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Edição de 30-06-2026
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    Arquivo: Edição de 30-09-2025

    SECÇÃO: História


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    REFLEXÕES SOBRE ERMESINDE (6)

    “Ermosindi”, “Hermisende ”, “Ermesende ”, “Ermezinde”, “Ermesinde” (parte 3)

    Então, … Gálias e a Península Ibérica, populações célticas que, antes do grupo greco-latino, tinham já abandonado a pátria comum.

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    Os Germanos, palavra céltica que significa vizinhos, constituíram a terceira camada de povos indo-europeus que, avançando lentamente para o sul e para sudoeste, depois de passarem por cima de populações célticas que se encontravam espalhadas pela Europa Central, acabam por esbarrar de encontro ao Danúbio e ao Reno, ao sul dos quais se encontrava a resistência tenaz ao poderio militar e civilizacional dum povo, os Romanos, com quem iam travar uma luta de séculos. Já muitos anos antes de César, tribos germânicas dispersas tinham passado o Reno, no seu curso médio …

    Os Suevos são um dos povos que formam a base étnica do povo português e galego que destes descendem.

    Para comprovar esta situação, temos a afirmação de J. C. Bishko: ‘The small proprietors in contrast were men of overwhelmingly Celtic, Roman and Suevic stock, not Visigoths, for in the century since Leovigild’s conquest of the Suevic kingdom in 585 there had been no perceptible Visigothic migration to the northwest’ (Bishko, Spanish and Portuguese Monastic History 600-1300. (Tradução do autor, “Os pequenos proprietários, em contraste, eram homens de origem predominantemente celta, romana e sueva, e não visigodos, pois no século desde a conquista do reino suevo por Leovigildo em 585 não houve nenhuma migração visigótica percetível para o noroeste”).

    Podemos pois assumir que durante o seculo VII, apesar de subjugados pelos visigodos a partir de 585, os suevos seguiram vivendo nas suas terras, pouco a pouco misturando-se e diluindo-se no elemento galaico-romano, não tendo, os visigodos influência no seu viver. Nesse processo de síntese, foi a língua latina e religião romana a que subsistiu, junto com a etnografia e um importante fundo cultural gallaico, e o sistema antroponímico dos suevos. Deste sistema antroponímico, que se vai plasmar na toponímia do país, é uma boa mostra o documento que López Ferreiro editara na sua Colección Diplomática de Galicia Histórica. É um documento do ano 954, que recolhe o antropónimo de mais de uma centena de pessoas, a maior parte delas germânicas.

    Quando entraram na Península provavelmente vestiriam da seguinte maneira: usavam vestes simples, feitas de lã ou linho, como a túnica e a braga (calças compridas), e complementavam o traje com um manto amarrado no ombro. Era comum o uso de faixas nas pernas e cintos, enquanto as mulheres usavam vestidos longos, por vezes com um manto que as cobria por completo. A lã e o linho eram os tecidos predominantes para a confeção das roupas. A peça central do vestuário masculino, que era usada por cima da “braga” (1) . Calças compridas que chegavam até aos joelhos, ou mais longas, comuns entre os povos germânicos. Eram usados para proteger do frio, amarrado no ombro com um broche ou fivela.

    As mulheres suevas, como já tinha referido, usavam vestidos longos. Um manto mais amplo que cobria o corpo da mulher, por vezes com um capuz ou véu para cobrir a cabeça e o corpo. Cintos, usados para prender a túnica e carregar objetos como bolsas ou facas. Ornamentados com broches, fíbulas e braceletes eram usados para prender as roupas e como adorno.

    Havendo ainda o pormenor de como se penteavam, há um nó que permaneceu intacto durante mais de 2.000 anos! O “nó Suevo” (2), um estilo de cabelo peculiar dos guerreiros germânicos da região do Báltico, não era apenas uma questão de vaidade, mas um símbolo de poder e status. Os Suevos, um grupo de guerreiros, dividiam os seus cabelos em duas

    (...)

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    (1) Uma “braga” é um tipo de calção, e o termo vem dos Brácaros, uma tribo celta local que usava uma peça de vestuário chamada “braca”. Os Suevos usavam “bragas”, que são calças, em vez de calções, um tipo de calça larga que cobria as pernas.

    (2) A descoberta do Homem Osterby é uma das mais fascinantes múmias de pântano, datada entre 75 e 130 d.C. Atualmente, este incrível achado está em exibição no museu arqueológico do Castelo Gottorf, em Schleswig, um antigo castelo da família Oldenburg.

    Por: Carlos Marques

     

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