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ENTREVISTA
Cicloturismo dos Magriços de Ermesinde: pedalar por paixão e a levar o nome da cidade por Portugal e além-fronteiras
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| Fotos MAGRIÇOS DE ERMESINDE |
Os Magriços de Ermesinde Cultura e Desporto levam no presente o nome da cidade não só em algumas das estradas e paisagens mais emblemáticas de Portugal, como também além-fronteiras através do cicloturismo, consolidando a modalidade como a autêntica “joia da coroa” e o principal motor de vida do clube. Com um histórico que já inclui no currículo passagens por Espanha, Itália e França, por exemplo, o cicloturismo devolveu a vivacidade e a dinâmica que o popular emblema ermesindense ostentou no passado.
Para conhecer as razões pelas quais o cicloturismo se converteu na verdadeira alma e na modalidade rainha dos Magriços, o nosso jornal deslocou-se ao Complexo Desportivo dos Montes da Costa – onde se encontra localizada a nova sede do clube – para conversar com dois membros da secção, nomeadamente, Domingos Melo e David Magalhães. O primeiro foi o grande responsável por esta transformação, ou por outras palavras, o grande impulsionador da modalidade dentro de um clube que chegou a representar no futebol de 11 nos tempos áureos dos Magriços nos campeonatos amadores distritais. Já antes deste “boom”, o cicloturismo fazia parte do ADN dos Magriços, conforme Domingos Melo recorda, mas que na altura participava nos convívios de cicloturismo domingueiros promovidos pela Associação de Cicloturismo do Norte. «Só que aquilo eram provas de 40 quilómetros atrás de um carro. No fundo era um convívio», conta o responsável pela secção de cicloturismo. Recorda entre risos que na época a falta de preparação física inicial era evidente — «chegava a casa desfeitinho» —, mas o desafio rapidamente deu lugar à paixão pela modalidade. Com o passar do tempo e a integração em grupos mais experientes que percorriam distâncias bem maiores, o corpo moldou-se ao esforço e o “magriço” pensou noutros voos para o clube.
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CICLOTURISMO REVITALIZOU O CLUBE
O entusiasmo individual saltou rapidamente para o plano institucional. Numa altura em que os Magriços estavam a definhar, Domingos Melo propõe numa reunião de direção que o pouco dinheiro que a coletividade tinha nas suas contas fosse investido na secção de cicloturismo no sentido de serem confecionados equipamentos oficiais do clube e começar a revitalizar a secção. O projeto foi lançado e promovido através da internet para ganhar visibilidade. Foram angariados alguns patrocínios e definiu-se como regra que cada novo atleta teria de se tornar sócio da coletividade. Com uma quota anual de 15 euros por atleta – quota que se mantém –, o clube garantiu a entrada direta de cerca de 80 novos sócios/atletas através do cicloturismo. Esta adesão marcou o momento exato em que a rejuvenescida secção de ciclismo “despertou” e revitalizou a vida da coletividade. Estávamos então na temporada desportiva de 2018/19.
Atualmente, a secção conta com um universo de 84 atletas, embora a dinâmica das estradas ganhe uma moldura mais fiel com cerca de 60 participantes, pois nem sempre todos podem participar, dado que cada um tem a sua vida pessoal e profissional, ao passo que outros não reúnem ainda aptidões para percorrer tantos quilómetros em cima de uma bicicleta. O grupo, com atletas na faixa etária dos 30 anos para cima, inclui quatro senhoras.
A DINÂMICA DO PELOTÃO
A secção aposta na planificação: as voltas são comunicadas com antecedência para que cada um se junte ao grupo ao seu próprio ritmo, garantindo que a estrada está sempre aberta a quem puder vir. No plano anual de atividades ficam logo descritas as carismáticas voltas mensais — percursos de um dia inteiro, mais longos e exigentes, os quais acontecem uma vez por mês.
Paralelamente, o pelotão faz-se à estrada todas as semanas – aos sábados, por norma –, mas um dos grandes objetivos a curto prazo é reativar uma antiga tradição: as voltas noturnas de quarta-feira, com saída marcada por volta dass 19h30, num itinerário que promete passar por Alfena, Ermesinde, Água Longa e pelas ruas mais emblemáticas do Porto.
«O que está estipulado no plano de atividades é fazermos por mês uma volta em que vamos de bicicleta e regressamos de carrinha, porque percorremos distâncias longas, de 200 ou 300 quilómetros. Na semana passada (no dia 12 de setembro) fomos a Ourense, por exemplo. Mas se não houver essa volta mais longa, nos outros sábados do mês temos sempre voltas a rondar os 200 quilómetros de “ir e vir”, ou seja, 100 quilómetros para lá e outros tantos para cá. Além disso, todos os meses vamos a Fátima, e em algumas ocasiões já lá fomos e viemos (de bicicleta) no mesmo dia», explicam os nossos interlocutores.
A reta final do presente ano promete testar a resistência dos atletas com um calendário de passeios de longo percurso. Em outubro, o grupo ruma a cenários de cortar a respiração, com passagens planeadas pelo Miradouro do Ujo (São Mamede de Ribatua, Alijó) e pela exigente Serra da Estrela. Já em novembro, a vertente da fé e do esforço unem-se na viagem pelos Caminhos de São Bento da Porta Aberta. Para encerrar o ano civil com chave de ouro, dezembro trará o cumprimento de uma tradição intocável: a participação na mítica clássica Troia-Sagres, um desafio de longa distância que a secção cumpre rigorosamente todos os anos.
UNIÃO NO ASFALTO SOB O LEMA DE «NÃO DEIXAR NINGUÉM PARA TRÁS»
Apesar da exigência destes percursos, o foco principal nunca se desvia: «O cicloturismo é convívio, não é competição», sublinha Domingos Melo. Embora o grupo participe ocasionalmente em provas, a obsessão pelas medalhas fica de fora. Para o responsável pela secção, conquistar pódios exige uma rotina de treinos que no seu caso a idade e a vida pessoal já não comportam. O verdadeiro motor da secção é a pura paixão pelas duas rodas e um forte sentido de missão institucional: não deixar cair os Magriços no esquecimento. Hoje, é o cicloturismo que leva o nome do clube mais longe e reaviva a sua identidade, conforme sublinham.
Fora destes momentos partilhados, a flexibilidade dita as regras. Não existem treinos conjuntos obrigatórios durante a semana; cada atleta gere o seu tempo e treina na rua ao seu próprio ritmo, conciliando os pedais com as exigências da vida pessoal.
O cicloturismo, ou ciclismo amador, como lhe queiram chamar, exige uma preparação que vai muito além das quatro paredes de um ginásio. Embora o reforço muscular em ambiente de fitness seja um aliado crucial e individual na preparação física, a verdadeira resistência constrói-se ao ar livre: «O que nos dá a preparação são os próprios treinos que fazemos ao sábado. E acrescentamos a esses treinos uma volta mais curta ao domingo. E normalmente são treinos muitos bravos. Mas em relação à preparação física é cada um por si. Muita gente faz ginásio, faz o seu complemento em termos de trabalho muscular no ginásio», explicam os dois cicloturistas quando são abordadas as exigências físicas que a modalidade acarreta.
Claro que nem todos têm pedalada para estas andanças, mas na filosofia de Domingos Melo ninguém fica para trás. Isto, porque a dinâmica dentro do pelotão revela um
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Por:
Miguel Barros
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