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Edição de 31-03-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


PROJETO PADRINHOS À DISTÂNCIA

Solidariedade de palmo e meio vai de Ermesinde (Escola Mirante de Sonhos) a Moçambique (Impire)

NEUZA PINTO COM ALGUMAS CRIANÇAS DA COMUNIDADE DE IMPIRE
NEUZA PINTO COM ALGUMAS CRIANÇAS DA COMUNIDADE DE IMPIRE
As boas ações merecem ser partilhadas, desde logo, e não só pelo próprio gesto em si, mas, acima de tudo, porque podem fazer a diferença na vida dos outros. Sobretudo, as ações de solidariedade, como esta que nas próximas linhas vamos conhecer – e divulgar – têm feito a diferença, para melhor, na vida de crianças que vivem num contexto duro, de pobreza extrema.

Sem mais demoras, apresentamos o projeto “Padrinhos à Distância”, que vem sendo desenvolvido desde o início deste ano letivo pela turma do 1.º G da Escola Básica Mirante de Sonhos, da nossa cidade.

À frente deste gesto de solidariedade, digamos assim, está a professora Neuza Pinto, a docente da referida turma, que começa por nos explicar como tudo começou: «Enquanto voluntária e madrinha de várias crianças e escolinhas em São Tomé e em Moçambique, através da HELPO ONGD (Organização Não Governamental para o Desenvolvimento), e após ter estado no terreno, não pude deixar de envolver a comunidade educativa, bem como a minha turma, nos projetos de solidariedade que vão além das nossas fronteiras, pois a imensidão de experiências e de sentimentos colhidos junto das crianças, dos professores e dos coordenadores da HELPO, em África, ultrapassaram todas as expectativas, fazendo-me sentir quase na obrigação de envolver outros neste crescimento pessoal e profissional».

Neuza Pinto fala com emoção desta sua ida ao terreno, ou seja, a África, «uma experiência única e muito enriquecedora», mas que, ao mesmo tempo, lhe deu a conhecer uma realidade muito diferente da nossa. No rescaldo da sua primeira viagem ao continente africano, a São Tomé e Príncipe, mais concretamente, e onde conheceu uma das suas afilhadas, recorda que, desde então, a sua cabeça não mais parou, no sentido de encontrar ideias para ajudar mais aquela comunidade.

Foi então que, junto da nossa comunidade, fez recolha de donativos e de materiais escolares, mas… queria ir mais além, queria ajudar mais. Então, junto dos seus contactos, tentou convencer pessoas a também apadrinhar crianças em África, traçando desde logo o objetivo de conseguir 100 padrinhos até junho do ano passado. Missão essa que foi superada junto da nossa comunidade.

Entretanto, surge uma proposta de uma viagem a Moçambique, onde a professora Neuza se depara com uma realidade muito dura. Viaja até ao norte de Moçambique, até Impire, uma comunidade ali localizada. «Quando lá cheguei, parecia que tinha viajado numa máquina do tempo até à época dos Descobrimentos», conta a professora Neuza Pinto.

Recorda que a HELPO tinha naquela zona um projeto denominado “11 vezes 5”, ou seja, tinha o objetivo de reunir 11 parceiros (empresas), sendo que cada um deles contribuía com um donativo de 5000 euros para a construção de uma escola naquela localidade. Por outras palavras, por 55.000 euros, as centenas de crianças daquela comunidade poderiam ter uma escola – que não existia até então – completamente equipada e pronta a funcionar.

Estamos a falar de uma comunidade que vive a mais de 80 km da estrada mais próxima e cujas crianças não tinham uma escola. Neuza Pinto recorda que, para esse objetivo ser uma realidade, faltavam 15.000 euros, sendo que, mais uma vez, resolveu envolver a comunidade ermesindense nessa missão.

A ESCOLINHA DE IMPIRE
A ESCOLINHA DE IMPIRE
Foi então feita uma recolha de meios financeiros junto de empresários locais, do comércio local e da restante comunidade, e a missão foi mais uma vez cumprida. O dinheiro que faltava foi conseguido e a escola de Impire tornou-se realidade.

Entretanto, surge outra ideia, esta no sentido de envolver mais diretamente a comunidade escolar, mais precisamente a turma do 1.º G. Ou seja, na primeira reunião que a professora Neuza Pinto teve com os pais dos alunos da citada turma, foi-lhes lançado o desafio de estes menino(a)s serem padrinhos de uma escola em Moçambique, a escola de Impire. No fundo, que toda a turma fizesse o apadrinhamento coletivo da escola.

Neuza Pinto abre um parêntese para explicar que pode ser possível fazer o apadrinhamento coletivo, ou seja, de escolinhas em África. «Qual é a importância do apadrinhamento? Só para as pessoas terem uma ideia: estas crianças que vão à escola, através dos padrinhos da HELPO, obtêm a sua única refeição quente por dia. Estamos a falar de crianças que não têm outra fonte de alimento, em que os pais vivem da horta, que pouco dá. Além de que estamos a falar de famílias numerosas, com cinco, seis, 10 ou 15 filhos. E a comida não chega para todos. Entretanto, a HELPO leva para essas escolas os alimentos que os padrinhos ajudam a comprar. Então, essas crianças vão à escola porque sabem que ao final do dia têm o lanche escolar, que é um prato quente. É uma realidade muito difícil. Claro que aqui no nosso país também há problemas, mas em Moçambique a realidade é muito mais crua do que possa imaginar. Uma coisa é o que vemos nas notícias, outra coisa é ir lá e sentir e ver essa realidade. Vemos crianças descalças, com um saquinho plástico onde metem um caderno, vemos menino(a)s que só têm uma peça de roupa, que não têm eletricidade, etc.», recorda a professora Neuza.

Mas voltando ao desafio lançado no início do presente ano letivo por Neuza Pinto aos seus alunos, no sentido de se envolverem nesta causa solidária, a professora conta como, desde o início, a ideia foi amplamente acolhida pelos seus menino(a)s (alunos(a)s e pelas famílias.

Relembra que, quando foi a Moçambique, desafiou não só a sua turma como as restantes de Mirante de Sonhos – do pré-escolar ao 4.º ano – a criarem um cartão com uma mensagem de esperança que seria entregue por si aos menino(a)s de Impire.

ALUNOS DA COMUNIDADE DE IMPIRE JÁ USUFRUEM DA NOVA ESCOLA ALI INSTALADA
ALUNOS DA COMUNIDADE DE IMPIRE JÁ USUFRUEM DA NOVA ESCOLA ALI INSTALADA
Posteriormente, «quando fui para Moçambique, levei comigo esses cartões aos menino(a)s de lá, e esse momento foi fotografado e filmado, e enviei para os professores daqui para que mostrassem essa entrega. Aliás, eu, quando lá estive, fiz algumas atividades junto das bibliotecas de Moçambique, ao criar, por exemplo, histórias, envolvendo depois os menino(a)s da minha turma. Ou seja, eu enviava para os pais daqui, através de WhatsApp, essa história e propunha que os meus alunos fizessem as ilustrações para essas mesmas histórias. Depois, mostrei às crianças de África essas ilustrações. Houve essa conexão».

Após o regresso da professora Neuza, o projeto continuou a merecer atenção e foi então criada a missão Cata-Sonhos a partir da turma do 1.º G de Mirante de Sonhos, que envolveu toda a comunidade escolar e não só. Foi idealizada – e mais tarde realizada – uma feirinha solidária – batizada de Feirinha do Brinquedo –, em que os menino(a)s do 1.º G foram de sala em sala – na Escola de Mirante de Sonhos – entregar aos colegas não só o convite para participar na dita feirinha solidária, como, acima de tudo, para explicar o projeto em causa, o projeto da escolinha de Impire que eles próprios estavam a apadrinhar, convidando a restante comunidade escolar a juntarem-se a este apadrinhamento coletivo. «São pequeninos mas já sabem falar como gente grande. Muitas vezes subestimamos os nossos alunos e na verdade eles são capazes de se envolverem em causas como esta. Eles perceberam que estas crianças (de África) não têm nada e explicaram lindamente tudo aos outros colegas da nossa escola: as razões da realização da feirinha solidária, quem eram os meninos, onde ficava a escola (de Impire), etc. Tanto que é que os meninos das outras turmas também perguntaram se podiam trazer brinquedos para ajudar os meninos de Moçambique. Ou seja, isto acabou por ser uma bola de neve, que foi crescendo e envolvendo mais crianças», recorda a professora Neuza, adiantando que a referida feirinha foi um sucesso: «Vendeu-se tudo. A comunidade escolar envolveu-se muito neste projeto. E acho que a mensagem tem sido passada e isso é gratificante».

Aliás, a escolinha de Impire foi oficialmente inaugurada no dia em que decorreu esta feirinha solidária em Mirante de Sonhos, a 27 de fevereiro passado.

Não só a comunidade escolar de Mirante de Sonhos abraçou este projeto, como também

(...)

leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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Por: MB

 

 

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