria ser: uma democracia pluralista assente no Estado de Direito e no respeito pelos direitos fundamentais da Democracia Local. A Constituição tem sido o farol que ao longo destes 50 anos impediu o país de se perder de si mesmo. Foi ela que consagrou a igualdade entre homens e mulheres; foi ela que garantiu o direito à saúde, à educação e à segurança social; foi ela que garantiu a liberdade de expressão e de imprensa, no respeito mútuo. (…) Honrar 50 anos de Constituição não é tratá-la como um documento de museu. É um tempo de firmeza para reafirmar os seus princípios fundamentais. Olhar para estes 50 anos é também perceber que a democracia é um caminho difícil, mas a única luta que vale a pena travar. Celebrar hoje, significa combater a indiferença. Significa que a saúde e a educação continuam a ser pilares para todos, e não privilégios. Significa proteger a liberdade face aos novos perigos da desinformação e de extremismos».
Por:
MB
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