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Edição de 31-03-2019
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    Arquivo: Edição de 31-01-2019

    SECÇÃO: História


    A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL TEM CEM ANOS (36)

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    Bombardeamentos alemães aos arquipélagos portugueses

    Uma vez declarada a Guerra por parte da Alemanha a Portugal, em 9 de março de 1916, os governantes portugueses sabiam que podiam esperar ataques por parte das forças militares alemãs em qualquer área do território português, quer na metrópole, quer nas ilhas ou nos territórios coloniais africanos, onde a guerra já lavrava, desde o início do conflito (verão de 1914).

    Fora dos territórios africanos portugueses, e apesar de toda a vigilância que as forças da Marinha de Guerra Portuguesa faziam, houve vários bombardeamentos, nomeadamente ao Funchal e a Ponta Delgada, capitais da Madeira e dos Açores, respetivamente.

    A 3 de dezembro de 1916 tem lugar, pela primeira vez, o ataque de um submarino alemão a território nacional com o bombardeamento do porto do Funchal, e da cidade, que causou bastantes estragos e dezenas de mortos, sobretudo entre os tripulantes dos navios atingidos, obrigando também os habitantes da cidade a fugirem.

    A “Ilustração portuguesa” de 1 de janeiro de 1917, donde extraímos a passagem que se segue, traz a reportagem daquelas duas horas de guerra que o submarino alemão desencadeou.

    «Os alemães não perdem um só ensejo de nos provocarem e, se eles pudessem realisar um desembarque que fosse nas nossas costas ou nas das nossas ilhas, ha muito que o teriam feito. Era esse o seu proposito evidente no Funchal. O unico navio de guerra que ali se encontrava era a canhoneira franceza “Surprise.” Entrara havia meia hora, já seguida naturalmente pelo submarino que a torpedeou com tanta rapidez e tão a coberto das vistas de terra, que, ouvindo o estampido e vendo o navio afundar-se, todos imaginaram que se tratava apenas de uma explosão a bordo. Atracada á “Surprise” estava uma barcaça com carvão, da casa Blandy, tripulada por 25 homens, dos quaes morreram 7, alem do sr. Henrique Teixeira, empregado da mesma casa. Da canhoneira franceza morreram o seu comandante, o capitão Ladonne, e dois oficiaes com 26 marinheiros. Volta-se depois o submarino contra o vapor francez “Kangoroo” e mete-o tambem no fundo, de nada lhe valendo o heroico esforço de dois dos seus tripulantes que sobre ele fizeram alguns tiros com uma pequena peça postada á pôpa, passando o navio pirata por esta sem que infelizmente fosse atingido por qualquer d’esses tiros, indo em seguida torpedear o vapor inglez “Dacia” que não tardou tambem a submergir-se e cujos tripulantes e bem como os do “Kangoroo” foram salvos graças á sua propria coragem e ao pronto e valioso auxilio que de terra lhes prestaram. E estava-se na salvação de tanta gente, no recolhimento dos mortos, quando o submarino voltou ao ataque. A bateria do caes abriu fogo sobre ele, mas a agitação do mar não permitia alvejal-o bem. O barco inimigo respondeu-lhe disparando sucessivas granadas sobre a cidade. Ao fogo da bateria veiu juntar-se o do forte. Foi um violento tiroteio que abalou profundamente a cidade, produzindo muitos estragos e obrigou os seus habitantes a despovoal-a. Duas horas durou essa luta entre o pirata e a artilharia de terra, que não fraquejou. Se não lhe inflingiu maior dano, fel-o desistir do atrevido ataque que ninguem sabe até onde iria parar se não fôra tão viva a resistência. Toda a vigilancia é pouca nas nossas costas contra as investidas traiçoeiras dos alemães. N’alguns pontos o mar, n’esta quadra é tão revolto, que não os deixa operar. A oeste dos Açôres, por exemplo, não se afoitam eles. A navegação da America tem-se feito normalmente sem que nenhum periscopio se aviste n’aquelas aguas em cachão. O mez passado transitaram por ali mais de 20 navios sem novidade. Entretanto, outros pontos ha, em que não se dispensa uma defeza cuidadosa e aturada e para esses é que o paiz reclama a atenção do governo.»

    O jornal “Repulica” de 7 de julho de 1917, na sua primeira página, dá o alerta de o Funchal ter sido novamente ameaçado por um submarino alemão nos primeiros dias de julho mas, dessa vez, porém, foi repelido a tiro por uma patrulha da marinha; reapareceu uma hora mais tarde próximo do porto, voltando a ser perseguido pelas patrulhas, contra uma das quais largou um torpedo, que não atingiu o alvo.

    (...)

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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