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Edição de 31-01-2020
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    Arquivo: Edição de 31-05-2016

    SECÇÃO: História


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    60º aniversário do Centro Social de Ermesinde (16)

    Anúncio do novo edifício do Centro de Assistência Social de Ermesinde

    Em meados da década de 1960, o Centro Social de Ermesinde lutava pela construção de um edifício que lhe servisse de sede própria e, ao mesmo tempo, preocupado com os custos, aumentava o número de elementos dos seus corpos gerentes e tentava uma "aproximação" às autoridades eclesiásticas, o que não nos parece tenha efetivamente acontecido, apesar da aprovação, por aclamação, da proposta que, nesse sentido, foi feita pelo Coronel Aires Martins.

    Na reunião da Assembleia Geral de 27 de março de 1965 (ata n.º 10) folha 6, refere-se, a este propósito, o seguinte:

    "Usou então da palavra o senhor Coronel Aires Martins que falou da grandeza da obra social do Centro e da necessidade de se aproximar cada vez mais, o Centro de Assistência à Igreja. Propôs então que, futuramente, as direcções a eleger deveriam merecer a concordância das autoridades eclesiásticas e trabalhar, sempre que possível, em colaboração com a Igreja. Esta proposta, depois de posta à Assembleia, foi aceite por aclamação, com efeitos imediatos".

    Nesta sessão foi apresentado o projeto das novas instalações do Centro, pelo Coronel Aires Martins, da autoria do grande amigo do Centro, Aucíndio dos Santos, que o elaborou graciosamente, oferecendo todos os seus préstimos; e o eng.º Mendes Jorge ofereceu-se para efetuar todos os cálculos necessários à construção.

    Ainda nesse ano de 1965, se procedeu ao ato eleitoral tendo em vista escolher os novos Corpos Gerentes para o triénio 1966-1968 (ata da AG n.º 11, sem data exata? Refere-se dia 29 de 1965, na sede do Centro, mas não refere o mês). A posse, contudo, foi no dia 12 de janeiro de 1966 (ata n.º 12 da Assembleia Geral). É a primeira vez que o elenco diretivo apresenta maior número de elementos (alguns aparecem como substitutos, porque, durante a Assembleia Geral, Feliciano da Cruz discordou da lista por não estar de acordo com os Estatutos. Por isso, o Coronel Aires Martins justificou o maior número de elementos pela grandeza da Obra que necessitava de mais diretores e propôs, então, que os que estavam a mais, ficassem como substitutos e entrassem em funções logo que a Direção necessitasse deles.

    A partir de fevereiro de 1966 (ata da direção n.º 55) passam a assinar as atas os seguintes membros do órgão executivo do Centro de Assistência Social:

    Direção

    Domingos Moutinho da Silva Reis (Presidente)

    Fernando Fernandes Ferreira Mendes (Secretário)

    Duarte Correia de Pinho Beato (Tesoureiro)

    Manuel da Silva Moreira Marques (Vice-Presidente)

    Carlos Manuel Faria de Sousa Torres (2.º Secretário)

    Substitutos:

    Joaquim Fernando Ferreira dos Santos

    Manuel Marques de Sousa

    Serafim da Silva Ramalho

    Armando da Conceição Ferreira

    A Assembleia Geral, por sua vez, tinha a seguinte constituição:

    Dr. José Ribeiro Pereira (Presidente)

    António da Silva Bastos (Vice-Presidente)

    Serafim da Silva (Secretário)

    José Ferreira Raimundo (Secretário)

    O jornal, A Voz de Ermesinde, continuou a ter como Diretor, Manuel Ferreira Ribeiro.

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    Como se vê pelos nomes transcritos não parece evidenciar-se uma aproximação à Igreja; aliás, o que é visível é que há, isso sim, uma grande aproximação ao poder político. O Dr. José Ribeiro Pereira, Presidente da Assembleia Geral, foi Presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, de 1955 a 1960; o Vice-Presidente da Assembleia Geral, António da Silva Bastos era o Presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde e Manuel Ferreira Ribeiro, Diretor do jornal era Vereador.

    Para terminar, e voltando à questão com que abrimos este artigo, Novo Edifício para o Centro de Assistência Social de Ermesinde, transcrevemos das páginas 1 e 2, de "A Voz de Ermesinde" de maio de 1965, o respetivo texto.

    Os primeiros passos foram dados.

    O incitamento e entusiasmo para a sua realização foi-nos insuflado pelo amigo da Obra, Ex.mo Snr. Coronel Aires Martins.

    Por intermédio deste grande amigo recebemos as primeiras e grandes contribuições para a obra, tais como:

    Elaboração gratuita pelo Exmo Snr. Arquitecto Aucindio dos Santos, do projecto, que esperamos seja aprovado pela Direcção Geral de Assistência, bem como de toda a colaboração no decurso da construção; Oferta para efectivação dos cálculos, pelo Ex.mo Snr. Engenheiro Mendes Jorge; Comparticipação, ainda ligada à construção, dos préstimos do Ex.mo Snr. Mário Ramalho;

    Promessa de uma dadiva de 100 contos.

    Não contávamos, para já, com ajudas de semente relêvo.

    A Obra orçará pelos 700 contos.

    É muito dinheiro, mas a grandeza da Obra impõe edificação condigna e à altura das necessidades da Vila.

    Esperamos a comparticipação do Estado, bem como da Câmara e Junta de Freguesia.

    Mas não basta!

    Sabemos, de antemão, da generosidade cristã de todo o bom povo da nossa terra, e sem a sua valiosa contribuição, tal empreendimento não identificaria a nobreza do seu sentir.

    Haverá um monumental cortejo de oferendas, a efectuar no mês de Setembro e no decorrer de dois domingos.

    Ermesinde irá viver dias, que poderemos apelidar de "Dias de Caridade" com todo o seu calor e entusiasmo.

    Ainda não esquecemos a grande homenagem que esta Vila prestou aos seus filhos, que, no longínquo ultramar defenderam a integridade da Nação.

    Foi um exemplo impar de demonstração de dever e reconhecimento e estamos certos que, uma vez mais, assistiremos com orgulho de ermesindenses a uma outra demonstração de sentimento pela dor e privação alheias na pessoa do nosso semelhante.

    Serão elaboradas listas de Comissões de Lugares. No entanto, contamos com a expontânea colaboração de todos os ermesindenses e estamos certos que todos farão o melhor pelo bom resultado do empreendimento".

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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