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0 Amor
O amor não gosta, não gosta de ser
Tratado com leviandade, com desrespeito.
Não gosta de ser fanático
Ele sabe que fanatismo e ciúme gera
Desgaste, infelicidade e insegurança ao bem-amado.
Já os antigos diziam que amar de mais faz mal
Amar é bom.
Esconde-se nos cantinhos das nossas casas. Nos estábulos,
Aquece-se com o bafo dos animais na palha nada macia.
Não há queixume que o incomode porque ele sabe
Que amar e ser amado dá cor e alegria aos dias.
Amar é bom
Às vezes foge para os caminhos das serras. Aí está feliz,
Ama a liberdade e o beijo do calor do sol e da brisa sensual
Amar é bom
Por vezes faz sofrer, vira as costas sem arrependimento
Não querendo saber do outro amor.
Não se esquece de quem precisa ser amado,
Espalhando charme e ratoeiras aos amantes desprevenidos
Amar é bom
O amor é coisa séria, faz sofrer, virando as costas sem arrependimentos
Não querendo saber do outro amor.
Há o amor calculista, interesseiro, esse que estrangula corações
Lá vai ele leviano para outras paragens.
Anda em círculo, tonto, não sabendo onde parar.
As moçoilas que se cuidem, o amor entra pelas portas e
Deita-se nas suas camas.
O amor é infantil gosta de brincar aos joguinhos da nossa infância
Antes de atirar sua seta final, não para de treinar em outros lugares
Há amores atrevidos, descarados que partem corações.
Finalmente o amor sereno, cuidadoso, penetrante, raro, duradouro e fiel, esse que só se vive uma vez.
Interessante, o amor não tem idade. Penso que se comporta como uma criança. Como tal é permitido amar com peso e medida em qualquer “pedaço” da vida.
Por:
Eugénia Ascensão
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