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Edição de 30-09-2026
Jornal Online

SECÇÃO: História


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ERMESINDE DEPOIS DE ABRIL (8)

1981: um ano de afirmação comunitária

Em 1981, sete anos depois da Revolução de Abril, Ermesinde atravessava uma fase de consolidação e mudança. A dinamização cultural e associativa ganhava novas expressões, enquanto a escola, o espaço público e as instituições locais procuravam responder às necessidades de uma população em crescimento. A memória de figuras marcantes da história da freguesia continuava igualmente presente. Entre todos os acontecimentos do ano, destacou-se a inauguração da nova Igreja Matriz, uma obra iniciada em 1968 e finalmente concluída treze anos depois. As iniciativas promovidas por associações, clubes, escolas e estruturas religiosas revelam, no seu conjunto, uma comunidade cada vez mais ativa e capaz de criar e preservar os seus próprios espaços de participação, cultura e convivência.

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Sete anos depois do 25 de Abril, Ermesinde continuava a sentir os efeitos das profundas transformações vividas pelo país. A mudança política de 1974 abrira novas possibilidades de participação cívica e associativa, mas a evolução de uma comunidade também se manifesta através de iniciativas aparentemente mais modestas: a criação de instituições, a recuperação de equipamentos, a valorização dos espaços públicos ou a preservação da memória daqueles que contribuíram para a sua história.

É nesse contexto que deve ser entendido o ano de 1981. Os acontecimentos então registados mostram uma Ermesinde particularmente ativa, onde diferentes dimensões da vida local – cultural, educativa, associativa, cívica e religiosa – se cruzavam e contribuíam para a construção de uma identidade comunitária cada vez mais definida.

Logo nos primeiros meses do ano surgiu uma iniciativa relacionada com o espaço urbano. A Comissão Fabriqueira da Paróquia de Ermesinde adquiriu o imóvel onde anteriormente funcionara o Posto Médico da Caixa de Previdência, tendo em vista a sua demolição e a criação de uma zona verde. O projeto viria a dar origem ao que é apontado como o primeiro jardim de Ermesinde. A iniciativa traduzia uma preocupação que começava a ganhar importância numa localidade em crescimento: a necessidade de criar espaços públicos de encontro e lazer.

A cultura foi outra das áreas em que 1981 deixou uma marca significativa. Em 6 de abril foi celebrada, num cartório notarial do Porto, a escritura de constituição do Centro Cultural de Ermesinde. A nova associação tinha objetivos de natureza cultural, artística e cívica e procurava contribuir para a formação e valorização cultural da população. Um dos seus fundadores manifestou, desde cedo, o desejo de instalar a futura sede na Vila Beatriz.

A criação do Centro Cultural deve ser entendida no ambiente de maior liberdade associativa que caracterizou os anos posteriores à Revolução. Em Ermesinde, representava a tentativa de criar uma estrutura especificamente vocacionada para a promoção cultural, capaz de organizar iniciativas regulares e de aproximar a população de diferentes manifestações artísticas.

Poucas semanas depois, as comemorações do 25 de Abril mostraram também a dimensão popular da participação local. A celebração em Ermesinde contou com o envolvimento do Águias da Palmilheira Futebol Clube, com o apoio da Junta de Freguesia e a colaboração de escolas e clubes locais. A presença conjunta destas instituições revelava como a data revolucionária se afirmava já como parte da vida cívica da comunidade.

O ano ficou, porém, marcado pela morte de uma personalidade de particular importância para a história local. Em 25 de maio faleceu o Dr. Luís Ramos. Professor no Colégio de Ermesinde, desempenhou diversas funções públicas, entre elas as de Administrador do Concelho de Valongo, Presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Ermesinde e Administrador do Bairro Administrativo de Ermesinde. Teve também intervenção no processo de elevação de Ermesinde a vila. A sua morte representou, por isso, a perda de alguém profundamente ligado à evolução administrativa e social da terra.

A atividade cultural prosseguiu em junho. No dia 19, o Centro Cultural de Ermesinde promoveu um concerto coral-instrumental na Igreja de Santa Rita, com a participação do Coro da Sé Catedral do Porto e do Conjunto Instrumental “Solemnium Concentus”. A iniciativa constituiu uma das primeiras manifestações públicas de relevo da nova associação e mostrou a ambição de proporcionar à população programas culturais de qualidade.

Também a educação foi objeto de atenção. Em outubro foram realizadas obras de reparação na Escola Primária do Carvalhal, edifício inaugurado em 1 de dezembro de 1939. Quarenta e dois anos depois da sua construção, a intervenção permitia recuperar um equipamento escolar que continuava a desempenhar um papel importante numa freguesia em crescimento.

Nesse mesmo mês, a memória associativa voltou a ocupar lugar de destaque. No dia 26, antigos e atuais escuteiros do VII Agrupamento do Corpo Nacional de Escutas de Ermesinde (que neste ano de 2026 celebraram o seu centenário) realizaram uma romagem de saudade em homenagem ao Padre Avelino de Assunção, fundador do agrupamento, assinalando vinte anos sobre o seu falecimento. A iniciativa evidenciava a continuidade de uma tradição associativa que atravessava diferentes gerações de ermesindenses.

Mas o acontecimento que mais profundamente marcou 1981 ocorreu no final do ano. Em 20 de dezembro foi inaugurada a nova Igreja Matriz de Ermesinde, numa cerimónia presidida pelo

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Por: Manuel Augusto Dias

 

 

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