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Edição de 31-03-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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Memórias

À medida que as crianças crescem as coisas mingam. Além das roupas e sapatos que vão ficando pequenos com o crescimento, a noção de tamanho altera-se e a própria distância sofre uma severa distorção. As árvores cresciam gigantes, a casa, o quintal, o tanque, o jardim, eram enormes na verdadeira acessão da palavra de criança.

Dar uma volta completa, em ogiva a toda a área da propriedade deixava a nossa língua de fora, a respiração ofegante. Tudo era medonho especialmente quando nos era imposta uma tarefa, sim porque nesse tempo criança ajudava, trabalhava para o bem da família. Começava a noção de construir uma sociedade igualitária, trabalho para todos.

Criança de hoje pouco estuda e nos tempos livres” emburrece”, a sociedade assim o determina, não vá a exploração infantil se instalar. Será correto que as crianças passem os tempos livres de telemóvel na mão?

Hoje ir a um restaurante é sereno e calmo. Desde que os pequenos se entretenham com os T.M. dos papás, não há meninos a importunar a enfadar, a tagarelar.

Mas voltemos ao nosso tema. Realmente a nossa casa era grande, bem mais crescida que a maioria das casas dos nossos amiguinhos da escola. E que enorme era a nossa loja, como se denominava naquela época a atual garagem. Era tão espaçosa que cabia tudo: as alfaias, os produtos da terra, as pipas, a bicicleta do nosso irmão e até o porco morto e aberto, pendurado num gancho, escorrendo o sangue restante para uma bacia de tamanho razoável. O carro, passando para segundo lugar entretinha-se na descida em frente à loja, ladeado de flores e esperando uma escapadela a quatro rodas. Mesmo a viatura era grande.

OS MEUS PAIS COM A BOMBA DE TIRAR ÁGUA AO FUNDO
OS MEUS PAIS COM A BOMBA DE TIRAR ÁGUA AO FUNDO
O tanque de medidas abastadas e retangular, localizado no nosso terreno, cheio de água extraída por uma bomba de roda gemendo, que se fazia girar à custa do esforço dos nossos braços. Vezes havia em que ficávamos pendurados aguardando a ajuda dum amigo mais corpulento. Valia a pena o sofrimento, iríamos beneficiar fazendo longas viagens marítimas dentro das dornas que permaneciam na água durante dias. Dobraríamos o Cabo da Boa Esperança, venceríamos o Adamastor e conquistaríamos o BRASIL, ÁFRICA e por aí adiante. Seríamos os conquistadores de outrora.

Tudo era grandioso e macrossómico, mesmo os nossos sonhos.

Existia um rio que atravessava a propriedade. Nele, ancorados barcos de majestosas velas brancas aguardando sua partida para longínquos destinos. Alguns deles ocupados por homens de barbas e faces escurecidas pelo sol. Um pato deslizava ao longo das águas com seu «qua qua qua» mostrando as asas brancas ameaçadoras. As escadas com muitos degraus, longas e laterais conduziam-nos à parte nobre do nosso castelo. As outras mais altas levavam-nos à divisão onde guardávamos as munições para serem utilizadas em caso de ataque. Muitas batalhas travámos com os mouros, conquistando mais território.

Fomos crescendo duma forma mais lenta do que nos tempos atuais, as férias grandes duravam uma eternidade, ansiávamos pelo início das aulas.

O tempo foi-nos

(...)

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Por: Eugénia Ascensão

 

 

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