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Edição de 30-09-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Local


DIA INTERNACIONAL DO IDOSO

Cinco testemunhos de quem continua a caminhar na estrada da vida com autonomia e sabedoria

CASIMIRO GONÇALVES E JULINHO
CASIMIRO GONÇALVES E JULINHO
Hoje em dia, a longevidade é uma verdadeira dádiva, mas o maior privilégio é ver que as pessoas não estão apenas a viver mais anos — estão a vivê-los com uma imensa alegria. Chegar à chamada “terceira idade” já não significa parar, pelo contrário, é celebrar o privilégio de continuar a viver com o mesmo entusiasmo de sempre, mantendo os hábitos, as rotinas e as paixões que sempre ditaram quem são.

Mesmo quando o percurso exige o suporte de uma instituição ou o apoio especializado no dia a dia, estas pessoas idosas provam que a felicidade não conhece barreiras. Elas habitam estes espaços com uma autonomia inspiradora, transformando o que poderia ser uma limitação numa extensão da sua própria liberdade. É uma forma de envelhecer que combina serenidade e dinamismo: uma vida ativa, preenchida e profundamente feliz, onde o apoio institucional funciona como uma rede de segurança que as impulsiona a continuar a sorrir e a viver plenamente.

Vem esta constatação a propósito do Dia Internacional do Idoso, que amanhã (1 de outubro) se celebra. Uma constatação por nós adquirida no decorrer de uma animada e enriquecedora conversa com cinco utentes das respostas associadas à população sénior que o Centro Social de Ermesinde (CSE) dispõe à comunidade: o Lar de São Lourenço e o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).

Fizemos uma viagem inspiradora pelas memórias destes cinco utentes e percebemos que, apesar da mudança de espaço, mantêm os mesmos hábitos de toda a vida e que hoje são felizes nesta nova fase, vivem de forma autónoma e continuam a ser os donos das suas próprias vidas.

Casimiro Gonçalves é um uma figura incontornável da história de Ermesinde. De presidente da Junta a comandante dos bombeiros, ele fez de tudo um pouco numa terra que o acolheu há mais de 50 anos. Hoje, aos 83 anos, e a residir no Lar de São Lourenço, ele confessa-se um homem realizado. «Dei tudo o que tinha ao próximo», diz-nos. Percorrer a estrada da vida e chegar a uma etapa sénior como esta deve ter algum segredo, perguntámos nós. «Não há segredo nenhum. Olhe, é levar uma vida regrada, além de que Deus também me tem ajudado». Ora aí está, a Fé. Casimiro Gonçalves apresenta-se como um homem de Fé, crente em Deus, e para si a Fé foi e é muito importante para fazer de si hoje em dia um homem feliz e de bem com a vida. A nova casa, isto é, o lar, não lhe tirou hábitos que sempre lhe deram prazer, como por exemplo estar com os amigos e a família. Por diversas vezes por semana ele sai e convive com os muitos amigos que tem na cidade. Um outro hábito que trouxe para o Lar de São Lourenço e que tem deixado marca nesta comunidade sénior prende-se com a leitura. Não dispensa a leitura diária do jornal, um hábito que sempre o acompanhou, e que já influenciou outros utentes, que agora começam também a ter hábitos de leitura maior. O senhor Casimiro Gonçalves trouxe muito da sua literacia para o lar, diz-nos uma das técnicas desta infraestrutura, ao mesmo tempo que acrescenta que este utente em particular está num patamar de intelectualidade superior em relação a outros utentes, o que é bom para o lar, haver, digamos, esta mescla de personalidades que a todos enriquece. Casimiro Gonçalves sente que está a envelhecer com a qualidade que todos merecem. «Aqui tratam-me bem», e confessa com serenidade que não tem medo da morte: «Isso não me assusta. Não tenho medo de morrer porque me sinto realizado com o que já fiz. Vivo com tranquilidade», diz-nos com um sorrido nos lábios.

JOAQUIM FIGUEIREDO E GUALTER MENDES
JOAQUIM FIGUEIREDO E GUALTER MENDES
O segredo da longevidade pode ser também o humor. Fazer uma piada pode ser melhor que um qualquer medicamento. E neste aspeto Gualter Mendes mantém a boa disposição que sempre foi a sua imagem de marca. Aos 90 anos tem uma memória prodigiosa e de fazer pasmar. Frequenta o SAD do CSE e conta que «antes de vir para cá andava triste. A minha mulher já estava num lar e eu sentia-me sozinho e triste». A decisão de vir para o SAD foi como uma vitamina, um rejuvenescimento da sua alma de pessoa alegre e que sempre gostou de pregar uma boa partida. Mas atenção, brincalhão mas sempre com o máximo de respeito, como faz questão de sublinhar. E no SAD também encontrou pessoas que na sua ótica reúnem valores que se adaptam à sua maneira de ser. O senhor Gualter é um exímio contador de histórias. Da sua memória viva as histórias entrelaçam-se umas nas outras de tal modo que nos diz que tem matérias para estarmos ali o dia todo! O facto de ter sido vendedor – de calçado e de cutelarias – e de percorrer grande parte do nosso país granjeou-lhe muitas amizades por essas terras fora. Algo que ainda hoje o deixa orgulhoso e vaidoso, pois sempre que vai a uma terra qualquer é recebido com saudade por pessoas que com ele se cruzaram no seu percurso profissional. Quanto ao segredo para chegar a esta idade? «Estar de bem com a vida», diz-nos enquanto deixa aos mais novos alguns conselhos que podem ajudar a chegar a esta idade com a felicidade estampada no rosto. «Tudo parte do principio daquilo que recebemos em casa quando somos novos: a educação. É a base principal de tudo. Temos de respeitar para ser respeitados».

Na calmaria da idade madura, o seu coração enche-se de felicidade ao olhar para trás e perceber que o seu maior legado é o amor e a vida que floresceram na família que construiu. Assim se nos afigurou Joaquim Figueiredo, de 93 anos, também ele utente do SAD, que nos fala de um amor puro e genuíno que há 67 anos o une por via matrimonial à mulher da sua vida, «uma mulher fantástica. É difícil arranjar uma companheira como eu arranjei», confessa. Fala-nos do seu passado de juventude e profissional passado no Porto, uma cidade cujas ruas, travessas e lojas hoje desparecidas conhece de cor como ninguém. É uma autêntica enciclopédia viva no que

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Por: Miguel Barros

 

 

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